Crise da Red Bull pode ser o fim de Verstappen — e o império da nova era McLaren
A hegemonia da Red Bull Racing na Fórmula 1, que parecia inabalável até o começo deste ano, sofreu mais um impacto. Gianpiero Lambiase, engenheiro de pista que acompanhou Max Verstappen em todos os quatro títulos mundiais e em mais de 70 vitórias, decidiu encerrar o ciclo em Milton Keynes. O destino é a rival direta McLaren, equipe que atualmente detém o título do Mundial de Construtores.
Lambiase assinou um acordo de longo prazo para se juntar à escuderia de Woking a partir de 2028. O timing reflete o término do contrato vigente com a Red Bull, que vai até o fim de 2027. Mas rumores já especulam sobre uma possível negociação para antecipar a saída por meio de um período de gardening leave — quando um funcionário demitido ou que pediu demissão permanece na folha de pagamento, recebendo salário e benefícios, mas é afastado do local de trabalho e proibido de assumir novas funções.
Na McLaren, que já subiu ao pódio da F1 esse ano com Oscar Piastri, a função de Lambiase será estratégica e de alta senioridade. Ele artuará como um braço direito para o chefe de equipe Andrea Stella na gestão das operações de pista.
Insatisfeito, Verstappen avalia aposentadoria da Fórmula 1 no final de 2026 (FRANCK ROBICHON/POOL/AFP)
Crise da Red Bull na F1 pode ser o fim de Verstappen
A saída de Lambiase é o ponto culminante de uma debandada técnica sem precedentes na Red Bull. Nos últimos nove meses, escuderia viu nomes fundamentais do "conselho de guerra" abandonarem o barco: o gênio do design Adrian Newey partiu para a Aston Martin; o diretor esportivo Jonathan Wheatley assumiu o comando da Audi; e o chefe de estratégia Will Courtenay também seguiu o caminho da McLaren.
A perda de Lambiase, contudo, atinge um nervo mais exposto, pois ele é o elo direto com Max Verstappen. No final de março, diante do novo regulamento da Fórmula 1, o piloto holandês deu indícios de que pode deixar o esporte em breve. Em declaração à imprensa ao final do Grande Prêmio do Japão, disse que "não estava gostando da Fórmula 1 como um todo" neste ano, e que se questionava se "valeria a pena" continuar.
"Posso aceitar facilmente estar em P7 ou P8, onde estou (...) Porque também sei que não dá para dominar, ser primeiro ou segundo lutando pelo pódio o tempo todo. Sou muito realista quanto a isso e já estive nessa situação antes. Mas, ao mesmo tempo, não parece natural para um piloto de corrida estar em P7 ou P8 e não estar gostando de toda a fórmula por trás disso. Claro que eu tento me adaptar, mas não é legal correr desse jeito. É 'anti-pilotagem'. Aí chega a um ponto que simplesmente não é o que eu quero fazer", disse em entrevista coletiva.
A fala do piloto veio logo após o acidente envolvendo Oliver Bearman no Japão, que questionou o novo regulamento técnico da Fórmula 1. Outros pilotos como Carlos Sainz, Franco Colapinto e Lando Norris destacaram os riscos do esporte com as quedas bruscas de velocidade.
A mudança de Lambiase pode ser mais um fator de insatisfação para o piloto holandês, hoje o maior astro da Red Bull. Desde o GP da Espanha de 2016, quando Verstappen venceu na estreia pela equipe, o engenheiro foi a voz que soube domar o temperamento explosivo do piloto. Ofereceu a frieza técnica e, por vezes, um sarcasmo necessário para manter o foco nas vitórias.
Sem essa âncora emocional e técnica no rádio, o futuro de Verstappen na Red Bull fica ainda mais nebuloso. O contrato do piloto vai até 2028, mas as cláusulas de saída, que podem ser ativadas já neste verão europeu, ganham um novo peso diante da desintegração do time que o cercava.
O piloto britânico da McLaren, Lando Norris, comemora após vencer a corrida sprint do Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo (Miguel SCHINCARIOL/AFP)
Será a volta da McLaren ao topo da Fórmula 1?
Para a McLaren, a contratação é uma jogada de mestre. Ao trazer Lambiase, Andrea Stella reforça o quadro técnico com um dos engenheiros mais experientes do grid e também retira da concorrência o cérebro que conhece todos os segredos do sucesso de Verstappen. Na temporada de 2025, o holandês terminou na segunda posição, atrás somente de Lando Norris.
O movimento também sinaliza ao mercado que a equipe papaia está construindo uma infraestrutura humana capaz de sustentar um novo longo período de domínio na Fórmula 1. Enquanto a Red Bull tenta estancar o sangramento, a McLaren pavimenta o caminho para ser a equipe a ser batida nos próximos anos. Não como era com Senna, mas no caminho de voltar a ser uma das favoritas.
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