Copa do Mundo 2026: a ciência por trás do gramado 'perfeito' para os jogos

Por Vanessa Loiola 21 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Copa do Mundo 2026: a ciência por trás do gramado 'perfeito' para os jogos

Quando a bola rola na Copa do Mundo de 2026, milhões de torcedores ficam atentos aos gols, dribles e decisões dos árbitros. Mas, nos bastidores, outro protagonista é cuidadosamente preparado durante anos: o gramado.

De acordo com o jornal The New York Times, a Fifa exige que todas as partidas sejam disputadas em grama natural e que os campos ofereçam condições o mais semelhantes possível em todas as sedes. O desafio é enorme. O torneio será realizado em 16 estádios distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México, regiões com climas, altitudes e estruturas muito diferentes.

Para tentar garantir uma superfície uniforme, a entidade reuniu desde 2018 uma equipe internacional de especialistas em gramados liderada por pesquisadores da Universidade do Tennessee e da Universidade Estadual de Michigan, conforme destacou o jornal.

O desafio de padronizar 16 estádios diferentes

A Copa do Mundo 2026 terá estádios a céu aberto, arenas cobertas e locais que normalmente utilizam gramado sintético durante eventos esportivos. Em algumas cidades, o calor intenso favorece gramíneas adaptadas a altas temperaturas. Em outras, o clima mais frio exige espécies diferentes.

O objetivo dos pesquisadores era encontrar uma combinação capaz de oferecer características semelhantes para jogadores e para a bola, independentemente do local da partida.

Para a Fifa, fatores como velocidade da bola, altura do quique, tração das chuteiras e firmeza da superfície precisam permanecer dentro de padrões rigorosos em todas as sedes.

Como os cientistas testaram os gramados

Para avaliar o comportamento de diferentes tipos de grama, os pesquisadores criaram equipamentos capazes de reproduzir movimentos de atletas profissionais. Um dos dispositivos desenvolvidos foi o fLEX, uma máquina equipada com um pé impresso em 3D dentro de uma chuteira de futebol.

O equipamento simula acelerações, mudanças bruscas de direção e impactos semelhantes aos realizados por um jogador de cerca de 76 quilos, peso médio observado na Copa do Mundo masculina. Os cientistas mediram quanto da energia do impacto é absorvida pelo gramado e quanto retorna ao atleta durante a corrida.

Além disso, foram realizados testes com bolas lançadas em velocidades controladas para avaliar a distância percorrida, o comportamento do quique e a resposta da superfície.

Quais gramas foram escolhidas

Após anos de experimentos, a equipe definiu diferentes soluções para cada grupo de estádios. As arenas de clima mais quente e a céu aberto, como Miami e Monterrey, utilizarão principalmente grama Bermuda, espécie adaptada a altas temperaturas e forte incidência solar.

Segundo os especialistas, essa combinação apresentou desempenho mais consistente nos testes realizados.

Como os gramados são transportados

A produção dos campos começou em fazendas especializadas localizadas nos três países-sede. Em alguns casos, a grama percorreu mais de 2.200 quilômetros em caminhões refrigerados antes de chegar ao estádio de destino.

Uma das inovações utilizadas para a Copa do Mundo de 2026 é o sistema conhecido como "sod on plastic", ou grama cultivada sobre plástico. Nesse método, as raízes crescem horizontalmente sobre uma camada especial, formando um tapete mais resistente. Isso permite que o gramado seja retirado, transportado e reinstalado com menos danos.

Após a instalação, fibras sintéticas são costuradas no solo para reforçar a estrutura e aumentar a estabilidade da superfície.

Campos mantidos como organismos vivos

Ao contrário de quadras ou pistas esportivas, os campos de futebol continuam vivos durante todo o torneio. Por isso, a manutenção não termina quando a grama é instalada.

Em estádios cobertos, grandes estruturas de iluminação LED reproduzem artificialmente a luz solar por até 12 horas diárias. Sistemas de ventilação ajudam a controlar a temperatura e a umidade, reduzindo o risco de fungos e doenças.

Sob o gramado, camadas de areia e sistemas de drenagem permitem controlar a quantidade de água disponível para as raízes.

Monitoramento durante toda a Copa do Mundo

Mesmo após o início do torneio, os gramados continuarão sendo monitorados diariamente. Especialistas avaliarão indicadores como umidade, firmeza, tração e desgaste da superfície para garantir que os padrões definidos pela Fifa sejam mantidos ao longo das 104 partidas.

A expectativa é que toda essa operação permita oferecer condições semelhantes para jogadores e seleções, independentemente de estarem atuando em Vancouver, Cidade do México, Dallas ou Nova York.

Para a Fifa, o gramado ideal é aquele que ninguém percebe. Quando o campo passa despercebido durante os 90 minutos, significa que a ciência cumpriu seu papel.

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