Da cerveja à fantasia: itens de Carnaval encarecem quase 80% em uma década

Por Rebecca Crepaldi 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Da cerveja à fantasia: itens de Carnaval encarecem quase 80% em uma década

Uma boa fantasia, regada a glitter, não pode faltar no Carnaval. Para quem bebe, a cerveja gelada também entra no combo. Entretanto, tudo isso está pesando mais no bolso dos foliões.

Um estudo da Rico, plataforma de investimentos e serviços financeiros do Grupo XP Inc., mostrou que a chamada “cesta carnavalesca”, composta por produtos e serviços consumidos nos dias de folia, acumulou alta de 79,07% em 10 anos.

“Isso significa que os principais itens consumidos durante o carnaval subiram perto de 14% a mais do que a inflação média de bens e serviços do país nos últimos 10 anos, que é de 64,77%”, afirma Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo levantamento.

O estudo analisou o comportamento dos principais gastos associados ao Carnaval, como bebidas, maquiagem, bijuterias, serviços de beleza e transporte, em diferentes horizontes de tempo.

No recorte de seis anos, a diferença entre a cesta temática e o índice geral se estreitou, mas a pressão segue acima da média: a cesta carnavalesca subiu 48,97%, contra 39,15% do IPCA. No curto prazo, olhando para 2025, a seleção também permaneceu à frente da inflação oficial.

Para avaliar quanto o Carnaval pesa, de fato, no orçamento, a Rico elaborou uma cesta hipotética reunindo alguns dos principais gastos típicos do período, como cerveja e outras bebidas alcoólicas, bijuterias, itens de maquiagem, serviços de cabeleireiro, além de passagens aéreas e de ônibus interestaduais.

O levantamento indica que a pressão sobre o bolso não é causada por um produto específico, mas pelo acúmulo de reajustes em diferentes despesas concentradas durante a folia.

Visual carnavalesco

Produtos ligados à produção do visual típico do Carnaval também registraram elevação de preços. As bijuterias acumularam inflação de 61,76% em dez anos e de 57,84% em seis anos, indicando um aumento contínuo ao longo do tempo.

No recorte mais recente, o acumulado de 2025 mostrou a maior alta entre todos os itens analisados, superando inclusive a cesta carnavalesca. De acordo com o estudo, esse avanço reflete o aumento dos custos de produção e a valorização do dólar, que encarece insumos como metais e pedras sintéticas.

Os itens de maquiagem, por sua vez, subiram 35,16% em dez anos e 29,09% em seis anos, refletindo o encarecimento de pigmentos importados e embalagens.

Bebidas alcoólicas

Ao longo dos últimos dez anos, a cerveja acumulou valorização de 58,18%, enquanto outras bebidas alcoólicas — como destilados e coquetéis prontos — tiveram avanço ainda mais intenso, com inflação de 80,76% no período, a maior entre os itens avaliados.

Segundo o estudo, o movimento está ligado ao aumento dos custos de insumos, como malte e alumínio usado nas latas. No caso de outras bebidas alcoólicas, a alta do dólar, que encarece a importação de matérias-primas, também contribuiu para pressionar os preços.

O vinho apresentou comportamento diferente, com inflação mais contida: alta de 23,64% nos últimos seis anos, período em que passou a integrar o IPCA, a partir de 2020.

Serviços e transporte

Os serviços pessoais, como cabeleireiro e barbeiro, também tiveram reajustes expressivos. Nos últimos seis anos, a inflação acumulada foi de 42,62%. O estudo destaca que esses serviços são sensíveis à renda disponível da população e à concentração da demanda em períodos festivos.

Já para quem decide viajar no Carnaval, o deslocamento pesa no orçamento. As passagens aéreas acumularam alta de 74,23% em dez anos e de 48,64% em seis anos, enquanto as passagens de ônibus interestaduais registraram avanço de 54,91% em dez anos.

Combustíveis, câmbio, maior procura e ajustes de oferta ajudam a explicar as variações mais intensas observadas nesses preços.

4 dicas para evitar a 'ressaca financeira'

Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, reúne orientações práticas para aproveitar a festa com mais consciência — e menos aperto depois da Quarta-Feira de Cinzas.

1. Antecipe gastos e fuja da inflação de última hora

No Carnaval, serviços e deslocamento tendem a ficar mais caros pela alta concentração de demanda. Planejar gastos com antecedência, comprar passagens antes e criar pequenas reservas ajuda a evitar preços inflacionados nos dias de festa.

2. Proteja seu dinheiro durante a folia

Em meio a aglomerações, vale adotar cuidados simples: desativar pagamento por aproximação dos cartões, evitar Wi-Fi público, usar doleira e, se possível, levar um celular secundário. Em caso de furto, o contato imediato com o banco reduz prejuízos.

3. Tenha uma reserva de emergência

Imprevistos acontecem — e a reserva funciona como um “abadá financeiro”. O ideal é priorizar liquidez e segurança, com aplicações que permitam resgate rápido, evitando o uso de crédito caro no pós-Carnaval.

4. Organize o orçamento para o resto do ano

Depois da folia, colocar os gastos na planilha ajuda a evitar que a ressaca financeira se estenda pelos meses seguintes. Visualizar despesas fixas, variáveis e sazonais traz mais controle e facilita decisões ao longo do ano.

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