Cuba fecha hotéis e realoca turistas diante de cerco petrolífero dos EUA

Por Da redação, com agências 8 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cuba fecha hotéis e realoca turistas diante de cerco petrolífero dos EUA

O governo de Cuba iniciou o fechamento de parte de sua rede hoteleira e a transferência de turistas para outras unidades como parte das medidas adotadas em resposta ao cerco petrolífero imposto pelos Estados Unidos, segundo confirmaram neste sábado fontes do setor a EFE.

Em declaração à televisão estatal, o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga afirmou que o governo elaborou “um plano no turismo para reduzir o consumo de energia, compactar as instalações turísticas e aproveitar a alta temporada que está transcorrendo neste momento em nosso país”.

Responsável também pela pasta de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Pérez-Oliva Fraga não detalhou como funcionará essa “compactação” da infraestrutura turística. No entanto, fontes do setor — que pediram anonimato — relataram a EFE que, desde a sexta-feira, hotéis vêm sendo fechados e turistas estrangeiros realocados para outros empreendimentos.

A medida afeta principalmente unidades localizadas no balneário de Varadero, no oeste da ilha, e nos chamados cayos, ilhotas situadas no norte do país. Entre as principais redes hoteleiras que operam em Cuba estão as espanholas Meliá e Iberostar, além da canadense Blue Diamond.

Turismo em queda

Tradicionalmente considerado um dos pilares da economia cubana, o turismo confirmou em 2025 o aprofundamento de sua crise ao registrar o pior resultado de visitantes internacionais desde 2002 — desconsiderando os anos da pandemia de covid-19. Ao longo do ano, o país recebeu 1,8 milhão de turistas estrangeiros.

O desempenho já vinha sendo antecipado por indicadores do setor. No primeiro semestre, a taxa de ocupação hoteleira caiu sete pontos percentuais, para 21,5%, na comparação anual, reforçando a tendência de retração observada nos últimos sete anos.

O Canadá, com 754.010 visitantes, e a Rússia, com 131.882, lideraram os mercados emissores em 2024, segundo dados oficiais. Ainda assim, ambos registraram quedas interanuais de 12,4% e 29%, respectivamente.

O recuo do turismo teve início após 2018, quando Cuba alcançou seu recorde histórico de 4,7 milhões de visitantes, período marcado pelo chamado “degelo” nas relações com os Estados Unidos durante o governo de Barack Obama.

Em seguida, vieram as sanções impostas por Donald Trump em seu primeiro mandato, somadas à pandemia — que praticamente paralisou o setor por quase dois anos —, à grave crise econômica e energética enfrentada pelo país e à redução de rotas aéreas.

O turismo é peça central na estratégia de recuperação econômica do governo cubano, tanto por sua contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) quanto pela geração de divisas, ao lado dos serviços profissionais e das remessas enviadas do exterior.

Plano anticrise

Cuba enfrenta uma crise energética severa desde meados de 2024, provocada por falhas recorrentes em usinas termelétricas obsoletas e pela escassez de divisas para importar combustíveis destinados à geração distribuída.

Segundo o governo cubano, a operação militar dos Estados Unidos em Caracas, em 3 de janeiro, representou não apenas um revés para um aliado estratégico regional, mas também o fim de um fornecimento energético considerado vital para a ilha.

A pressão aumentou em 29 de janeiro, quando Donald Trump assinou uma ordem executiva que ameaça impor tarifas a países que comercializem petróleo com Cuba.

Diante desse cenário, o governo ativou um plano de emergência contra a escassez de combustíveis, que inclui o racionamento na venda de gasolina e diesel, a priorização do trabalho remoto e a adoção de aulas semipresenciais nas universidades.

O pacote anticrise se inspira nas “indicações” deixadas pelo líder da Revolução, Fidel Castro, durante o chamado Período Especial, fase de profunda depressão econômica após o colapso do bloco soviético.

Ao anunciar as medidas na quinta-feira, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel retomou o conceito da “opção zero”, plano de sobrevivência formulado nos anos 1990 para um cenário de “zero petróleo”. A estratégia previa racionamento extremo, uso de tração animal, carvão vegetal para cozinhar, transporte não motorizado e busca por autossuficiência alimentar.

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