Consensus 2026 destaca infraestrutura e IA no mercado cripto

Por Da Redação 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Consensus 2026 destaca infraestrutura e IA no mercado cripto

De Eduardo Prota*

A principal sensação que o Consensus 2026, um dos maiores eventos de cripto do mundo, nos trouxe, é que o setor está deixando de se comportar como uma “indústria paralela” e começando a se apresentar como parte da futura infraestrutura econômica e computacional.

Kevin O’Leary resumiu bem essa mudança ao afirmar que “energia elétrica vale mais do que bitcoin”. A lógica apresentada é simples: inteligência artificial (IA), computação em nuvem e ativos digitais dependem de capacidade computacional, que por sua vez depende de energia. Em outras palavras, o verdadeiro gargalo da próxima década pode não ser software, mas eletricidade, chips e data centers.

O tema apareceu novamente em um painel sobre mineração de bitcoin com participação de Eric Trump, filho do atual presidente dos Estados Unidos. Os participantes discutiram como parte dos megawatts antes destinados à mineração agora está migrando para IA.

Ainda assim, defenderam que bitcoin continua sendo infraestrutura estratégica para os Estados Unidos, tanto por questões econômicas quanto geopolíticas. A convergência entre IA e dinheiro digital foi outro tema recorrente. Uma das perguntas feitas no palco foi: “como o dinheiro irá circular na era da IA?”. A resposta defendida por alguns participantes foi direta: através de moedas digitais e infraestrutura programável.

Ao mesmo tempo, o evento mostra um setor cada vez mais institucionalizado. Um painel com representantes de Bermuda e Coinbase discutiu como países menores estão tentando se posicionar como laboratórios regulatórios globais para cripto.

Bermuda afirmou ter influenciado partes do MiCA europeu e quer se tornar o primeiro “on-chain government”. O país está experimentando o uso de blockchain não apenas para investimentos, mas também para pagamentos cotidianos, arrecadação de impostos e integração direta entre governo e infraestrutura digital. Um dos conceitos mais interessantes apresentados foi o de “embedded regulation”: compliance incorporado diretamente em smart contracts e sistemas DeFi.

A visão defendida é que a próxima geração do mercado não será baseada em ausência de regulação, mas em regulação programável. Outro ponto interessante vindo de Bermuda foi a ideia de “leapfrog financeiro”. Como o país é pequeno e parte da infraestrutura moderna de fintech nunca chegou plenamente à ilha, o blockchain estaria permitindo pular etapas inteiras do sistema financeiro tradicional.

Para acelerar adoção, o governo inclusive está usando airdrops para distribuir carteiras digitais e incentivar o uso transacional. Apesar dessa institucionalização crescente, a cultura anti-establishment de cripto continua extremamente viva. Grant Cardone arrancou aplausos ao proferir palavras ofensivas ao IRS, órgão responsável pela coleta de impostos dos EUA, diretamente do palco enquanto falava sobre imóveis, construção de patrimônio e estratégias “10x”.

Esse contraste talvez seja uma das características mais interessantes do Consensus 2026: ao mesmo tempo em que o setor se aproxima de governos, bancos e grandes instituições, ele continua emocionalmente associado à ideia de soberania financeira, independência individual e desconfiança do sistema tradicional.

O resultado é um mercado que parece caminhar em duas direções simultâneas: infraestrutura institucional nos bastidores; narrativa de liberdade financeira na interface com o usuário; Se existe uma mensagem central emergindo do evento até agora, ela talvez seja esta: cripto está deixando de ser apenas uma categoria de investimento e começando a se tornar infraestrutura econômica, energética e computacional da próxima década.

*Eduardo Prota é Gerente Geral Brasil e Head Latam da Oobit.

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