CSN aliviou endividamento no 1º tri, mas venda de ativos é 'crítica'
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) registrou crescimento operacional e melhora em indicadores de endividamento no primeiro trimestre de 2026, mas ainda sofre com falta de caixa para honrar compromissos que vencem ainda este ano.
O segmento de cimentos registrou o maior Ebitda de sua história — R$ 392,5 milhões, com margem de 31,2% —, alta anual de 62,7%, num trimestre que sazonalmente costuma ser fraco. A mineração entregou Ebida de R$ 1,37 bilhão, com margem de 43,1%, em linha com o primeiro trimestre de 2025, mesmo com chuvas intensas em Minas Gerais e fretes marítimos mais caros.
A siderurgia teve desempenho fraco em janeiro e fevereiro, pressionada por importados, encerrando o trimestre com Ebitda de R$ 393,4 milhões e margem de 7,0% — queda anual de 0,9 ponto percentual. As vendas totais do segmento atingiram 1.116 mil toneladas, recuo de 2,5% na comparação anual, mas março respondeu por 49% das vendas do trimestre, o que a empresa apresenta como indicativo de recuperação.
É a parte financeira do balanço que ainda inspira cautela. A dívida líquida encerrou março em R$ 40,5 bilhões. O cronograma de amortizações aponta R$ 20,8 bilhões vencendo ainda em 2026. O caixa disponível é de R$ 14,6 bilhões.
No quarto trimestre de 2025, a alavancagem havia subido pela primeira vez no ano, em parte porque os pré-pagamentos de exportação de minério de ferro não ocorreram naquele período. No primeiro trimestre, o mecanismo foi retomado, e R$ 778 milhões entraram pelo contrato de pré-pagamento. Além disso, conforme nota a XP, a alavancagem também foi beneficiada por "ventos favoráveis de câmbio", que ajudou a compensar uma geração de caixa livre mais fraca.
Em abril, a CSN fechou um empréstimo ponte de US$ 1,2 bilhão com um grupo de bancos, com possibilidade de expansão até US$ 1,4 bilhão e prazo de cinco anos. A garantia da operação é própria unidade de cimentos. Segundo o release, o uso dos recursos será destinado integralmente ao abatimento de dívidas de curto e médio prazo.
Em janeiro, a CSN anunciou que pretendia reduzir entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões de dívida bruta por meio de desinvestimentos, com a unidade de cimentos como principal ativo. No release do primeiro trimestre de 2026, a empresa diz que o processo recebeu mais interessados do que o esperado. Nenhum acordo foi confirmado.
Para o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), "a execução da venda de ativos permanece crítica para a tese de investimento" e o banco mantém "uma visão cautelosa sobre o grupo para os próximos trimestres". A alavancagem, segundo o BTG, "deve continuar sendo a principal métrica a ser monitorada pelos investidores".
A XP aponta que "a alavancagem ainda elevada da CSN limita a margem de segurança, particularmente em um ambiente de juros elevados no Brasil", embora reconheça que "preços resilientes do minério de ferro e uma melhora da perspectiva competitiva para o aço doméstico permanecem como fatores positivos para o cenário-base".
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