Dessalinização pode reduzir em até 10 vezes o custo da água para indústrias brasileiras, diz estudo

Por Sofia Schuck 13 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dessalinização pode reduzir em até 10 vezes o custo da água para indústrias brasileiras, diz estudo

Uma usina de dessalinização no Espírito Santo já produz água suficiente para atender cerca de 80 mil pessoas.

Em Fernando de Noronha, outra planta baseada em osmose reversa aumentou em 122% a oferta do recurso natural e eliminou o racionamento que limitava atividades econômicas. Na famosa ilha paradisíaca, o crescimento do turismo aumentou em 69,4% a receita do setor.

Os dois projetos ilustram uma tecnologia que começa a ganhar espaço no Brasil: a dessalinização da água.

Um novo estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que este processo pode reduzir em até dez vezes o custo da água para as indústrias brasileiras em comparação às tarifas cobradas por concessionárias de saneamento.

Segundo a CNI, a solução pode ser uma resposta rumo à autonomia hídrica e redução da exposição das empresas a cenários de escassez, cada vez mais frequentes com eventos climáticos extremos.

Além de garantir maior segurança hídrica, a tecnologia também pode reduzir a pressão sobre mananciais de água doce e ampliar a previsibilidade das operações.

Os pesquisadores destacam experiências principalmente no setor de mineração, em regiões onde a disponibilidade de água doce é limitada. Nesses casos, a dessalinização permite manter as atividades produtivas sem aumentar o estresse sobre recursos hídricos locais.

De acordo com o levantamento, o custo da água dessalinizada no país varia entre R$ 2,63 e R$ 4,21 por metro cúbico (m³) — o equivalente a cerca de US$ 0,5 a US$ 0,8, considerando a cotação do dólar a R$ 5,26.

Em algumas regiões, as tarifas industriais de água e esgoto podem ser muito mais altas. No Rio de Janeiro, por exemplo, o valor do metro cúbico chega a R$ 43,29.

As tarifas industriais correspondem aos valores pagos pelo setor privado às concessionárias públicas ou privadas para o fornecimento de água potável e para a coleta e o tratamento de efluentes gerados na produção.

Esses preços costumam ser mais elevados do que os cobrados de consumidores residenciais, já que a atividade nas indústrias envolve volumes maiores de consumo e exigências adicionais de qualidade e tratamento dos resíduos antes do descarte na rede pública.

“A dessalinização permite que a indústria desvincule o crescimento da disponibilidade limitada de água doce e garante previsibilidade às operações, mesmo em situações de pouca oferta ou quando ocorrem secas prolongadas”, afirma Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.

Como funciona a tecnologia?

A dessalinização consiste na remoção de sal e outros minerais da água do mar ou de águas salobras, tornando-a adequada para consumo humano e para o setor produtivo.

A água salobra é aquela que possui concentração de sal maior que a água doce, mas menor que a do mar, sendo comum em estuários, regiões costeiras e aquíferos subterrâneos.

O método mais utilizado atualmente é a osmose reversa. Nesse processo, a água é submetida a pressão e passa por membranas semipermeáveis capazes de reter sais e impurezas dissolvidas.

Segundo dados do Banco Mundial, mais de 150 países utilizam essa tecnologia para abastecer cerca de 300 milhões de pessoas no mundo.

No Brasil, no entanto, ainda não existe uma estimativa consolidada sobre a produção de água dessalinizada. Segundo especialistas, o maior desafio é a ausência de uma regulação específica para a atividade.

Em várias regiões, a dessalinização se tornou essencial para garantir o recurso natural escasso. Na Arábia Saudita, país mais dependente da tecnologia, o processo responde por mais de 86% do abastecimento de água potável, agrícola e industrial, com capacidade instalada de cerca de 12,5 milhões de metros cúbicos por dia.

Já em Israel, o processo já representa aproximadamente 80% de toda a água produzida no país.

Potencial brasileiro inexplorado

Apesar da baixa adoção até agora, a organização destaca que o Brasil reúne características consideradas favoráveis para a expansão da tecnologia.

O país possui cerca de 7.500 quilômetros de litoral distribuídos por 17 estados, além de uma grande concentração populacional próxima à costa.

Mais de 111 milhões de brasileiros vivem em uma faixa de até 150 quilômetros do mar, o que facilita a logística de distribuição da água produzida.

Outro fator apontado pelo estudo é a disponibilidade de fontes renováveis de energia, especialmente solar e eólica. A eletricidade representa entre 40% e 60% dos custos operacionais de uma planta de dessalinização, o que torna a oferta de energia limpa um diferencial competitivo.

Desafios regulatórios

Apesar do avanço tecnológico e do custo competitivo, a CNI aponta que a expansão da dessalinização no Brasil ainda depende de avanços no ambiente regulatório.

Entre os principais desafios estão a complexidade do licenciamento ambiental e a ausência de um marco legal específico para o descarte da salmoura, subproduto gerado no processo de dessalinização.

Segundo a organização, a criação de regras mais claras poderia reduzir incertezas e estimular novos investimentos na área, permitindo que o país amplie o uso da tecnologia para enfrentar cenários de escassez hídrica e apoiar o crescimento industrial.

