De São Bernardo à Suécia: como a Saab transforma engenheiros brasileiros em líderes na Europa

Por Raphaela Seixas 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
De São Bernardo à Suécia: como a Saab transforma engenheiros brasileiros em líderes na Europa

A experiência internacional deixou de ser apenas um diferencial no currículo para se tornar estratégia estruturada de desenvolvimento de talentos.

Na Saab Brasil, o International Assignment e o programa de transferência de tecnologia do Gripen consolidaram um modelo robusto de formação técnica e liderança global, conectando Brasil e Suécia em um fluxo contínuo de conhecimento, capacitação e crescimento profissional.

Com operações no Brasil desde o início do Programa Gripen, a companhia estruturou um ecossistema de desenvolvimento que une prática supervisionada, mentoria e mobilidade internacional.

O resultado é a formação de profissionais que retornam ao país preparados para ocupar funções estratégicas, disseminar conhecimento e fortalecer a indústria nacional de defesa.

Da seleção ao embarque para a matriz

Henrique Pinto, engenheiro de manufatura da Saab Brasil, integrou o primeiro grupo da empresa a participar do programa de transferência de tecnologia na Suécia. Ele entrou na companhia em 2019 já ciente de que teria um período de imersão na matriz.

“Foi uma mudança bem rápida, mas muito positiva”, afirma.

Após cerca de três meses de preparação no Brasil, embarcou para um ano de atuação na fábrica de aeroestruturas na Suécia.

Imagem Mania/Divulgação

Segundo Laércio Pereira, vice-presidente de recursos humanos da Saab para a América Latina, o International Assignment nasce da parceria entre a Saab Brasil e a matriz sueca, viabilizando o intercâmbio de profissionais e promovendo cooperação internacional.

“Colaboradores brasileiros têm a oportunidade de atuar diretamente no ambiente da matriz, ampliando conhecimentos e compartilhando experiências estratégicas para ambas as operações.”

Nos últimos dois anos, cinco operadores brasileiros foram enviados para a linha de produção de aeroestruturas do Gripen na Suécia. Três já retornaram ao Brasil e dois passaram a atuar permanentemente no país europeu.

Transferência de tecnologia que transforma carreiras

No contexto do Gripen adquirido pela Força Aérea Brasileira, o programa de transferência de tecnologia já capacitou mais de 350 profissionais brasileiros, incluindo colaboradores da Saab Brasil e das parceiras Embraer, AEL Sistemas, Atech e Akaer. Desse total, 30 profissionais são da própria Saab Brasil.

Henrique viveu essa experiência de forma intensa. Durante o período na Suécia, teve mentores designados e passou por diferentes supervisores para absorver os processos que seriam implementados na fábrica de aeroestruturas em São Bernardo do Campo.

“As pessoas receberam a gente muito bem. Eles misturam bastante teoria e prática, é muito mão na massa”, relata. Ele destaca também a cultura de confiança. “Desde o primeiro dia eles permitem que a gente execute, acompanham de perto, mas deixam a gente fazer.”

Ao retornar ao Brasil, assumiu papel fundamental na estruturação da operação local e na formação de novos profissionais, inclusive acompanhando grupos posteriores enviados ao exterior.

RH estruturado para mobilidade global

A seleção para o International Assignment ocorre por meio de chamados internos. Os colaboradores se candidatam e passam por entrevistas que avaliam critérios técnicos e comportamentais.

“Aqueles que melhor atendem aos critérios técnicos e comportamentais da vaga são selecionados”, explica Laércio.

O idioma inglês é requisito central na área de produção. Quando necessário, a empresa oferece suporte para desenvolvimento da fluência. O auxílio para idiomas é disponibilizado de acordo com a demanda das atividades profissionais, não apenas para quem participa do assignment.

Na Suécia, o suporte inclui moradia, logística e estrutura para o profissional e sua família. Cada colaborador conta com um mentor técnico e também com um buddy, responsável por auxiliar na adaptação prática ao novo país.

“O objetivo é proporcionar uma adaptação segura e confortável desde a chegada”, afirma Laércio.

Desenvolvimento técnico e maturidade intercultural

Para Henrique, além do aprendizado técnico, o maior ganho foi o amadurecimento profissional e cultural. Ele atuou como facilitador para um grupo de 24 montadores brasileiros durante a imersão na Suécia, auxiliando na adaptação linguística e cultural.

“Eu auxiliava também identificando o perfil de cada pessoa para extrair o melhor do treinamento”, conta.

Segundo ele, a experiência internacional exige alinhamento com a cultura da empresa, entrega de resultados consistentes no Brasil e domínio do inglês. “A pessoa precisa mostrar bons resultados no dia a dia aqui no Brasil. Isso é a principal porta de entrada.”

Laércio reforça que os programas internacionais têm como efeito mais visível a formação de profissionais com experiência prática operacional. Ao retornarem, muitos assumem funções chave e tornam se multiplicadores de conhecimento por meio do Training Academy e do on the job training.

Impacto direto na produtividade e na ascensão profissional

O modelo de capacitação combina teoria, prática supervisionada e evolução para execução plena das atividades. O retorno esperado é a aplicação direta das habilidades adquiridas.

“Esse intercâmbio contribui para ampliar a eficiência e introduzir boas práticas operacionais nas atividades realizadas no Brasil”, afirma Laércio.

A consequência é mensurável em ganhos de produtividade, maior eficiência e fortalecimento contínuo das operações no país.

Além disso, as experiências internacionais ampliam perspectivas de crescimento. Profissionais que passam pela Suécia retornam com visão mais integrada dos processos e preparados para assumir novas responsabilidades.

Um diferencial competitivo na atração de talentos

Em um mercado competitivo como o brasileiro, programas estruturados de mobilidade global tornam se elemento estratégico de atração e retenção de talentos.

Para quem almeja carreira internacional, Laércio recomenda investimento contínuo no desenvolvimento técnico, postura de aprendizado constante e abertura para experiências multiculturais. O domínio do inglês é facilitador essencial.

Henrique concorda. Para ele, a experiência na Suécia foi determinante para consolidar sua trajetória na indústria aeronáutica. Ao retornar, passou a trabalhar diretamente na produção e a acompanhar novos profissionais que seguem o mesmo caminho internacional.

Com 26 mil colaboradores no mundo, a Saab consolida no Brasil um modelo de RH que integra capacitação técnica, mentoria estruturada e mobilidade global. O resultado é a formação de talentos preparados para sustentar o avanço tecnológico e industrial da companhia, conectando a indústria brasileira a padrões internacionais de excelência.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: