'Dark Horse': tudo sobre o filme de Jair Bolsonaro
Uma crise se instalou na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, envolvendo o bancário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e preso na operação Compliance Zero, e a cinebiografia ‘Dark Horse’, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
Tudo começou na última quarta-feira, 13, quando o veículo The Intercept Brasil publicou uma reportagem ligando o empresário à família Bolsonaro e ao deputado federal Mario Frias (PL), produtor executivo e desenvolvedor do argumento do filme.
Segundo a reportagem, que teve acesso exclusivo a conversas particulares, Flávio Bolsonaro articulou uma negociação com Vorcaro, que se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (na época, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção de Dark Horse. Desse valor, ao menos R$ 61 milhões teriam sido repassados.
As conversas entre Flávio e Vorcaro aconteceram antes de 17 de novembro, quando o banqueiro foi preso tentando fugir do país. Ele é responsável por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.
Um raio-x de ‘Dark Horse’
‘Dark Horse’, ou “cavalo negro”, em tradução livre, contará “a história de Jair Bolsonaro, um ex-oficial militar que saiu da obscuridade como deputado e se tornou presidente do Brasil”, de acordo com o site IMDb.
O elenco é quase completamente norte-americano, mas as gravações estão acontecendo no Brasil.
O ator estadunidense Jim Caviezel viverá Jair Bolsonaro no longa sobre a vida do ex-presidente. Caviezel tem 57 anos e interpretou Jesus no filme ‘A Paixão de Cristo’, de 2004. Em 2023, o ator também esteve no polêmico ‘Som da Liberdade’, que envolve teorias da conspiração sobre tráfico humano.
Quem dirige é Cyrus Nowrasteh, diretor norte-americano com ascendência iraniana, de 69 anos. Ele é conhecido por trazer temáticas políticas e religiosas em seu trabalho audiovisual e teatral. Ele é responsável por produções como ‘O Apedrejamento de Soraya M’, de 2008, que critica as leis iranianas.
Ele também participou de uma coprodução entre Estados Unidos e Brasil no filme ‘Jenipapo’, de 1995. O filme acompanha um repórter americano obcecado em entrevistar um padre na Bahia durante a luta pela reforma agrária. A trama foi criticada por focar em uma "aventura moral" estrangeira, utilizando pano de fundo brasileiro.
Cyrus Nowrasteh assina o roteiro de ‘Dark Horse’ com Mark Nowrasteh, baseado em argumento escrito por Mario Frias, ator global e ex-secretário da Cultura de Jair Bolsonaro.
Camille Guaty, atriz de ‘Prison Break’, dará vida à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O elenco ainda tem Esai Morales, de ‘Missão: Impossível - O Acerto Final’, Lynn Collins, de ‘The Walking Dead’, e Jeffrey Vincent Parise, de ‘General Hospital’.
Sinopse e estreia
Ao site norte-americano Deadline, Cyrus Nowrasteh afirmou que o longa aborda “poder, mídia e fé sob ataque”. A sinopse oficial também foi divulgada pelo veículo.
“Inspirado em fatos reais, Dark Horse acompanha Jair Bolsonaro, um outsider controverso que ascende de um obscuro capitão do exército a favorito populista na corrida presidencial em um Brasil profundamente polarizado, apenas para enfrentar um plano mortal de assassinato que transforma sua luta contra um sistema corrupto em uma batalha pela sobrevivência, pela verdade e pela alma de uma nação.”
Segundo Caviezel, o longa deve estrear em 11 de setembro de 2026, uma sexta-feira. No entanto, no Brasil os filmes costumam estrear às quintas-feiras.
Polêmicas trabalhistas e Beyoncé
As filmagens do longa ‘Dark Horse’ começaram em setembro de 2025. Desde então, a produção se envolveu em polêmicas variadas.
O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP) apurou denúncias sobre a precariedade das condições de trabalho nos sets de filmagem.
As acusações foram feitas entre outubro e novembro do ano passado e diziam respeito à jornadas de trabalho excessivas, comida estragada e cachês para figurantes abaixo do piso da categoria. Na época, a produtora negou as irregularidades.
Outro caso envolvendo o filme foi o processo aberto pela cantora pop Beyoncé contra a produção. Um teaser do longa usou a música ‘Survivor’, do grupo Destiny’s Child, do qual a artista fazia parte nos anos 2000. O uso da canção, no entanto, não estava autorizado, gerando um processo judicial para interromper a utilização da propriedade intelectual.
O que diz Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro admitiu, em nota, que contatou o banqueiro Daniel Vorcaro para cobrar repasses destinados à produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O pré-candidato também negou ter oferecido vantagens em troca do patrocínio e afirmou que os recursos são de origem privada.
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