Copa do Mundo tem salas sensoriais em todos os 16 estádios do torneio

Por Luiz Anversa 30 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Copa do Mundo tem salas sensoriais em todos os 16 estádios do torneio

A Fifa está disponibilizando salas sensoriais em todos os 16 estádios do torneio, ao longo das 104 partidas da Copa do Mundo. De acordo com a entidade, a iniciativa faz parte do foco contínuo que inclui responsabilidade social e inclusão, com serviços adicionais de acessibilidade a serem oferecidos durante a principal competição do planeta.

Além disso, a Fifa comemora que o torneio será o primeiro a receber o selo Sensory Inclusive da KultureCity, que se trata da principal organização sem fins lucrativos do mundo em acessibilidade e aceitação sensorial.

Todas as salas sensoriais serão equipadas com tecnologia de televisão Hisense, projetada para promover o relaxamento e a regulação sensorial. As salas ficarão localizadas dentro do estádio ou na área de experiência do torcedor e terão iluminação reduzida, com menos ruído e recursos táteis, além de assentos confortáveis. Além disso, vão contar com TVs com conteúdo visual calmante, pensado para apoiar relaxamento e regulação sensorial.

"A decisão da FIFA mostra uma evolução importante do esporte global: a experiência acessível e a inclusão real. Quando uma Copa do Mundo implementa salas sensoriais, audiodescrição e recursos de acessibilidade em escala global, ela envia uma mensagem muito forte para toda a indústria esportiva sobre pertencimento e democratização do acesso ao espetáculo. É um movimento que reforça que o esporte deve ser pensado para todos, permitindo que mais pessoas possam fazer parte da experiência, viver a emoção do evento e se conectar genuinamente com esse momento", analisa Danielle Vilhena, Diretora de Operações e Projetos da Agência End to End, especializada em esportes.

A Fifa também informa que essa iniciativa tem como objetivo pessoas portadoras de condições como autismo, transtorno de estresse pós-traumático, demência e ansiedade poderão utilizar as salas a qualquer momento da partida, além de quem sofre sobrecarga sensorial, já que pesquisas indicam que entre 5% e 16,5% das pessoas apresentam necessidades de processamento sensorial. Nesses casos, a intensidade dos eventos esportivos ao vivo — incluindo a alta energia da multidão, os gritos repentinos e o movimento constante — pode tornar a experiência avassaladora ou inacessível. Esta iniciativa busca mudar essa realidade, representando uma importante evolução na forma como os eventos esportivos globais atendem a públicos diversos.

Também serão oferecidas bolsas sensoriais transparentes em pontos de informação ao torcedor, sendo que os itens poderão ser usados dentro e fora dos estádios para apoiar famílias durante a experiência no evento.

Inclusão em todos os estádios

O torneio deste ano será a primeira edição da competição a contar com interpretação simultânea em língua gestual em todos os jogos. Essas transmissões estarão disponíveis para os torcedores tanto dentro do estádio quanto em outros locais.

Além disso, painéis táteis para torcedores cegos e com baixa visão serão disponibilizados em estádios selecionados, e haverá narração com audiodescrição em todas as partidas.

No Brasil, clubes e estádios são pioneiros e realizam ações em prol da comunidade.

A inclusão de pessoas com autismo, transtorno de estresse pós-traumático, demência e ansiedade têm se tornado cada vez mais presente nos estádios brasileiros. Devido ao alto nível de ruído das torcidas, pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem enfrentar desconforto nos ambientes do principal esporte do país. Diante disso, diversos clubes têm investido em salas sensoriais e iniciativas específicas para que esse público consiga acompanhar as partidas com mais bem-estar.

Espaços no Brasil

O Nubank Parque, casa do Palmeiras, conta com uma sala sensorial para atender pessoas neurodivergentes em momentos de desregulação. O local apresenta isolamento acústico, kit sensorial com abafador de ruído e óculos escuros. O atendimento é realizado no setor 117 da arena, no andar térreo, lugar estratégico com fácil acesso para todos os visitantes do lugar.

A sala sensorial oferece controle de estímulos, com luz, som e tato adequados para a comunidade autista. Equipamentos adaptados para as pessoas neurodivergentes, como parede de escalar, balanços, piscina de bolinhas, puffs, coletes e almofadas, também estão presentes no local. O principal objetivo do espaço é dar o conforto necessário para atender os visitantes e fazer com que os fãs retornem para acompanhar o espetáculo o quanto antes.

O novo espaço oferece proximidade aos ambulatórios do andar térreo, além de acesso rápido, sem necessidade de uso do elevador. Com, no mínimo, três terapeutas especializados em dias de jogos e shows, a sala sensorial tem o objetivo de acolher as pessoas neurodivergentes em momentos de crise. Após o atendimento, os fãs são direcionados a voltar aos seus respectivos setores da arena para acompanhar o evento de maneira integral.

No Cuiabá, em parceria com o governo mato-grossense, são realizados constantemente ações na Arena Pantanal voltadas à comunidade. Na estreia do clube na Série B contra o Sport, pessoas com TEA puderam se inscrever para o sorteio de vagas do chamado “Camarote dos Autistas", um espaço com estrutura voltada à redução de estímulos sensoriais e maior conforto durante a partida.

No interior de Minas Gerais, o Inter de Minas fundou um projeto social que atende atualmente cerca de 500 crianças e adolescentes e também conta com atletas autistas integrados às suas atividades, reforçando o compromisso com a diversidade. O clube dispõe aulas de futebol para os jovens. Em parceria com o Flamengo, o Inter de Minas amplia suas oportunidades de formação e desenvolvimento, mantendo um modelo que prioriza não apenas o rendimento esportivo, mas também o crescimento humano e social dos jovens, em um ambiente que valoriza o respeito às diferenças e o acolhimento.

No Sul do país, dois clubes tradicionais e campeões nacionais, Internacional e Juventude, também desenvolvem iniciativas consistentes voltadas à inclusão de pessoas autistas no futebol.

O Juventude tem investido em iniciativas voltadas à inclusão, oferecendo um camarote exclusivo para famílias com integrantes no espectro autista. O clube também disponibiliza fones redutores de ruído durante as partidas e desenvolve ações voltadas à comunidade, como a criação de uma torcida organizada formada por pessoas com autismo, buscando proporcionar um ambiente mais acolhedor e acessível no estádio.

Segundo o diretor social do clube, Fabiano Pizetta, o projeto é fruto de um trabalho contínuo de escuta e adaptação. “Entendemos que inclusão não é só abrir espaço, mas garantir que essas pessoas se sintam confortáveis e pertencentes. Nosso camarote adaptado já existe há pelo menos dois anos e está em constante reforma para melhor acolher os autistas. Pensamos em cada detalhe, desde o ambiente até o suporte oferecido às famílias, para que a experiência no estádio seja positiva e segura para todos”, destacou.

E o Internacional formalizou o projeto Autistas Colorados, responsável pela criação de uma sala inclusiva no estádio Beira-Rio, pensada para oferecer um ambiente adaptado e mais confortável em dias de jogo, além da realização de encontros com famílias e especialistas, bem como da capacitação de colaboradores para um atendimento mais acessível. O clube também promove ativações de conscientização com atletas e desenvolve experiências específicas para esse público, como visitas guiadas e ações educativas, reforçando o compromisso com uma cultura mais inclusiva dentro e fora do futebol.

“Buscando excelência na acessibilidade, nosso objetivo é garantir que pessoas com TEA e suas famílias se sintam acolhidas em todos os espaços do clube. A inclusão não pode ser tratada como algo pontual, ela precisa fazer parte da rotina, com escuta, adaptação e iniciativas que realmente façam diferença na experiência dessas pessoas”, afirma Tamarisa Lopes, Diretoria Feminina e de Inclusão do clube.

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