Crise leva Braskem a avaliar recuperação judicial, diz agência

Por Ana Luiza Serrão 1 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Crise leva Braskem a avaliar recuperação judicial, diz agência

A Braskem avalia recorrer à recuperação judicial ou a outros mecanismos de proteção contra credores, em meio a dívidas, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg. A medida, ainda em análise pela administração, busca preservar caixa e reorganizar obrigações em um momento em que a companhia enfrenta dificuldades para honrar compromissos futuros com credores.

Interlocutores próximos às discussões afirmaram que a empresa considera tanto um pedido de proteção cautelar — instrumento temporário no Brasil — quanto alternativas mais amplas, incluindo eventual RJ.

Não há decisão final, e os planos podem ser alterados ao longo das negociações. Procurada, a companhia não comentou o assunto, de acordo com a agência estadunidense.

Pressão financeira e risco de continuidade

No último balanço, a Braskem reportou prejuízo de R$ 10,3 bilhões, valor que dobrou em relação ao registrado um ano antes, em relação ao quarto trimestre.

A própria companhia indicou em relatório a existência de "incerteza relevante" sobre sua capacidade de continuar operando, sinalização contábil que costuma anteceder processos de reestruturação mais profundos.

A estrutura de capital também pressiona, pois a empresa tem cerca de US$ 1,5 bilhão em dívidas a vencer ao longo de 2026, enquanto mantinha aproximadamente US$ 2,1 bilhões em caixa ao fim de dezembro.

A relação entre liquidez disponível e obrigações de curto prazo é vista como apertada por analistas consultados pela Bloomberg, sobretudo diante da geração de caixa pressionada.

O desempenho operacional vem sendo afetado por um ciclo global desfavorável para o setor petroquímico, com margens comprimidas e demanda mais fraca em mercados relevantes.

A esse cenário se somam questões específicas da companhia, incluindo os efeitos do desastre ambiental em Maceió, envolvendo a exploração do sal-gema, que segue gerando custos e incertezas jurídicas.

Além disso, a controladora Novonor tenta há anos vender sua participação na empresa, processo que ganhou novo capítulo com a negociação com o fundo IG4 Capital.

A transação, no entanto, ainda depende de aprovação regulatória na Europa e não deve ser concluída antes de maio, segundo as mesmas fontes.

Exterior e impacto para o mercado

A indefinição sobre o controle adiciona complexidade ao cenário financeiro, e a pressão não se limita às operações no Brasil.

A subsidiária mexicana Braskem Idesa mantém tratativas com credores para obter financiamento que permita atravessar um possível processo de Chapter 11 nos Estados Unidos, semelhante à RJ.

A unidade já enfrenta dificuldades no cumprimento de obrigações, o que amplia o risco consolidado do grupo.

A eventual entrada em RJ tende a ter efeitos relevantes sobre a estrutura de capital da empresa, com possíveis renegociações de dívida, alongamento de prazos e, em alguns cenários, perdas para credores.

Para acionistas, o movimento costuma implicar maior volatilidade e incerteza sobre o valor das ações. Até o momento, não há indicação oficial sobre o caminho que será adotado pela companhia.

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