Copa do Mundo de US$ 13 bilhões: quem ganha e quem paga a conta?

Por Maria Luiza Pereira 5 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Copa do Mundo de US$ 13 bilhões: quem ganha e quem paga a conta?

A Copa do Mundo de 2026 sequer começou, mas já acumula uma série de controvérsias que vão muito além do futebol.

Sediado pelos Estados Unidos, Canadá e México, o torneio é apontado como o mais caro da história, tanto para os torcedores quanto para as cidades que recebem os jogos. As informações foram reunidas pela Bloomberg Originals em um documentário que analisa os impactos econômicos e sociais da competição.

Preço dinâmico dos ingressos é o centro da polêmica

O principal foco das críticas está nos preços dos ingressos. Pela primeira vez na história do torneio, a Fifa adotou um sistema de precificação dinâmica, mecanismo que ajusta os valores de acordo com a demanda. Segundo a entidade, mais de 500 milhões de solicitações de ingressos foram registradas nas primeiras fases de venda, número considerado sem precedentes.

A combinação entre alta procura e preços flexíveis provocou uma disparada nos valores cobrados por algumas partidas, especialmente as mais disputadas. A Fifa argumenta que o interesse global pela competição justifica a medida. O presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que cerca de 90% dos ingressos disponibilizados já foram vendidos, reforçando a expectativa de estádios lotados ao longo do torneio. A declaração foi reproduzida pela Reuters.

Despesas são transferidas aos turistas

Mas os gastos dos torcedores não terminam na compra dos bilhetes. O transporte também se transformou em motivo de reclamação. Segundo informações da Bloomberg, a NJ Transit passou a cobrar US$ 98 pela viagem de ida e volta ao MetLife Stadium durante os dias de jogos da Copa. Em situações normais, o mesmo trajeto custa aproximadamente US$ 13.

A questão chamou atenção porque evidencia um problema enfrentado por diversas cidades-sede: como financiar a operação de um evento desse porte sem gerar prejuízos aos cofres públicos. As autoridades locais precisam lidar com custos extras relacionados à segurança, mobilidade urbana e reforço da infraestrutura, despesas que frequentemente acabam sendo repassadas aos usuários dos serviços.

Desde o início dos preparativos, os custos com segurança e transporte figuraram entre as principais preocupações das cidades-sede. O governo dos Estados Unidos aprovou US$ 625 milhões em subsídios para as 11 cidades americanas que receberão partidas da Copa, mas os recursos só começaram a ser distribuídos em março e há dúvidas sobre sua capacidade de cobrir todas as despesas. O desafio é ainda maior porque as cidades não participam diretamente da receita gerada pelos jogos. A arrecadação fica com a Fifa, que afirma reinvestir esses recursos no desenvolvimento do futebol ao redor do mundo. Assim, os governos locais apostam no aumento do turismo e na movimentação da economia para compensar os investimentos realizados. Mas, na realidade, isso não acontece.

Para Andrew Zimbalist, professor de economia do Smith College, os recursos liberados pelo governo americano ajudam, mas não resolvem o problema. "É uma quantia significativa, mas está longe de cobrir todos os desafios de segurança que a Copa pode gerar", afirmou à Bloomberg. Segundo ele, como as cidades arcam com parte dos custos sem participar diretamente das receitas do torneio, o saldo tende a ser negativo. "Uma parcela será compensada por patrocinadores locais e doações privadas, mas o restante acabará sendo pago pelos contribuintes", disse.

Clima de 'caça às bruxas' aos imigrantes não melhorou

Além das questões financeiras, o ambiente político nos Estados Unidos também gera preocupação. Infantino, afirmou que torcedores de todo o mundo serão bem-vindos aos Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026. No entanto, a política migratória adotada pelo governo Donald Trump tem gerado preocupação entre organizações de direitos humanos e parte dos visitantes estrangeiros. O endurecimento das ações de fiscalização e deportação alimentou temores sobre possíveis abordagens por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), tanto contra turistas que viajarão para acompanhar o torneio quanto contra comunidades imigrantes que vivem nas cidades-sede.

A organização Sport & Rights Alliance afirmou que a Fifa ainda não apresentou respostas suficientes para possíveis violações de direitos humanos relacionadas à Copa do Mundo de 2026. Entre as principais preocupações estão as restrições de visto, o reforço do controle nas fronteiras e as operações de policiamento durante o torneio.

"A fraca resposta da Fifa às ameaças aos direitos humanos documentadas por grupos locais e organizações da sociedade civil global significa que estamos testemunhando um clima particularmente perigoso de medo, incerteza e repressão", afirmou Andrea Florence, diretora executiva da coalizão de grupos de direitos humanos, à Reuters.

Copa de 2026 será mina de ouro para a Fifa

Enquanto isso, a Fifa caminha para registrar o maior faturamento de sua história. Estimativas publicadas pela consultoria Sports Value apontam que a entidade poderá superar US$ 10,9 bilhões em receitas durante o ciclo da Copa de 2026. Já projeções da Bloomberg indicam que o valor pode chegar a US$ 13 bilhões, impulsionado por direitos de transmissão, patrocínios e venda de ingressos.

A expansão do torneio ajuda a explicar esses números. Pela primeira vez, a Copa contará com 48 seleções e 104 partidas. O novo formato amplia o potencial de arrecadação e aumenta a presença de patrocinadores e parceiros comerciais em comparação às edições anteriores.

O torneio começa na próxima quinta-feira, 11 de junho, no Estádio Azteca, no México, e tem a final marcada para o dia 19 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

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