Conheça a rua mais badalada do Centro Histórico de Salvador
A Rua Chile, considerada a primeira rua do Brasil, já foi o eixo comercial, cultural e político de Salvador, frequentada por quem mandava na cidade e celebrada por Jorge Amado como "o coração da cidade". A partir da década de 1970, com a transferência do Centro Administrativo para a Avenida Paralela e a expansão de novos polos comerciais, foi perdendo movimento e prestígio. O que acontece no endereço atualmente, no entanto, sugere um novo ciclo.
No início de junho, o Hotel Fasano Salvador sediou o coquetel de lançamento da Associação dos Empreendedores da Rua Chile e Entorno, a ARCE. A cerimônia reuniu secretários municipais e estaduais, representantes do setor turístico e líderes empresariais da região. A associação nasce com 38 membros no Conselho Diretor, entre hotéis, galerias, restaurantes, empreendimentos residenciais e equipamentos culturais.
Segundo dados apresentados no evento, aproximadamente R$ 1 bilhão já foi investido, entre setor público e privado, em projetos concluídos ou em desenvolvimento na área, como o Hotel Fasano Salvador, o Fera Palace, o Palacete Tira-Chapéu, o Gorges Residence, o Palácio Castro Alves e o Villa Andrea.
Uma rua, dois hotéis âncora
O Fera Palace Hotel ocupa edifício construído originalmente como hotel de luxo em 1934, na Rua Chile (Divulgação)
O Fasano chegou ao endereço em dezembro de 2018, como a primeira unidade da rede no Nordeste. O hotel ocupa o edifício Art Déco inaugurado em 1930, tombado pelo IPAC como Bem Cultural da Bahia e que por 45 anos abrigou a sede do jornal A Tarde, na Praça Castro Alves. A restauração foi assinada pelo arquiteto Isay Weinfeld, que manteve elementos originais do lobbycomo piso e revestimentos da época e integrou ao projeto uma linguagem contemporânea. Em outubro de 2025, o Fasano conquistou a Chave Michelin, tornando-se o único hotel de Salvador com essa distinção.
A poucos metros, o Fera Palace também ocupa um edifício histórico. Construído originalmente como hotel de luxo em 1934, reabriu em 2017 após restauração e hoje é operado pela Fera Investimentos. A empresa foi além: em 2024, adquiriu o Palacete Tira-Chapéu, construído em 1917 pelo arquiteto italiano Rossi Batista, que foi transformado em polo de gastronomia e eventos com restaurantes como Preta Tirachapéu, Casaría e Pala 7.
Articulação coletiva
A ARCE nasce para funcionar como interlocutora desses interesses junto ao poder público. A agenda inclui segurança, urbanização, conservação do patrimônio histórico, captação de eventos e organização de um calendário cultural permanente para a região. "Nosso papel é ser um parceiro ativo e propositivo do poder público e privado, articulando demandas e colaborando de forma efetiva para que a primeira rua do Brasil e seu entorno recebam a atenção que sua importância histórica e econômica merece, além de resgatar o senso de pertencimento dos soteropolitanos em relação ao Centro Histórico", afirma Antonio Barretto Junior, presidente da ARCE e diretor do Grupo Prima, proprietário do Fasano Salvador.
A estrutura de governança prevê Assembleia Geral, Conselho de Administração e Diretoria Executiva, com representação tanto de grandes grupos quanto de profissionais autônomos que atuam na área. A Secretaria de Turismo do Estado da Bahia, a Salvador PAR e as secretarias municipais de urbanismo, desenvolvimento econômico e turismo marcaram presença no lançamento, o que sinaliza disposição do poder público em dialogar com a iniciativa.
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