Dias antes de morrer, Maradona não reconhecia mais familiares, diz enfermeira
A enfermeira Cinthya Córdoba afirmou nesta terça-feira, em depoimento à Justiça argentina, que Diego Armando Maradona apresentou um episódio de confusão e agitação poucos dias antes de sua morte, em novembro de 2020. Segundo ela, o ex-jogador chegou a não reconhecer pessoas ao seu redor e dizia estar sendo perseguido.
Córdoba integrava a equipe de profissionais que acompanhavam Maradona durante o tratamento domiciliar realizado em uma residência nos arredores de Buenos Aires, entre os dias 11 e 25 de novembro, data em que o ídolo argentino morreu.
Em seu relato ao tribunal, a enfermeira descreveu um episódio ocorrido na madrugada de 14 de novembro. “Ele se exaltou do nada, não reconhecia ninguém e dizia que estava sendo perseguido”, afirmou. De acordo com a testemunha, o ex-jogador chegou a pedir que ela deixasse o local por acreditar que se tratava de uma ameaça.
A profissional também relatou dificuldades de comunicação com a equipe médica responsável. Segundo Córdoba, ao informar o episódio à psiquiatra Agustina Cosachov — uma das rés do processo — recebeu uma resposta considerada desdenhosa. Após o caso, afirmou que os enfermeiros foram orientados a não manter contato direto com os médicos responsáveis, sob risco de desligamento.
Ainda de acordo com o depoimento, as informações sobre o estado de saúde de Maradona deveriam ser repassadas exclusivamente à médica Nancy Forlini, responsável pela área de cuidados domiciliares da Swiss Medical. A decisão, segundo áudio exibido no julgamento, foi tomada em conjunto com Cosachov.
Agravamento do quadro clínico
A enfermeira também afirmou ter identificado inchaços nas pernas do ex-jogador nos dias 13 e 21 de novembro, indícios que, segundo a acusação, poderiam sinalizar agravamento do quadro clínico.
Maradona morreu no dia 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em decorrência de um edema agudo de pulmão associado a insuficiência cardíaca crônica, conforme apontou laudo da autópsia.
O julgamento também ouviu o médico Jorge Macia, que avaliou neurologicamente o ex-atleta em 12 de novembro. Ele declarou que, naquele momento, Maradona estava lúcido, sem sinais de déficit neurológico ou doença crônica.
Além de Cosachov e Forlini, são réus no processo o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, o psicólogo Carlos Díaz, o coordenador de enfermagem Mariano Perroni e o enfermeiro Ricardo Almirón. Todos respondem por homicídio simples com dolo eventual — quando se assume o risco de provocar a morte.
Há 40 anos, Maradona encantava o mundo com o 'Gol do Século'
O futebol relembrou na semana passada os 40 anos de um dos momentos mais icônicos de sua história: o chamado “Gol do Século”, marcado por Diego Armando Maradona contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa do Mundo do México de 1986.
Mais do que um lance genial, o gol simboliza a combinação entre contexto histórico, rivalidade política e a expressão máxima do talento de um jogador.
Muito além de um jogo
O confronto entre Argentina e Inglaterra em 1986 estava carregado de tensão. Apenas quatro anos antes, os dois países haviam travado a Guerra das Malvinas (Falklands), conflito que deixou centenas de mortos e profundas marcas políticas.
Nesse cenário, a partida no Estádio Azteca, na Cidade do México, assumiu um significado que ultrapassava o esporte. Para muitos argentinos, vencer os ingleses representava uma espécie de revanche simbólica.
O “Gol do Século”
Aos 10 minutos do segundo tempo, Maradona recebeu a bola ainda em seu próprio campo e iniciou uma jogada histórica. Em cerca de 10 a 11 segundos, percorreu aproximadamente 55 a 60 metros, driblando cinco jogadores ingleses — Beardsley, Reid, Butcher (duas vezes), Fenwick — antes de superar o goleiro Peter Shilton.
Com informações da EFE
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: