David Hockney, ícone da Pop Art e mestre das cores, morre aos 88 anos
O mundo das artes plásticas perdeu um de seus artistas mais coloridos. O pintor britânico David Hockney morreu na noite desta quinta-feira, 11, aos 88 anos. A informação foi confirmada pela assessora de imprensa dele, Erica Bolton.
Hockney morreu de forma pacífica em sua residência em Londres, pouco antes de celebrar o 89º aniversário. Embora detalhes sobre a causa da morte não tenham sido revelados, o pintor vinha recebendo acompanhamento médico contínuo nos últimos meses.
Consolidado como um dos pilares da arte contemporânea global entre as décadas de 1950 e 1960, Hockney construiu um legado estético inconfundível. Suas telas, caracterizadas por tonalidades turquesa, cores vibrantes e as célebres representações de piscinas californianas e paisagens ensolaradas, ajudaram a ditar os rumos da Pop Art e a redefinir o imaginário visual do pós-guerra.
O britânico deixa o companheiro de longa data, Jean-Pierre Gonçalves de Lima, além de irmãos, sobrinhos e seu sobrinho-neto Richard, que atuava como assistente de estúdio do artista.
Da academia ao iPad: a eterna reinvenção
Nascido em Yorkshire, no norte da Inglaterra, Hockney costumava definir-se de forma bem-humorada como um "inglês los angeleno", devido aos longos anos em que viveu e trabalhou em Los Angeles, na Califórnia.
A trajetória dele foi marcada por uma capacidade incomum de transitar entre mundos: dominou com rigor as técnicas acadêmicas tradicionais de pintura para, décadas mais tarde, apropriar-se pioneiramente das novas tecnologias digitais. Ele criou obras complexas no iPad após os 70 anos de idade.
Além da inovação técnica e de perspectiva, o pintor também ocupou um papel pioneiro na pauta social das artes visuais. Ele foi um dos primeiros nomes de destaque internacional a produzir obras com temática abertamente homossexual, e posicionou-se publicamente contra a censura para defender a livre representação da cultura queer nas galerias de todo o planeta.
"Sua carreira de sete décadas e sua obra prolífica foram caracterizadas por sua abordagem multimídia na criação de imagens, por uma reflexão intelectual sobre a natureza da representação e da perspectiva, e por um compromisso contínuo em celebrar e retratar o mundo ao seu redor", destacou o comunicado oficial emitido pela equipe do artista.
A busca pela alegria real
A vitalidade criativa do artista permaneceu ativa mesmo diante da saúde debilitada pelo avanço da idade. No ano passado, a Fundação Louis Vuitton, em Paris, inaugurou a maior exposição retrospectiva já dedicada ao portfólio de Hockney, um projeto que contou com o envolvimento direto e entusiasmado do próprio artista.
Em abril do ano passado, durante a abertura da mostra na capital francesa, o pintor reforçou a devoção inabalável ao ofício em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times: “Eu apenas continuo fazendo o meu trabalho. Quando voltar de Paris, vou seguir pintando”.
Questionado na ocasião sobre o sentimento que esperava provocar nos visitantes que caminhassem por entre suas telas, Hockney resumiu a filosofia artística em duas palavras: "Alegria, alegria verdadeira".
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