Coração acelerado? Exercício intenso pode ajudar contra o pânico
Pessoas que sofrem com transtorno do pânico podem encontrar uma nova aliada no combate às crises: a atividade física intensa. Um estudo publicado na revista Frontiers in Psychiatry sugere que sessões curtas de corrida podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade dos ataques de pânico de forma mais eficaz do que técnicas tradicionais de relaxamento.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e acompanhou 72 adultos diagnosticados com transtorno do pânico durante 12 semanas.
Como o exercício ajuda a controlar o pânico
Os pesquisadores investigaram se a atividade física poderia funcionar como uma forma de terapia de exposição. A estratégia consiste em colocar o paciente, de maneira controlada, diante de sensações corporais que normalmente provocam medo durante uma crise.
Entre as sensações reproduzidas pelas corridas estão aceleração dos batimentos cardíacos, falta de ar, suor intenso e aumento do estado de alerta — sintomas frequentemente associados aos ataques de pânico.
Como o estudo foi realizado
Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O primeiro realizou exercícios intervalados três vezes por semana. O protocolo incluía corridas de 30 segundos intercaladas com períodos de recuperação caminhando, além de aquecimento e desaquecimento. Ao longo das 12 semanas, o número de sprints aumentou gradualmente, passando de um para seis por sessão.
Já o segundo grupo participou de sessões de relaxamento baseadas em técnicas utilizadas na terapia cognitivo-comportamental, como respiração profunda e relaxamento muscular progressivo.
Ao final das 12 semanas, os cientistas compararam os resultados dos dois grupos para avaliar qual estratégia havia produzido os maiores benefícios. Embora todos os participantes tenham apresentado melhora, os que realizaram os exercícios intensos registraram resultados mais expressivos.
Entre os benefícios observados estavam:
Os pesquisadores também verificaram que os efeitos positivos continuaram presentes mesmo 12 semanas após o encerramento das sessões.
O que explica o efeito
Os pesquisadores acreditam que o exercício vigoroso ajuda a reduzir a chamada sensibilidade à ansiedade — o medo das próprias sensações físicas associadas ao estresse e ao pânico.
Ao perceber repetidamente que um coração acelerado ou uma respiração ofegante não representam uma ameaça real, o paciente tende a reagir com menos medo quando esses sintomas surgem em outras situações.
Além disso, pesquisas anteriores já associaram a prática regular de atividade física à melhora do humor, da qualidade do sono, da resposta ao estresse e do funcionamento de neurotransmissores ligados à ansiedade e à depressão.
Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que a atividade física não substitui acompanhamento médico ou psicológico.
Como o estudo avaliou um grupo relativamente pequeno de adultos sedentários, novas pesquisas serão necessárias para confirmar os achados em populações mais amplas e diversas.
Ainda assim, os cientistas apontam que exercícios intensos de curta duração podem se tornar uma ferramenta complementar de baixo custo e fácil acesso para ajudar no tratamento do transtorno do pânico.
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