Da casa da avó a 3 mil pontos de venda: fábrica de biscoitos saudáveis no Rio mira R$ 20 milhões
Antes de ocupar prateleiras em 3.500 pontos de venda pelo Brasil, a Aruba começou em um espaço de menos de 10 metros quadrados: a cozinha de uma casa da família dos fundadores. Foi ali que nasceu a primeira receita de biscoito da empresa, criada a partir da ideia de desenvolver um snack saudável, feito com ingredientes como arroz, feijão e frutas.
Mais de uma década depois, a operação ganhou escala. A fabricante de biscoitos saudáveis do Rio de Janeiro tem uma fábrica própria de cerca de 1.000 metros quadrados, 40 funcionários e vende seus produtos em 20 estados brasileiros. Em 2025, faturou R$ 12 milhões e agora trabalha para chegar a R$ 20 milhões em receita em 2026.
O crescimento também aparece na produção: no ano passado, a companhia fabricou cerca de 160 toneladas de biscoitos e espera avançar 40% em volume neste ano. Para acompanhar a expansão, a empresa planeja ampliar novamente a fábrica e investir em novos equipamentos.
A trajetória, segundo os sócios, foi construída sem aportes de fundos ou investidores externos, com reinvestimento do próprio caixa da operação.
“Desde o começo a gente queria fazer algo diferente. A gente pegou um produto que todo mundo já conhecia, que era o biscoito, e tentou criar uma alternativa mais saudável, mas que continuasse gostosa”, afirma Alexandre Cunha, sócio da Aruba.
Qual é a origem da Aruba
A empresa foi criada em 2012 com o nome Vilhena Alimentos. O negócio nasceu a partir de uma inquietação de Marco Silva, um dos fundadores, após uma viagem pelo interior do Brasil. Durante o trajeto, ele observou crianças em situação de desnutrição e começou a pensar em uma alternativa de alimento mais nutritiva.
Silva já tinha experiência no setor de alimentação e passou anos desenvolvendo uma receita de biscoito feita com ingredientes brasileiros, sem glúten, sem leite e sem ovos. A proposta era criar um produto industrializado, mas com uma composição mais próxima de alimentos tradicionais da mesa brasileira, como arroz, feijão e frutas.
A primeira versão da empresa serviu como um teste de mercado. Na época, Alexandre Cunha e Talita Marinho entraram no negócio como sócios, antes de serem casados.
“Desde o começo a gente queria fazer algo diferente. A gente queria pegar um produto que todo mundo já conhecia, que era o biscoito, e melhorar. Não era para ser uma coisa radical, era para ser uma alternativa para quem gosta de biscoito”, afirma Alexandre.
O primeiro cliente de maior porte ajudou a validar a operação. Depois que perceberam que havia recompra e aceitação dos consumidores, os sócios decidiram estruturar uma marca mais alinhada ao posicionamento que buscavam. Foi quando nasceu a Aruba.
A troca aconteceu porque Vilhena não comunicava a proposta da empresa, segundo os fundadores. O novo nome veio de uma lista de lugares que poderiam transmitir uma ideia mais leve, tropical e acessível.
“Aruba tinha tudo a ver com o que a gente queria passar: frutas, praia, algo mais natural. Além disso, era um nome fácil de falar em qualquer lugar do mundo”, conta Talita.
A nova identidade veio acompanhada de embalagens mais coloridas e uma estratégia para se afastar da imagem tradicional dos produtos saudáveis da época, que muitas vezes tinham uma comunicação associada a restrição ou dieta.
Uma indústria construída dentro de casa
O crescimento da empresa aconteceu de forma orgânica. A receita gerada pela própria operação foi reinvestida no negócio, até a construção da indústria atual.
A fábrica continua no mesmo terreno onde tudo começou. A antiga cozinha virou parte da área de finalização, a sala de estar passou a abrigar a recepção e outros espaços da casa foram transformados em áreas operacionais.
Hoje, a unidade tem 1 mil metros quadrados e combina processos automatizados com etapas manuais, principalmente na manipulação de frutas utilizadas nas receitas.
A Aruba atende cerca de 100 clientes diretos e chega ao varejo por meio de distribuidores. Os principais mercados estão nas regiões Sul e Sudeste, além de pontos no Nordeste, como Bahia e Ceará.
A empresa trabalha com um portfólio de cerca de 25 SKUs (tipos de produtos e suas variações) e tem ampliado o número de produtos. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram lançados oito novos itens.
“Chegou um momento em que a gente percebeu que a fábrica estava perto do limite de produção. Então, o crescimento comercial precisa vir junto com uma estrutura maior”, diz Talita.
Qual é a estratégia da Aruba para crescer
O movimento de expansão da Aruba passa pela ampliação do portfólio. Além dos biscoitos tradicionais, a empresa entrou em categorias como biscoito de polvilho e produtos voltados ao público infantil.
A companhia também aposta em personagens licenciados da Disney nas embalagens, como Mickey, Minnie, Stitch e outros personagens. A estratégia busca aproximar a marca de consumidores mais jovens sem abandonar o posicionamento de saudabilidade.
O lançamento mais recente é uma linha inspirada em Toy Story, aproveitando o momento de chegada de um novo filme da franquia.
A entrada nesse universo aconteceu depois que a empresa percebeu que muitas crianças já consumiam seus produtos. A companhia passou então a desenvolver itens pensados para esse público, mantendo características como ausência de corantes artificiais e ingredientes considerados mais simples.
“O nosso produto infantil começou muito com as nossas próprias filhas também. A gente pensa no produto pensando nelas. Eu não faria algo infantil que eu não daria para minha filha”, afirma Alexandre.
A licença com a Disney também trouxe novas exigências para a operação. A empresa passou a realizar auditorias e aprimorar processos internos para atender padrões de fabricação e responsabilidade social.
Para Gabriel Pereira, sócio que entrou na empresa em 2019, a parceria ajudou a elevar o nível da companhia.
“Quando veio a Disney, a gente teve que se estruturar melhor internamente. Somos uma empresa que começou numa casa e foi crescendo, então isso fez a gente elevar muito nosso padrão”, diz.
Um mercado em expansão
A aposta da Aruba acontece em um momento em que consumidores buscam cada vez mais produtos com apelo de saúde, movimento que já aparece em diferentes categorias de alimentos. Marcas de snacks, bebidas e produtos infantis têm investido em versões com menos ingredientes artificiais, redução de açúcar e maior apelo nutricional.
Mas os fundadores da Aruba dizem que a ideia nunca foi disputar espaço apenas com produtos extremamente restritivos. A proposta é oferecer uma alternativa para consumidores que querem manter o hábito de comer biscoitos, mas com uma composição diferente.
“Não é sobre tirar o prazer de comer. A gente quer que a pessoa coma e pense: isso é gostoso, e ao mesmo tempo é uma escolha melhor”, afirma Talita.
Hoje, a companhia vê espaço para continuar crescendo dentro das próprias famílias, chegando a diferentes gerações.
“Uma das coisas que mais dão energia para a gente é ver que o produto resolve uma necessidade real das pessoas. Tem famílias que tinham dificuldade de encontrar algo que os filhos pudessem comer e conseguem incluir o nosso produto no dia a dia”, completa Gabriel.
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