1/45 Vivo: companhia foi a empresa do ano no Melhores do ESG (Vivo: companhia foi a empresa do ano no Melhores do ESG)

2/45 Totvs: destaque na categoria Telecomunicações, Tecnologia e Mídia (Totvs: destaque na categoria Telecomunicações, Tecnologia e Mídia)

3/45 LWSA: destaque na categoria Telecomunicações, Tecnologia e Mídia (LWSA: destaque na categoria Telecomunicações, Tecnologia e Mídia)

4/45 3Tentos: vencedora na categoria Agronegócio (3Tentos: vencedora na categoria Agronegócio)

5/45 SLC Agrícola: destaque na categoria Agronegócio (SLC Agrícola: destaque na categoria Agronegócio)

6/45 Kepler Weber: empresa encerrou terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 51,6 milhões, uma queda de 13,5% em relação ao mesmo período do ano passado (Kepler Weber: destaque na categoria Agronegócio)

7/45 Mondelez: vencedora na categoria Alimentos e Bebidas (Mondelez: vencedora na categoria Alimentos e Bebidas)

8/45 Danone: destaque na categoria Alimentos e Bebidas (Danone: destaque na categoria Alimentos e Bebidas)

9/45 Ambev: destaque na categoria Alimentos e Bebidas (Ambev: destaque na categoria Alimentos e Bebidas)

10/45 Magazine Luiza: vencedora da categoria Atacado, Varejo e E-commerce (Magazine Luiza)

11/45 Leroy Merlin: destaque da categoria Atacado, Varejo e E-commerce (Leroy Merlin: destaque da categoria Atacado, Varejo e E-commerce)

12/45 Mercado Livre: maior dia de vendas da história aconteceu no 11.11, com alta de 56% nos acessos. (Mercado Livre: destaque na categoria Atacado, Varejo e E-commerce)

13/45 Randoncorp: vencedora da categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos (Randoncorp: vencedora da categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos)

14/45 WEG: destaque na categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos (WEG: destaque na categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos)

15/45 Electrolux: destaque na categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos (Electrolux: destaque na categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos)

16/45 MRV: vencedora na categoria Construção civil e Imobiliário (MRV: vencedora na categoria Construção civil e Imobiliário)

17/45 Allos: destaque na categoria Construção civil e Imobiliário (Allos: destaque na categoria Construção civil e Imobiliário)

18/45 Tegra: destaque na categoria Construção civil e Imobiliário (Tegra: destaque na categoria Construção civil e Imobiliário)

19/45 Copel: vencedora na categoria Energia (Copel: vencedora na categoria Energia)

20/45 Isa Energia: destaque na categoria Energia (Isa Energia: destaque na categoria Energia)

21/45 Cemig: destaque na categoria Energia (Cemig: destaque na categoria Energia)

22/45 Grupo Boticário: vencedora na categoria Farmacêutico e Beleza (Grupo Boticário: vencedora na categoria Farmacêutico e Beleza)

23/45 Natura: destaque na categoria Farmacêutico e Beleza (Natura: destaque na categoria Farmacêutico e Beleza)

24/45 Eurofarma: destaque na categoria Farmacêutico e Beleza (Eurofarma: destaque na categoria Farmacêutico e Beleza)

25/45 Gerdau: vencedora da categoria Mineração, Siderurgia e Metalurgia (Gerdau: vencedora da categoria Mineração, Siderurgia e Metalurgia)

26/45 ArcelorMittal: destaque na categoria Mineração, siderurgia e Metalurgia (ArcelorMittal: destaque na categoria Mineração, siderurgia e Metalurgia)

27/45 Companhia Brasileira de Alumínio: na categoria Mineração, siderurgia e Metalurgia (Companhia Brasileira de Alumínio: na categoria Mineração, siderurgia e Metalurgia)

28/45 Lojas Renner: vencedora na categoria Moda e Vestuário (Lojas Renner: vencedora na categoria Moda e Vestuário)

29/45 C&A entra em nova fase de expansão, afirma Citi (C&A: destaque na categoria Moda e Varerjo)

30/45 Gupo Malwee: destaque na categoria Moda e Varejo (Gupo Malwee: destaque na categoria Moda e Varejo)

31/45 Klabin: vencedora na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais (Klabin: vencedora na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais)

32/45 Suzano: destaque na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais (Suzano: destaque na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais)

33/45 Tetra Pak: destaque na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais (Tetra Pak: destaque na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais)

34/45 Ultragaz: vencedora na categoria Petróleo, Gás e Químico (Ultragaz: vencedora na categoria Petróleo, Gás e Químico)

35/45 Vibra aumenta participação no mercado, mas margens seguem pressionadas (Vibra: destaque na categoria Petróleo, Gás e Químico)

36/45 Unipar: destaque na categoria Petróleo, Gás e Químico (Unipar: destaque na categoria Petróleo, Gás e Químico)

37/45 Hospital Israelita Albert Einstein: vencedor na categoria Saúde (Hospital Israelita Albert Einstein: vencedor na categoria Saúde)

38/45 Sabin: destaque na categoria Saúde (Sabin: destaque na categoria Saúde)

39/45 Fleury: destaque na categoria Saúde (Fleury: destaque na categoria Saúde)

40/45 EcoRodovias: ganhadora da categoria Transporte e Logística (EcoRodovias: ganhadora da categoria Transporte e Logística)

41/45 Motiva (ex-CCR): destaque na categoria Transporte e Logística (Motiva (ex-CCR): destaque na categoria Transporte e Logística)

42/45 Localiza: destaque na categoria Transporte e Logística (Localiza: destaque na categoria Transporte e Logística)

43/45 Aegea: vencedora na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular (Aegea: vencedora na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular)

44/45 Sabesp: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular (Sabesp: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular)

45/45 Orizon: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular (Orizon: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular)

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: