Demanda por IA fará poluição por dióxido de carbono aumentar um terço até 2030, diz pesquisa
As emissões de dióxido de carbono decorrentes da fabricação de semicondutores chegarão a 247 milhões de toneladas métricas até 2030, o que implica no crescimento de um terço em comparação com os dados atuais. Uma pesquisa feita pela TechInsights aponta que o aumento também acarretará mais custos para gerenciar as emissões, dificultando o controle de prejuízos ambientais em um futuro próximo.
A fabricação em países que possuem redes elétricas apoiadas em combustíveis fósseis, como Singapura e Japão, será uma das principais responsáveis pelo crescimento desenfreado de poluição. Em 2024, Singapura tinha 95,1% de participação em geração de eletricidade com base em combustíveis fósseis; o país era seguido por Taiwan, com 84,9%. As informações são de um gráfico da empresa de energia Ember.
A pesquisa também aponta que consumo de energia e gases fluorados também impactam na poluição gerada pela indústria de tecnologia, ainda que os componentes destinados a chips sejam os maiores riscos. Os chips de memória de alta largura de banda (HBM), subconjunto da memória DRAM, deverão consumir até 5 vezes mais energia do que outros modelos, analisou uma pesquisa da Silicon Analysts. Entre as principais produtoras de HBM, estão a Samsung, a SK Hynix e a Micron Technology Inc., que começaram a direcionar esforços para iniciativas ambientais, como sistemas que tratam gases de processo e depuradores avançados.
“O aumento expressivo da HBM e de outras memórias avançadas, impulsionado pela IA, elevará provavelmente as emissões da fabricação de semicondutores em termos absolutos", comentou o pesquisador sênior Stephen Russell, da TechInsights. De acordo com ele, a situação fará com que o número de wafers de memória, que são as placas de semicondutores, seja ampliado e o processo de fabricação se torne cada vez mais complexo.
Investimentos bilionários agilizarão produção
Recentemente, as empresas Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft confirmaram que gastarão US$ 650 bilhões ao longo de 2026 para acelerar o crescimento do mercado de inteligência artificial. O foco dos recursos financeiros será a construção de mais centros de processamento de dados e infraestrutura para a fabricação de chips avançados, que equiparão softwares que necessitam de dezenas de milhares de dólares para funcionarem de forma satisfatória.
O momento é de disputa por empresas que possam oferecer tais recursos; isso tem feito com que alternativas aos produtos da Nvidia, líder de mercado, surjam. Entre 2024 e 2025, empresas chinesas como Hygon Information Technology e Cambricon Technologies registraram forte crescimento ao se tornarem alternativas à Nvidia, temporariamente impedida de vender seus chips mais avançados à China por embates comerciais com os Estados Unidos. A Hygon ampliou sua receita em 45% ao ano, enquanto a Cambricon triplicou seu faturamento anual no período.
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