De crescimento chinês à inflação argentina: como as sanções mudaram o Irã
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no último sábado, 28, ampliaram a pressão sobre a economia iraniana, já fragilizada por décadas de sanções e isolamento internacional.
A escalada militar ocorre em meio a uma crise econômica. Em dezembro de 2025, a inflação anual do país chegou a 42,2%, de acordo com o Banco Central do Irã.
A deterioração dos indicadores contrasta com o desempenho econômico do país antes da Revolução Islâmica de 1979. Entre 1960 e 1976, o PIB do Irã cresceu em média 9,8% ao ano, uma das maiores taxas do mundo no período, segundo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na década de 1970, o país era um dos principais produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A produção chegava a 5 a 6 milhões de barris de petróleo por dia, de acordo com dados da Energy Information Administration (EIA).
A receita petrolífera financiou investimentos em infraestrutura, educação e industrialização. Setores como automóveis, petroquímica, aço e agricultura se expandiram, tornando a economia iraniana mais diversificada do que a de outros produtores do Golfo.
Esse momento próspero da história do Irã ficou conhecido como Revolução Branca, um programa de reformas foi lançado em 1963 pelo xá Mohammad Reza Pahlavi.
As medidas incluíram a redistribuição de terras, a expansão da educação, a industrialização acelerada e a liberdade feminina, em um movimento de ocidentalização e de aproximação com os EUA.
Apesar do crescimento acelerado, os ganhos econômicos eram concentrados na elite urbana. O descontentamento social culminou na revolução que transformou o país em uma república teocrática.
Sanções e isolamento internacional
Logo após a revolução, os Estados Unidos aplicaram as primeiras sanções econômicas. Em 1979, Washington congelou cerca de US$ 12 bilhões em ativos iranianos, segundo o Tesouro americano.
As restrições se ampliaram nas décadas seguintes. Em 1995, o governo americano proibiu empresas dos EUA de investir no setor de petróleo e gás do Irã. Em 2006, o Conselho de Segurança da ONU e a União Europeia impuseram novas sanções ligadas ao programa nuclear iraniano.
Um dos impactos mais relevantes ocorreu em 2012, quando bancos iranianos foram excluídos do sistema internacional de pagamentos SWIFT. A medida dificultou transferências financeiras e pagamentos internacionais, isolando o país do sistema financeiro global.
Em 2015, o país assinou o acordo nuclear conhecido como Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), que previa limitações no enriquecimento de urânio em troca do alívio das sanções. Mas, em 2018, durante seu primeiro mandato como presidente, Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e restabeleceu todas as sanções econômicas.
Crescimento baixo e moeda desvalorizada
Enquanto o país cresceu em mais de 9% ao ano entre 1960 e 1979, o ritmo caiu para cerca de 1,9% ao ano entre 1979 e 2020, segundo o Banco Central do Irã.
A moeda iraniana também sofreu forte desvalorização. Em 1979, US$ 1 equivalia a cerca de 70 riais. Em 2026, o câmbio chegou a cerca de 1,42 milhão de riais por dólar. O cenário de crescimento fraco e inflação elevada caracteriza um quadro de estagflação, que reduziu o poder de compra da população e ampliou a instabilidade econômica.
O setor de energia, principal fonte de receita do país, foi o mais afetado. Antes das sanções nucleares mais severas, o Irã exportava cerca de 2,5 milhões de barris de petróleo por dia, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Durante períodos de sanções mais fortes, as exportações chegaram a cair para menos de 400 mil barris diários.
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