Decisões de juros, Jolts e entrevista com Lula: o que move os mercados
Os mercados chegam a esta quinta-feira, 5, ainda digerindo a forte correção registrada na sessão anterior na bolsa brasileira, ao mesmo tempo em que investidores monitoram uma agenda carregada de indicadores econômicos e decisões de política monetária no exterior.
Depois do tombo de 2,14% do Ibovespa — a pior queda diária em quase dois meses —, o foco agora se volta para dados de atividade, reuniões de bancos centrais e balanços corporativos que podem ditar o humor dos ativos ao longo do dia.
A agenda começa cedo na Europa, com a divulgação das encomendas à indústria na Alemanha, às 4h, e da produção industrial na França, às 4h45, ambos referentes a dezembro. Às 7h, o Eurostat publica os dados de vendas no varejo da zona do euro, também de dezembro, oferecendo um termômetro adicional sobre o ritmo da atividade econômica no bloco.
Decisões de juros no radar
O principal destaque do dia, porém, são as decisões de política monetária. Às 9h, o Banco da Inglaterra (BoE) anuncia sua decisão de juros. Pouco depois, às 10h15, é a vez do Banco Central Europeu (BCE), seguido da coletiva de imprensa da presidente da instituição, Christine Lagarde, às 10h45.
No fim do dia, às 16h, o Banco do México (Banxico) também divulga sua decisão de política monetária.
Essas reuniões fazem parte de uma semana marcada por encontros relevantes de bancos centrais ao redor do mundo. Além de BoE, BCE e Banxico nesta quinta, o Banco da Reserva da Índia (RBI) decide os juros na madrugada de quinta para sexta-feira, à 1h30.
Ainda nesta semana, o Banco da Reserva da Austrália (RBA), que deu uma guinada considerada “hawkish” no fim do ano passado, também se reúne, reforçando a atenção dos mercados ao discurso das autoridades monetárias.
Nos Estados Unidos, a agenda econômica traz, às 10h30, os pedidos iniciais de seguro-desemprego referentes à semana encerrada em 30 de janeiro.
Além disso, será divulgada nesta quinta-feira a Pesquisa de Vagas de Emprego e Rotatividade de Mão de Obra (Jolts), que mede a abertura de postos de trabalho. O dado estava inicialmente previsto para terça-feira, 3, mas foi adiado em razão do shutdown do governo americano.
O shutdown teve origem em um impasse político relacionado à pauta de imigração, após parlamentares democratas se recusarem a aprovar recursos para o Departamento de Segurança Interna (DHS). O episódio ganhou contornos mais tensos após a morte de dois manifestantes durante operações de repressão à imigração conduzidas pelo governo de Donald Trump, em Minnesota.
Ontem, porém, a Câmara dos EUA aprovou uma série de leis orçamentárias pendentes, encerrando o segundo shutdown do governo Trump. No mesmo dia, o presidente assinou a lei que pôs fim à paralisação parcial do governo federal, que durou quase quatro dias.
Agenda doméstica e autoridades
No Brasil, a agenda econômica é mais esvaziada, mas ainda traz eventos relevantes. Às 11h30, o Tesouro Nacional realiza leilão de NTN-F e LTN. Às 15h, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulga os dados da balança comercial de janeiro.
Também no campo político, o UOL News recebe nesta quinta-feira, a partir das 11h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma entrevista ao vivo com Daniela Lima, direto do Palácio do Planalto, em Brasília — um evento que pode entrar no radar dos investidores, sobretudo em um momento de maior sensibilidade do mercado a ruídos domésticos.
Balanços corporativos
No calendário corporativo, o dia é marcado pela divulgação de resultados importantes. No Brasil, apresentam balanço Bradesco, Bradespar, Multiplan e Porto Seguro.
Nos Estados Unidos e na Europa, os números de Amazon, Unilever, ConocoPhillips, BNP Paribas, Mitsubishi e Siemens também estão no radar, podendo influenciar o desempenho de ações e setores específicos.
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