De químico a líder de inovação: como um MBA ampliou a visão de negócios de um executivo de P&D
A carreira de Rogério Cassemiro foi construída dentro de laboratórios, centros de pesquisa e projetos globais de inovação. Químico formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialização em Química Analítica pela Université du Québec à Montréal (UQAM), ele passou cerca de dez anos no Canadá antes de retornar ao Brasil e consolidar sua trajetória em pesquisa e desenvolvimento de produtos.
Hoje, como R&D Team Leader na AkzoNobel, Rogério reúne mais de uma década de experiência em P&D, gestão de projetos e desenvolvimento de soluções para a indústria. No currículo, estão passagens por empresas como Maxxam Analytics, MAPEI e Saint-Gobain, além de projetos com interface internacional envolvendo Brasil, Europa, Estados Unidos e Argentina.
A formação técnica sempre foi uma base sólida. Mas, em determinado momento, ele percebeu que o avanço na carreira exigia algo além da especialização científica.
Quando a técnica deixa de ser suficiente
A trajetória profissional de Rogério começou em 2007, no Canadá, onde atuou na Maxxam Analytics, empresa voltada a certificações e análises ambientais, genéticas e microbiológicas. Durante seis anos, trabalhou com química analítica aplicada a análises ambientais, envolvendo matrizes aquosas, solos contaminados, hidrocarbonetos, metais e outros compostos.
Depois, ingressou na MAPEI, multinacional italiana do setor de materiais de construção civil. Ali, passou a atuar com pesquisa e desenvolvimento de produtos de base cimentícia, gestão de laboratório, melhoria contínua, aprovação de matérias-primas e desenvolvimento de metodologias analíticas.
Ao retornar ao Brasil, seguiu para a Saint-Gobain, multinacional francesa também ligada ao setor de construção e materiais. Na empresa, liderou projetos nacionais e internacionais, com interface com áreas como marketing, vendas, processos, fornecedores e clientes.
Foi nesse avanço para posições mais conectadas à estratégia e à gestão que uma nova demanda começou a aparecer.
“Eu queria fazer um MBA voltado para gestão e liderança. Isso já era claro para mim”, afirma Rogério. “Eu já tinha feito especialização na minha área, mais técnica, e muitos cursos. Queria um aprofundamento na parte de gestão de pessoas”, ele complementa.
A escolha por uma escola de negócios
Rogério conheceu a Saint Paul Escola de Negócios antes mesmo de se tornar aluno. Seu marido, professor de gestão, liderança e cultura organizacional, já fazia parte do corpo docente da instituição. Por meio dele, Rogério teve contato com os métodos de ensino, a estrutura, a oferta de cursos e o perfil dos professores.
Essa proximidade ajudou na decisão. Segundo o executivo, conhecer previamente a instituição trouxe segurança para ingressar no MBA Executivo Internacional em Liderança e Gestão. A escolha não veio apenas pelo nome da escola, mas pela percepção de que o curso poderia oferecer uma formação mais ampla para quem já tinha domínio técnico e buscava ampliar a atuação como líder.
“Essa validação da instituição me trouxe muito mais segurança para decidir ingressar na Saint Paul e no curso”
Um olhar mais amplo sobre a empresa
Para Rogério, o MBA não se limitou à liderança de pessoas. A experiência ajudou a construir uma visão mais abrangente sobre o funcionamento de uma companhia.
Ele cita disciplinas e discussões ligadas a marketing, finanças, pessoas, estratégia e estrutura organizacional como parte importante da formação. Na prática, o curso permitiu compreender melhor as “roldanas” que fazem uma empresa funcionar — da gestão de equipes à análise financeira de projetos.
Rogério Cassemiro: dez anos no Canadá antes de retornar ao Brasil para atuar em P&D
Esse repertório passou a fazer diferença no dia a dia. Em P&D, a interface com outras áreas é constante. No caso de Rogério, a relação com marketing é especialmente relevante, já que muitos projetos de desenvolvimento nascem de demandas comerciais, necessidades de mercado ou oportunidades identificadas pela companhia.
“Marketing é um cliente nosso do R&D. Ter a visão do negócio e entender tecnicamente o que o marketing precisa ajuda muito nessa linguagem”, afirma.
De feedbacks difíceis ao P&L de projetos
Entre os aprendizados aplicados no trabalho, Rogério destaca temas de liderança que costumam aparecer nos momentos mais sensíveis da gestão: feedback, conversas difíceis e tomada de decisão com equipes.
“Dar feedback não é fácil. Conversas corajosas são temas que a gente vê no curso”, diz. “Eu já me vi em situações em que consegui aplicar esse embasamento técnico.”
Outro ponto foi a leitura financeira de projetos. Antes do MBA, siglas e conceitos ligados a P&L, indicadores e construção de KPIs nem sempre faziam parte de seu repertório natural. Com a formação, passou a compreender melhor os números e a lógica de negócio por trás das decisões.
Esse movimento é especialmente relevante em áreas técnicas. Em empresas de grande porte, profissionais de pesquisa e desenvolvimento não atuam apenas dentro do laboratório, eles participam de discussões sobre viabilidade, custo, inovação, mercado, estratégia e retorno.
A formação executiva, nesse contexto, amplia a capacidade de diálogo com outras áreas e fortalece a atuação em projetos multidisciplinares.
Experiência internacional e rede de contatos
Além do conteúdo, Rogério destaca a rede formada durante o MBA. Para ele, a convivência com colegas de diferentes áreas foi uma das partes mais marcantes da experiência.
“Fiz grandes amigos que trago até hoje”, afirma.
O curso também incluiu uma etapa internacional na Alemanha, descrita por ele como uma semana de muito aprendizado, com professores de diferentes culturas, nacionalidades e abordagens.
Para um profissional que já tinha vivido dez anos no exterior e construído uma carreira em empresas multinacionais, a experiência reforçou a importância de combinar repertório técnico, visão global e capacidade de liderança.
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