COP33 sem anfitrião? Índia desiste de sediar a conferência climática em 2028

Por Sofia Schuck 9 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
COP33 sem anfitrião? Índia desiste de sediar a conferência climática em 2028

Turquia, Etiópia e, na sequência, Índia. Essa era a ordem esperada dos países anfitriões das conferências climáticas da ONU após a última COP30 em Belém.

Mas o roteiro mudou. O governo indiano retirou discretamente sua candidatura para sediar a COP33, prevista para 2028, segundo apuração do Climate Home News.

A decisão não foi anunciada publicamente, apenas comunicada a outras nações do grupo Ásia Pacífico no início de abril, com uma justificativa breve: uma “revisão de seus compromissos” para o ano.

A desistência inesperada abre uma lacuna na governança climática global e levantou dúvidas sobre o protagonismo de países emergentes nas negociações.

O recuo chama a atenção pelo peso da Índia no cenário climático global. O país é hoje o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos, e desempenha um papel decisivo no sucesso ou fracasso das metas do Acordo de Paris.

Ao mesmo tempo, a Índia se posiciona como líder do chamado Sul Global nas negociações, defendendo o princípio de “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”.

Na prática, é um recado para que os países ricos assumam maior parcela do esforço de redução de emissões e financiamento climático.

Nos últimos anos, o governo de Narendra Modi tem buscado equilibrar crescimento econômico acelerado com compromissos ambientais, ampliando investimentos em energia renovável, hidrogênio verde e mobilidade elétrica.

Sediar uma COP seria uma oportunidade estratégica para reforçar liderança, atrair investimentos verdes e pautar temas como financiamento e justiça energética.

O que pode estar por trás do recuo?

Embora o governo não tenha detalhado os motivos, especialistas apontam possíveis fatores:

Para alguns, no entanto, a decisão representa uma oportunidade perdida.

“Seria um momento para mostrar suas conquistas e liderar o debate sobre uma transição energética justa”, afirmou Harjeet Singh, da fundação Satat Sampada, ao portal Climate Home News.

Vácuo na governança climática

Com a saída da Índia, o processo para definição do país anfitrião volta à estaca zero dentro do grupo Ásia-Pacífico.

A Coreia do Sul chegou a ser mencionada como possível candidata, mas o governo nacional indicou que não formalizou interesse e citou limitações de capacidade diante dos preparativos para o G20 em 2028.

A indefinição ocorre em um momento crítico para a agenda climática, em que as COPs têm sido cada vez mais pressionadas a apresentar resultados e ações concretas para manter vivo o compromisso de Paris de limitar o aquecimento global a 1.5ºC em relação aos níveis pré-industriais.

Na COP30 em Belém, a presidência brasileira se comprometeu com um esforço global dentro da Decisão Mutirão e dois compromissos que ficaram fora dos textos oficiais da ONU: o roteiro (roadmap) pelo fim gradual dos combustíveis fósseis e combate ao desmatamento.

Impacto para o Sul Global

A decisão também pode ter implicações simbólicas, segundo analistas. Nos últimos anos, houve um movimento de maior protagonismo de países em desenvolvimento na agenda climática, em COPs realizadas no Egito (COP27) e nos Emirados Árabes Unidos (COP28), por exemplo.

A ausência da Índia como anfitriã da COP33 pode reduzir o espaço para pautas centrais do Sul Global, como o financiamento climático, fundo de perdas e danos, acesso à energia e desenvolvimento sustentável.

Sem um anfitrião definido, a escolha da sede da COP33 dependerá de novas negociações diplomáticas dentro da ONU e pode ser um "equilíbrio de poder" da pauta nos próximos anos.

1/10 Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas (Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas)

2/10 Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros (Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros)

3/10 Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30 (Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30)

4/10 (Nova Doca: parque linear inaugurado após a revitalização de um trecho de 1,2 quilômetro da Avenida Visconde de Souza Franco. O projeto inclui o tratamento de um dos tantos canais que cortam a cidade)

5/10 Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30 (Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30.)

6/10 Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico (Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico)

7/10 Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência (Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência)

8/10 Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas (Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas)

9/10 Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém (Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém)

10/10 Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia (Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia)

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