Corrida da IA vira teste de fogo para investidores em Wall Street

Por Tamires Vitorio 7 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Corrida da IA vira teste de fogo para investidores em Wall Street

Wall Street teve uma semana daquelas. E a inteligência artificial (IA) foi o impulso para transformar a euforia em cautela, puxando uma correção que atingiu ações de tecnologia, criptomoedas e até metais preciosos.

O gatilho veio da Anthropic. A startup apresentou uma nova geração de modelos capazes de executar tarefas complexas, coordenar agentes autônomos e produzir análises financeiras e jurídicas. O anúncio reacendeu o debate sobre quem ganha — e quem perde — na corrida da IA.

O impacto foi imediato. Ações de empresas de software caíram, o S&P 500 recuou 1,2% em um único pregão e o Nasdaq 100 ampliou sua pior sequência desde abril. Criptomoedas e metais, que vinham surfando o otimismo, também viraram do avesso.

Anthropic muda o jogo e assusta o mercado

Não foi apenas um lançamento técnico. Os novos produtos da Anthropic reforçaram a percepção de que ferramentas de IA podem substituir, ou ao menos pressionar, modelos tradicionais de software as a service. Empresas que durante anos foram a espinha dorsal digital das corporações passaram a ser vistas como vulneráveis.

Todo mundo quer uma fatia da OpenAI — e Sam Altman controla o jogo

A reação se espalhou. Bitcoin caiu mais de 13%, apagando ganhos acumulados desde a eleição de Donald Trump. A prata desabou cerca de 20%. Investidores desmontaram posições alavancadas, enquanto os Treasuries voltaram a cumprir o papel de porto seguro.

Big techs dobram a aposta — e elevam a tensão

Como se não bastasse o choque tecnológico, as big techs decidiram abrir a carteira.

Amazon anunciou planos de investir US$ 200 bilhões em 2026, valor acima do esperado pelo mercado. A reação foi dura: as ações caíram mais de 11% após o fechamento.

O movimento não foi isolado. Google elevou sua projeção de gastos para até US$ 185 bilhões, Meta indicou investimentos de até US$ 135 bilhões e Microsoft mantém um ritmo agressivo de aportes em infraestrutura, chips e data centers. Somadas, as empresas devem gastar mais de US$ 600 bilhões em IA no próximo ano.

O problema não é crescimento, mas retorno. Investidores passaram a questionar se os ganhos futuros vão justificar cifras tão altas.

Correção não é pânico, mas muda o humor

Apesar do tom mais tenso, os fundamentos seguem sólidos. Resultados corporativos continuam fortes e o crescimento econômico, resiliente. Ainda assim, o foco mudou para os riscos: empresas que podem ser deslocadas pela IA, o rumo da política monetária e avaliações esticadas demais.

Dados recentes sobre o mercado de trabalho, com o maior número de demissões anunciadas para um mês de janeiro desde 2009, reforçaram o desconforto. A era da IA continua, mas o mercado agora parece estar pronto para ver os resultados.

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