De vendedor a dono, ele dobrou o faturamento da locadora em 2 anos
O empreendedorismo sempre fez parte do imaginário de Tiago Rodrigues. Ainda criança, sonhava em abrir um café para vender os bolos feitos pela mãe. Mas foi apenas em 2019 que decidiu transformar o desejo em plano concreto: deixou o emprego fixo e fundou a Modelo Locadora, especializada em locação de equipamentos para construção civil.
O movimento se mostrou acertado. Entre 2023 e 2025, a empresa mais que dobrou o faturamento, saindo de quase R$ 1 milhão para perto de R$ 2 milhões em receita anual. “Fechei 2023 na trave para bater R$ 1 milhão. Em 2025, consegui dobrar esse valor”, afirma.
A experiência de Tiago no setor começou em 2011, quando ingressou como vendedor de equipamentos para locação. Ao longo dos anos, construiu carteira, reputação e conhecimento técnico, ativos que se tornaram decisivos na hora de empreender.
Em 2017, após o falecimento do pai, decidiu deixar a empresa onde trabalhava, na capital paulista, para ficar mais próximo da mãe no interior. A mudança geográfica coincidiu com a identificação de uma lacuna de mercado: havia demanda consistente por equipamentos, mas pouca oferta estruturada.
Ele iniciou a operação de forma enxuta. Comprava equipamentos no varejo, parcelando no cartão de crédito, e os alugava para clientes com quem já mantinha relacionamento. “Comecei pequeno, com poucos equipamentos e muita disciplina para reinvestir tudo o que entrava no caixa”, diz.
Nos primeiros anos, o foco esteve em ferramentas elétricas e máquinas de menor porte, menos intensivas em capital e mais fáceis de operar logisticamente. A estratégia permitiu a geração de caixa inicial sem comprometer excessivamente o fluxo financeiro.
Crescer em um setor intensivo em ativos
O mercado de locação para construção civil é altamente dependente de capital. Para ampliar o portfólio, é preciso investir em máquinas de maior valor agregado, veículos adequados e equipe comercial. Sem escala, a margem fica comprimida.
O ponto de inflexão da Modelo Locadora veio com a captação de R$ 70 mil em crédito orientado junto ao Fundo de Impacto Estímulo. O recurso foi direcionado para duas frentes estratégicas: fortalecimento comercial, com a contratação de duas vendedoras (interna e externa); e expansão logística, com a compra de um caminhão de maior porte.
“O caminhão permitiu trabalhar com andaimes e betoneiras, equipamentos que antes eu não conseguia operar por limitação logística. Isso ampliou minha atuação e teve impacto direto no faturamento”, afirma. A ampliação do portfólio elevou o ticket médio e permitiu atender obras de maior porte, um movimento fundamental para sustentar o salto de receita.
Gestão de caixa e ganho de margem
Com a operação mais robusta, Tiago buscou uma segunda rodada de crédito, superior à primeira. O foco agora é fortalecer o fluxo de caixa, organizar passivos com fornecedores e sustentar o crescimento de forma estruturada.
A próxima etapa envolve aumento de equipe e aquisição de equipamentos de alta demanda, como compactadores de solo, atualmente sublocados de terceiros. “Ter esses equipamentos próprios melhora a margem e aumenta a eficiência da operação”, diz.
A trajetória da Modelo Locadora reflete um padrão comum entre pequenas empresas que escalam em setores tradicionais: crescimento gradual, reinvestimento constante e uso estratégico de crédito.
Em um segmento pressionado por custos logísticos e necessidade de capital intensivo, a combinação de relacionamento comercial, expansão de portfólio e organização financeira permitiu que o negócio avançasse para um novo patamar.
Agora, o desafio deixa de ser apenas vender mais e passa a ser estruturar a empresa para sustentar a próxima fase de crescimento.
Este conteúdo foi produzido pelo Fundo de Impacto Estímulo - que apoia pequenos empreendedores brasileiros com crédito facilitado, capacitação e conexões - em parceria com a EXAME. Para saber mais sobre o Estímulo visite o site do projeto. Leia aqui todas as reportagens já publicadas.
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