De “Vale da Morte” à economia verde: Cubatão entra no mercado de créditos de carbono
Após ser considerado o "vale da morte" na década de 80, Cubatão (SP) dá mais um passo simbólico em sua trajetória de transformação ambiental ao iniciar sua estruturação para atuar no mercado de créditos de carbono.
Pioneiro na Baixada Santista, o movimento segue uma tendência já observada em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2024, o Brasil regulamentou esse mercado, abrindo espaço para novos projetos.
A iniciativa foi formalizada na semana passada, durante Conferência Municipal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e está alinhada às diretrizes globais de combate às mudanças climáticas.
O acordo de cooperação técnica foi assinado com o Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento em Inovação Sustentável (Ibedis) e prevê a criação do Programa Cubatão Verde, voltado à valorização de ativos ambientais e[grifar] à geração de créditos de carbono e de biodiversidade.
A proposta é posicionar o município em um mercado global em expansão, com potencial de atrair investimentos privados e impulsionar a agenda de desenvolvimento sustentável local.
A parceria estabelece uma série de etapas técnicas para viabilizar a entrada de Cubatão, entre elas: diagnóstico dos ativos ambientais do município, elaboração de um plano estruturado de ações, desenvolvimento de metodologia de certificação ESG e captação de recursos junto à iniciativa privada.
O modelo não envolve repasse de recursos públicos e o financiamento será feito exclusivamente por investimentos privados captados pelo Ibedis. Já a governança ficará a cargo de um Comitê Gestor paritário, responsável por acompanhar, validar e fiscalizar as ações, garantindo transparência ao processo.
Segundo o prefeito César Nascimento (PSD), o acordo abre novas oportunidades econômicas e traz potencial de geração de emprego e renda.
“Mostramos que é possível transformar sustentabilidade em escala real, conectando Cubatão a investimentos e a um novo modelo de desenvolvimento”, afirmou.
A vice-prefeita Andrea Castro (MDB) ressaltou que o projeto é resultado de discussões iniciadas em agendas internacionais da ONU, como a COP30 em Belém. “O município passará a estruturar um inventário ambiental que permitirá a certificação e comercialização de créditos”, disse.
Já o secretário de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-Estar Animal, Cleiton Jordão Santos, classificou o acordo como um “divisor de águas”, especialmente diante da recente regulamentação do setor, que amplia o acesso a fundos climáticos.
Para o Ibedis, representado por Wemerson Marinho dos Santos, a iniciativa dialoga diretamente com a vocação industrial da cidade.
“Ao transformar ativos ambientais em ativos monetizáveis, estamos falando de uma nova economia, com geração de renda, educação ambiental e desenvolvimento”, afirmou.
De símbolo da poluição à cidade verde
A entrada no mercado de carbono reforça uma mudança histórica na imagem de Cubatão. Na década de 1980, a cidade ficou conhecida como “Vale da Morte”, após liderar rankings internacionais de poluição do ar.
O cenário era crítico: o ar carregado de enxofre, doenças respiratórias e casos de má-formação em bebes eram comuns naquela época.
Um dos pontos de inflexão foi a tragédia da Vila Socó, em 1984, que levou à implementação de um plano rigoroso de controle ambiental. A redução de até 98% dos poluentes garantiu à cidade, em 1992, o reconhecimento como caso de “Recuperação Ambiental”.
Décadas depois, Cubatão colhe os frutos dessa transformação. O município passou a integrar, em 2025, a lista da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) de cidades mais verdes do mundo, ao lado de outras 34 brasileiras.
Mercado para conciliar indústria e sustentabilidade
Apesar dos avanços, o desafio permanece. Cubatão abriga um dos maiores polos industriais do país e é corredor logístico estratégico entre a capital paulista e o litoral, com intenso fluxo de veículos de carga e passeio.
Nesse contexto, a inserção no mercado de créditos de carbono surge como uma estratégia para conciliar desenvolvimento econômico e sustentabilidade. A monetização de ativos ambientais pode ajudar a financiar projetos de recuperação, controle de emissões e inovação ambiental.
Além disso, a iniciativa se soma a outras políticas em andamento, como parcerias com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e projetos de reabilitação ambiental.
Ao apostar na economia verde, Cubatão muda seu passado e quer se posicionar na transição climática global.
1/10 Singapura (Singapura)
2/10 (Tóquio)
3/10 (Londres)
4/10 (Barcelona)
5/10 'Smart City': projeto em Dubai, por exemplo, levou a criação de uma rede de drones (Dubai)
6/10 (Estocolmo)
7/10 (Nova York)
8/10 (Amsterdã)
9/10 Hong Kong: Hang Seng avança 1,16% com salto de Alibaba e Baidu após testes de chips próprios de IA (Hong Kong)
10/10 (San Francisco)
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: