DDG, coproduto do milho, avança com etanol e pode chegar a 11 milhões de toneladas

Por César H. S. Rezende 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
DDG, coproduto do milho, avança com etanol e pode chegar a 11 milhões de toneladas

O consumo doméstico de DDG, coproduto do milho, deve saltar de 9 milhões de toneladas para 10,8 milhões de toneladas até 2030. A projeção é da Datagro, consultoria agrícola, e foi divulgada nesta quinta-feira, durante a 3ª edição da Conferência Internacional UNEM Datagro sobre Etanol de Milho, em Cuiabá (MT).

Segundo João Otávio Figueiredo, líder da área de Pecuária da Datagro, o Brasil conta atualmente com 27 usinas de etanol de milho em operação, com capacidade de processamento de 24,7 milhões de toneladas do grão.

Esse volume resulta na produção de aproximadamente 11,1 bilhões de litros do biocombustível e cerca de 7 milhões de toneladas de DDG.

“Até 2029, projetamos 63 usinas, com capacidade de processamento de 57,4 milhões de toneladas de milho, gerando 25,3 bilhões de litros de etanol e aproximadamente 15 milhões de toneladas de DDG”, afirmou.

Em fevereiro deste ano, o Brasil embarcou para a China as primeiras toneladas de DDGS, coproduto da produção de etanol utilizado principalmente na nutrição animal.

No processo de conversão do amido do milho em combustível, as partes restantes dão origem ao DDGS, um farelo altamente nutritivo utilizado na alimentação de bovinos, suínos e aves.

O DDGS é uma das principais apostas do agro e do setor de etanol de milho. As expectativas do setor e do governo são elevadas, impulsionadas pela demanda chinesa, estimada em 7 milhões de toneladas anuais — um mercado de pelo menos 7,8 bilhões de reais, considerando o preço médio de 1.120 reais por tonelada.

Trata-se de mais uma frente de crescimento dentro do setor de etanol de milho, que deve movimentar 31 bilhões de reais em 2026. Essa demanda, no entanto, não será totalmente atendida pela produção nacional. A estimativa é de que o Brasil produza 4,8 milhões de toneladas de DDGS neste ano.

Ainda assim, dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) indicam que as exportações devem alcançar 2 milhões de toneladas em 2026, o que representaria um aumento de 123% em relação a 2025.

DDGS e a China

Mas o crescimento também tem seu ônus e traz à tona desafios estruturais do Brasil, como a logística. Para Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), o país opera com duas safras principais do cereal: a primeira, de 26 milhões de toneladas, e a segunda, de 110 milhões.

Essa dinâmica exige capacidade de armazenagem para cobrir o intervalo entre os ciclos produtivos e garantir o fluxo contínuo de escoamento. A infraestrutura de armazenagem e transporte, ressalta, é fundamental para dar vazão ao produto. “Hoje, temos um déficit de 130 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem”, afirma.

Apesar dos gargalos, o setor mantém o otimismo. A produção de DDGS no Brasil cresceu 269% desde 2020, e a projeção é de que o país alcance 4,8 milhões de toneladas em 2026 e até 6 milhões em 2030, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem). A entrada da China reforça essa perspectiva.

“A China é um gigante. Quando entra em um mercado, entra para ser o maior”, diz Renato Zicardi, diretor de Trading Internacional da Inpasa. Para o Brasil, abre-se uma nova oportunidade de, pelo menos, 7,8 bilhões de reais.

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