Dados da Europa, 26º dia da guerra no Irã e petróleo: o que move os mercados
A agenda desta quarta-feira, 25, começa cedo no radar dos investidores, com dados de inflação e atividade na Europa e indicadores relevantes ao longo do dia no Brasil e nos Estados Unidos, em um ambiente ainda dominado pelas incertezas geopolíticas.
Logo pela manhã, às 4h, o mercado acompanha a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) do Reino Unido referente a fevereiro. Na sequência, às 6h, sai o índice de confiança empresarial da Alemanha, medido pelo Ifo, que havia marcado 88,6 pontos em fevereiro e serve como termômetro da atividade na maior economia da Europa.
No Brasil, os investidores monitoram, às 8h, a sondagem do consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), após o indicador ter registrado 86,1 pontos em fevereiro.
Mais tarde, às 14h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal, dado relevante para entender a entrada e saída de dólares no país. Também está prevista a divulgação dos resultados setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Nos Estados Unidos, o foco recai sobre o mercado de petróleo e a dívida pública. Às 11h30, o Departamento de Energia divulga os estoques semanais de petróleo bruto, após alta de 6,156 milhões de barris na leitura anterior. Já às 14h, ocorre o leilão de T-notes de cinco anos, que pode trazer sinais sobre a demanda por títulos americanos em meio ao ambiente de maior aversão a risco.
O pano de fundo segue sendo o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que se aproxima de completar um mês — esta quarta-feira marca o 26º dia de tensões. O noticiário recente trouxe sinais mistos ao mercado.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que representantes iranianos indicaram concordância com a não obtenção de armas nucleares, em meio a negociações com Washington. Ao mesmo tempo, mencionou um “presente muito grande” por parte do Irã, relacionado ao fluxo de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
Apesar do tom mais conciliador, o cenário segue incerto. Há relatos de possível mobilização militar adicional dos Estados Unidos no Oriente Médio, enquanto autoridades iranianas negam negociações diretas. Esse conjunto de informações mantém os investidores cautelosos, especialmente diante do risco de impacto prolongado sobre a oferta global de energia.
A tensão geopolítica segue pressionando o petróleo, que voltou a subir com força na véspera. O Brent avançou 4,55%, a US$ 104,49 por barril, enquanto o WTI subiu 4,79%, a US$ 92,35. O movimento reforça a preocupação com inflação global e crescimento econômico, além de influenciar diretamente ativos sensíveis à commodity.
Balanços no radar
No campo corporativo, a agenda traz a divulgação do balanço da Equatorial no Brasil. Nos Estados Unidos, a JBS publica seus resultados após o fechamento dos mercados, o que pode gerar repercussões no setor de proteínas.
Os mercados chegam a esta quarta após uma sessão de forte volatilidade. O Ibovespa fechou em leve alta de 0,32%, aos 182.509 pontos, após oscilar ao longo do dia, enquanto o dólar subiu 0,25%, a R$ 5,253.
O desempenho da bolsa foi sustentado principalmente por ações ligadas a commodities, com destaque para Petrobras, impulsionada pela alta do petróleo. Já o câmbio refletiu a busca por proteção em meio ao aumento da aversão ao risco global.
Além do cenário externo, os investidores também seguem repercutindo a ata do Copom, que reforçou a necessidade de cautela na condução da política monetária diante das incertezas internacionais.
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