Conheça a marca que está reinventando os casacos de pele

Por Marina Semensato 29 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Conheça a marca que está reinventando os casacos de pele

O outono praticamente acabou de começar no Brasil. Isso quer dizer que ainda há tempo para selecionar quais peças vão para o guarda-roupa de inverno e antecipar as tendências que a moda local costuma importar de outras nações.

Uma das tendências mais fortes no hemisfério norte é a volta dos casacos de pele de origem animal, que há anos é um ponto sensível para a indústria. Nos últimos ciclos, marcas de luxo e semanas de moda baniram o material, pressionadas por críticas ligadas ao bem-estar animal e ao impacto ambiental dos processos de curtimento.

Ao mesmo tempo, marcas procuram por alternativas sustentáveis. Por muito tempo a pele sintética foi uma possível substituta, mas descobriu-se que a composição de poliéster e acrílico libera microplásticos e leva décadas para se decompor.

Os casacos de pele podem parecer um combo de problemas ambientais a princípio. Mas existem marcas dispostas a trazer uma solução para isso, e entre elas está a Biofluff, startup de biomateriais com operações em Paris e em Nova York.

A Biofluff desenvolve alternativas à pele animal feitas a partir de fibras vegetais e sem uso de plástico. No site, a marca se descreve como responsável pela "primeira alternativa 100% vegetal à pele, tosquia e plush".

Tudo começou quando o bioengenheiro Martin Stübler, que trabalhava com couro alternativo, passou a questionar os processos envolvidos na produção de peles após uma imersão em curtumes.

Ao mesmo tempo, GamZon, com experiência no setor de luxo, via de perto a dificuldade das marcas em encontrar materiais que fossem, ao mesmo tempo, sustentáveis e viáveis para produtos mais sofisticados.  A entrada de Steven Usdan, com trajetória na reciclagem têxtil, ajudou a estruturar a operação.

Em 2023, os três se uniram para fundar a BioFluff, uma empresa de tecnologia da moda que produz peles, lã de carneiro e fleece sem plástico, a partir de plantas e seda. "A ideia da BioFluff surgiu de uma frustração muito real: não conseguíamos encontrar um material que igualasse a maciez e a beleza da pele animal sem prejudicar os animais ou poluir o planeta com plásticos", afirmou parte da equipe em entrevista ao Material Design Map. Ainda naquele ano, a startup recebeu um investimento de US$ 2.5 milhões de empresas de capital de risco.

O principal resultado desse processo é o Savian, material desenvolvido a partir de fibras vegetais como cânhamo, linho e urtiga. A produção acontece na Itália, com uso de maquinário adaptado em fábricas têxteis tradicionais e artesãos. Segundo a empresa, o material é livre de plástico e de solventes tóxicos, além de poder ser compostado industrialmente ao fim da vida útil.

"Do ponto de vista ambiental, estamos reduzindo as emissões de CO2 em até 90% em comparação com a pele convencional e em 75% em comparação com a pele sintética", disse a equipe na entrevista.

A empresa se vê à frente de outras do setor por já ter alcançado uma capacidade de produção comercial, além da expansão no mercado. Mais do que inovar o material, a BioFluff acredita estar "reconstruindo a cadeia de suprimentos para tornar a pele sustentável verdadeiramente acessível".

O material já começou a aparecer em algumas peças. O Savian foi apresentado em parceria com a Stella McCartney durante a COP28, em um casaco desenvolvido pela estilista. Depois disso, passou a circular em coleções recentes de marcas como Ganni e nas passarelas de labels como Collina Strada e Martine Rose. Também apareceu em peças da Louis Vuitton, ainda em fase de teste e sem escala comercial.

Ganni lança bolsas feitas com "pele" a base de plantas da BioFluff (Reprodução/Ganni)

A expectativa é de crescimento, segundo a fundadora. "Os consumidores de hoje estão muito conscientes das questões sociais e ambientais associadas à pele animal", afirmou GamZon em entrevista à Elle.

Além dos casacos

A empresa também trabalha em outras frentes. Uma delas é o BioPlush, voltado para brinquedos de pelúcia, cujo mercado ainda é dominado por fibras sintéticas. Nesse caso, o argumento vai além da moda e inclui também a exposição a microplásticos no uso cotidiano.

"Os materiais disponíveis hoje não estão alinhados com a direção que o mundo está tomando", disse a equipe da BioFluff na entrevista ao Material Design Map . "Nossa visão é tornar os têxteis à base de plantas e livres de plástico a nova norma, não a exceção".

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