Conselho de Segurança da ONU rejeita proposta sobre reabertura do Estreito de Ormuz
A Rússia e a China barraram uma resolução apresentada pelo Bahrein no Conselho de Segurança da ONU que buscava estimular ações defensivas coordenadas para viabilizar a reabertura do Estreito de Ormuz, que permanece praticamente fechado pelo Irã desde o início da guerra, há mais de um mês.
Na votação realizada nesta terça-feira, 7, a proposta recebeu 11 votos favoráveis, enquanto Paquistão — que atua como mediador — e Colômbia optaram pela abstenção. Moscou e Pequim exerceram o poder de veto por integrarem o grupo de membros permanentes, segundo o jornal norte-americano The New York Times.
Entenda a proposta
O texto apresentado pelo Bahrein incentivava países "interessados na utilização do Estreito de Ormuz a coordenarem esforços, de natureza defensiva e compatíveis com as circunstâncias, para contribuir na segurança da navegação" em uma das principais rotas marítimas globais, responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo mundial.
Com apoio dos Estados Unidos e de nações do Golfo, a resolução também determinava que o Irã interrompesse ataques a embarcações, cessasse restrições à liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e suspendesse ofensivas contra infraestruturas civis. Países da região classificam o bloqueio como ameaça direta à sua segurança, diante das ações de retaliação iranianas desde o início do conflito.
Durante a sessão, os representantes da Rússia e da China na ONU atribuíram aos Estados Unidos e a Israel a responsabilidade pelo início da guerra e pelo agravamento da crise internacional . Na semana anterior, ambos haviam defendido a interrupção imediata das operações militares como prioridade.
Após a votação, o ministro das Relações Exteriores do Bahrein declarou, em nome de Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Jordânia, que "expressam seu pesar pelo fato de a resolução não ter sido adotada".
"O Conselho não assumiu sua responsabilidade em relação a uma conduta ilegal que exige ação decisiva sem demora", disse o chanceler."Tínhamos esperança de que o projeto representasse um passo rumo a uma solução permanente que garantisse a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz".
Novas ameaças de Trump
A votação no Conselho de Segurança da ONU ocorreu horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitir nova ameaça ao Irã, afirmando que “toda civilização morrerá esta noite” caso o Estreito não fosse reaberto e não houvesse acordo até as 21h (horário de Brasília) desta terça-feira.
A declaração ocorre em um contexto de preocupação crescente entre autoridades políticas e especialistas em direito internacional sobre a possibilidade de que ações americanas configurem crimes de guerra, enquanto novos ataques são registrados em território iraniano.
"Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser recuperada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai", escreveu o republicano em publicação na Truth Social.
E acrescentou: "No entanto, agora que temos uma mudança completa e total de regime, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE?" .
As declarações indicam intensificação do discurso adotado pelo presidente nos últimos dias, com a imposição de um ultimato ao Irã. Em manifestações recentes, ele mencionou a possibilidade de atingir alvos civis, como pontes e estruturas do setor elétrico, e afirmou que desataria "todo o inferno" contra o país.
Mesmo antes do fim do prazo estipulado, parte das ações militares anunciadas já havia sido executada. O Exército de Israel informou a destruição de oito pontes em diferentes regiões do Irã, enquanto os Estados Unidos atingiram a Ilha Kharg, considerada estratégica para o escoamento de petróleo. Autoridades indicaram que os alvos eram de natureza militar.
*Com informações das Agências EFE e AFP.
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