Corpo humano tem limite para queimar calorias, diz estudo

Por Marina Semensato 13 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Corpo humano tem limite para queimar calorias, diz estudo

Um estudo publicado na revista Current Biology identificou o limite máximo de calorias que o corpo humano consegue queimar por longos períodos. Esse teto fica, em média, em cerca de 2,5 vezes a taxa metabólica basal (TMB) do indivíduo, mesmo entre atletas de elite.

A TMB, no caso, é a quantidade mínima de energia que o corpo precisa para manter funções vitais em repouso. É a energia que ele gasta para respirar, regular a temperatura corporal e manter os órgãos funcionando, por exemplo.

O estudo foi conduzido por cientistas americanos e acompanhou 14 atletas de endurance, que praticam esportes de resistência que exigem esforço físico prolongado — como corredores, ciclistas e triatletas — durante competições e períodos de treinamento.

Em momentos de esforço máximo, como corridas de vários dias, os atletas chegaram a atingir gastos energéticos entre seis e sete vezes a TMB, o equivalente a cerca de 7 mil a 8 mil calorias por dia. Em uma corrida de quase 24 horas, foi registrado gasto superior a sete vezes a taxa basal.

Apesar desses picos, quando os pesquisadores calcularam a média do gasto calórico por períodos mais longos, entre 30 e 52 semanas, os resultados se estabilizaram próximo de 2,4 vezes a TMB, cerca de 4 mil calorias diárias. Apenas quatro atletas superaram esse nível de forma moderada, chegando a cerca de 2,7 vezes a taxa basal.

Compensações

O estudo também identificou que o corpo ativa mecanismos para evitar gastos energéticos insustentáveis. À medida que os atletas intensificavam os exercícios, o organismo automaticamente economizava energia em outras áreas.

Os atletas sentiam mais fadiga e perceberam a redução de movimentos involuntários, por exemplo. "Seu cérebro tem uma influência muito poderosa sobre o quanto você se mexe, o quanto você quer se movimentar e o quanto você se sente motivado a tirar uma soneca", afirma Andrew Best, autor principal do estudo e antropólogo do Massachusetts College of Liberal Arts.

Best, que também é atleta de resistência, explica que ultrapassar o limite por períodos curtos não causa problemas. "Você pode compensar depois", diz. "Mas a longo prazo, é insustentável porque seu corpo começará a degradar seus músculos e você vai encolher."

Metodologia e limitações

Os participantes beberam água enriquecida com deutério e oxigênio-18, que seriam moléculas "mais pesadas" de hidrogênio e oxigênio que funcionam como marcadores metabólicos. A equipe acompanhou a velocidade de eliminação dessas moléculas pela urina para determinar a quantidade de dióxido de carbono exalada e estimar o gasto calórico total.

A pesquisa teve uma amostra de 14 atletas de elite, majoritariamente homens entre 30 e 44 anos — apenas duas participantes eram mulheres. Os autores reconhecem que indivíduos com desempenho excepcionalmente alto podem não ter sido incluídos.

Para a população geral, o limite identificado está distante da realidade. "Para a maioria de nós, nunca vamos atingir esse limite metabólico", afirma Best. "É preciso correr cerca de 18 quilômetros por dia, em média, durante um ano, para atingir 2,5 vezes a taxa metabólica basal. A maioria das pessoas, inclusive eu, se lesionaria antes que qualquer tipo de limite energético entrasse em jogo."

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