DeepSeek usou chip Blackwell, banido da China pelos EUA, para treinar futura IA
O próximo modelo de inteligência artificial da DeepSeek pode estar sendo treinado a partir do chip Blackwell, da Nvidia, para ser lançado na próxima semana. As informações da Reuters apontam aparente quebra da limitação de venda dos semicondutores de ponta dos Estados Unidos à China, definida pelo governo de Donald Trump no ano passado.
Segundo fontes ouvidas pela agência, um funcionário do governo de Donald Trump afirmou que a empresa chinesa estaria utilizando a arquitetura mais recente da fabricante americana de chips. Ele também declarou acreditar que a DeepSeek pode omitir a referência ao Blackwell na ficha técnica do produto final. A fonte não detalhou como Washington teria identificado a suposta comercialização do componente apesar das restrições.
As limitações à exportação de semicondutores avançados foram reforçadas pelo governo Trump no ano passado, sob a justificativa de proteger a liderança tecnológica americana e a segurança nacional. A venda de chips de alto desempenho, essenciais para o treinamento de modelos de IA generativa, passou a exigir autorizações específicas.
Mao Ning, diretora de informação do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou não ter conhecimento do caso e reiterou que Pequim se opõe a restrições comerciais motivadas por disputas ideológicas entre os dois países.
O Blackwell é a geração mais recente de GPUs, sigla para unidades de processamento gráfico voltadas a cargas intensivas de IA. O componente sucede a linha Hopper e é considerado peça central na corrida global por modelos mais avançados.
Chips H200 como alternativa intermediária
No início deste ano, os ministérios da Indústria e Tecnologia da Informação e do Comércio da China aprovaram que a DeepSeek adquirisse chips H200, segunda linha mais potente da Nvidia. A liberação ocorreu semanas após o governo americano autorizar a venda do modelo a empresas chinesas específicas, como ByteDance, Alibaba e Tencent, sob condições restritas.
Salf Khan, ex-diretor de tecnologia e segurança nacional da Casa Branca, afirmou que a dependência de chips Blackwell obtidos de forma irregular evidenciaria a escassez de semicondutores avançados produzidos na China. Segundo ele, a aprovação do H200 funcionaria como uma alternativa emergencial para empresas locais. Empresas chinesas teriam encomendado mais de 2 milhões de unidades do H200, volume superior ao estoque disponível da Nvidia.
Trump chegou a mencionar a possibilidade de autorizar uma versão do Blackwell com desempenho reduzido entre 30% e 50%, como forma de limitar o avanço chinês no setor. Já Chris McGuire, que atuou no Conselho de Segurança Nacional durante o governo de Joe Biden, avaliou que a exportação irrestrita de processadores de ponta para a China representa risco estratégico.
Em paralelo às restrições, empresas chinesas intensificam o desenvolvimento de alternativas domésticas. A Alibaba, por exemplo, anunciou recentemente a IA Qwen3.5, com foco em multifuncionalidade e maior independência tecnológica. O movimento indica que, apesar das barreiras comerciais, a disputa por liderança em IA segue acelerada tanto no campo diplomático quanto no industrial.
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