Copa de 2026 vai desafiar jogadores com calor extremo, longas distâncias e altitude
A Copa do Mundo de 2026, que começa nesta quinta-feira, 11, representa um desafio físico sem precedentes para os jogadores. O torneio terá mais partidas devido à ampliação do número de seleções e à inclusão da fase de dezesseis-avos de final, além de enfrentar calor extremo, altitudes elevadas em algumas sedes e longos deslocamentos, já que o Mundial será sediado por Estados Unidos, México e Canadá.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o calor extremo será uma característica marcante desta edição, com riscos tanto para os atletas quanto para os torcedores. Um estudo da Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (Fifpro) indica que 26 das 104 partidas da competição serão disputadas em condições de risco, incluindo a final, duas quartas de final e o jogo pelo terceiro lugar. Para mitigar os efeitos do calor, a Fifa determinou duas pausas de três minutos no meio de cada tempo das partidas.
Jesús Viosca, médico da base do Valencia e membro da Sociedade Espanhola de Medicina do Esporte (Femede), afirmou à Agência EFE que esta edição é um "desafio para a fisiologia humana" devido às temperaturas "extremas": "Mais de 80% das sedes podem superar os 35 graus de calor", somando-se fatores como umidade, radiação e vento, que aumentam a sensação térmica.
O 'Jet Lag'
Além do calor, os deslocamentos entre sedes em três fusos horários contribuem para a fadiga. Viosca explica que o 'jet lag' é uma dessincronização do ritmo circadiano, com impacto nos relógios centrais do organismo, no hipotálamo, e periféricos, como músculos, intestino e pâncreas. A extensão do torneio, de leste a oeste, cobre 4.300 quilômetros e de norte a sul cerca de 4.000, com viagens de até sete horas, acumulando fadiga independentemente do número de fusos horários.
Para algumas seleções, a adaptação inicial será mais difícil. "Não é a mesma coisa para uma seleção como a da Nova Zelândia, que talvez tenha que cruzar entre 16 e 19 fusos horários, em comparação com outra que esteja mais perto, embora tenha que viajar menos durante a competição", disse Viosca. O especialista também destaca que viajar de leste a oeste é mais desafiador do que de oeste a leste, devido à necessidade de adiantamento do relógio biológico.
Altitude e carga do calendário
A altitude é outro fator relevante. "Não é a mesma coisa jogar na Cidade do México, a 2.240 metros, do que em Monterrey ou outras sedes ao nível do mar", comentou Viosca, lembrando que, para cada 1.000 metros acima de 1.500 metros, equipes adaptadas têm meio gol de vantagem.
A sobrecarga física dos jogadores também é significativa, considerando a longa temporada dos clubes, campeonatos nacionais e competições internacionais. Segundo o especialista, o aumento de lesões musculares é consequência do calendário intenso e do número limitado de atletas.
Com isso, a fisiologia humana pode ser "um fator decisivo" para o rendimento das equipes, e as seleções que otimizarem melhor as estratégias de recuperação "terão mais chances de vencer ou de obter um resultado melhor".
Estratégias de adaptação
Jogadores de altíssimo nível contam com profissionais que cuidam de todos os detalhes para minimizar os efeitos de calor, altitude e 'jet lag'. Idealmente, a seleção viajaria 14 dias antes do início da competição para aclimatação, mas o calendário europeu geralmente impede esse planejamento.
Para adaptação ao calor, recomenda-se sauna pós-treino (20 a 30 minutos a 80 graus) ou banhos de água quente (30 minutos a 40 graus), além do uso de coletes de resfriamento antes das partidas. Para o 'jet lag', ajustes nos horários das refeições e na exposição à luz ajudam a ressincronizar o relógio biológico. A luz no fim do dia atrasa o ritmo circadiano, enquanto a exposição matinal adianta.
A nutrição é fundamental, com acompanhamento de nutricionistas, evitando cafeína, álcool e ultraprocessados, e mantendo vitaminas, oligoelementos e hidratação. Exercícios físicos contribuem para reorganizar o relógio biológico, e meias de compressão durante voos ajudam a prevenir edemas. Para altitude, utiliza-se treino em hipóxia, mesmo que simulado.
"A partir de 1.500 metros, a cada mil metros de altitude diminui em 8% o consumo de oxigênio, e isso influencia o rendimento cognitivo. O mundo do futebol moderno é muito cognitivo, muito mental", concluiu Viosca.
*Com informações da Agência EFE.
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