De elevador privativo à garagem para Hilux: o imóvel que o agro quer

Por Letícia Furlan 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
De elevador privativo à garagem para Hilux: o imóvel que o agro quer

Balneário Camboriú virou símbolo de alto padrão e concentra parte do público agro, especialmente como destino de veraneio. Mas não é, necessariamente, o principal polo urbano do agro.

“Arrisco dizer que Goiânia tem muito mais clientes do agro do que Balneário. Por que isso? Balneário é uma cidade de ‘veraneio’. Então, ele tem esse imóvel lá para o verão, férias. Goiânia, não”, defende Gabriel Santos, gerente comercial da Opus Incorporadora e que tem conhecimento de causa no assunto.

Ao longo de 2025, a Opus manteve 19 obras simultâneas, em diferentes estágios de execução, e soma 61 empreendimentos lançados entre projetos residenciais, corporativos, de uso misto e horizontais, localizados nas regiões mais valorizadas de Goiânia. Com todo o portfólio, a incorporadora ultrapassou a marca de R$ 2,5 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) nos últimos dois anos.

Foi a incorporadora que viu Goiânia se consolidar como base permanente para produtores que buscam qualidade de vida fora da fazenda. O movimento acompanha a própria transformação do agronegócio nas últimas décadas, com aumento de renda e maior diversificação patrimonial.

O comprador do agronegócio chega ao mercado imobiliário com uma lógica própria. Não é apenas uma questão de renda mais alta. É, sobretudo, uma diferença de fluxo de caixa e de estratégia financeira. “A grande diferença do cliente do agro para os demais clientes é que ele busca um pagamento de acordo com a colheita. Alguns colhem uma, outros colhem duas vezes ao ano. Então eles preferem um fluxo mais concentrado nesse movimento da própria colheita”, afirma Santos.

À EXAME, o gerente comercial fez um raio-X do comportamento do cliente do agronegócio em Goiás.

Qual a principal diferença entre o cliente do agro e os demais quando o assunto é pagamento do imóvel? Eles compram mais à vista?

A grande diferença é que o cliente do agro quer pagar no ritmo da colheita. Alguns colhem uma vez por ano, outros, duas. Então, preferem um fluxo mais concentrado nesses períodos, com parcelas anuais ou semestrais. Já o cliente “tradicional” costuma ter renda mensal e prefere um fluxo linear de pagamento.

O produtor rural não tem o hábito de comprar à vista. Ele prefere manter o dinheiro girando na lavoura, porque o retorno da atividade é maior do que o desconto oferecido para pagamento à vista.

Outro ponto importante é que muitos optam por financiar direto com a incorporadora, e não via banco. Isso porque evitam comprometer limites de crédito rural ou correr o risco de o Banco Central travar operações futuras ligadas à fazenda.

E no perfil do imóvel? O que esse cliente busca?

Mesmo sendo um ponto de apoio na capital, eles procuram imóveis grandes, acima de 200 metros quadrados. Não é um apartamento pequeno para passar dois dias. É um imóvel para vir com a família e ficar com conforto.

Muitas vezes, o filho vem estudar em Goiânia, mas a esposa permanece bastante tempo na cidade. Então, o apartamento precisa atender a essa rotina.

Há demandas específicas também: elevador privativo e garagem em padrão GG são quase obrigatórios, principalmente por causa das caminhonetes de grande porte.

Eles fazem questão de luxo? É o mesmo padrão visto em São Paulo?

Eles fazem questão de alto padrão, mas não necessariamente de luxo atrelado a marca.

Diferentemente de São Paulo, onde há empreendimentos associados a grifes internacionais, como Dolce & Gabbana ou Versace, aqui isso não é determinante.

O foco está em localização, qualidade construtiva e acabamento superior. Também valorizam área comum estruturada, academia com equipamentos modernos e uma boa infraestrutura de wellness.

Além de Goiânia e Balneário Camboriú, quais cidades são “point” do agro?

Balneário tem forte presença do agro, mas é segunda residência, de férias.

Goiânia é base permanente. É onde o produtor busca qualidade de vida, acesso a bons hospitais, educação para os filhos e opções de entretenimento. Isso tem colocado a cidade em destaque crescente entre esse público.

Para a Opus, esse movimento ajuda a explicar a consolidação do alto padrão em Goiânia — não apenas como mercado local, mas como destino de capital do agronegócio.

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