Diretor de 'Senhor dos Anéis' quer ressuscitar uma ave extinta desde a Idade Média

Por Paloma Lazzaro 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Diretor de 'Senhor dos Anéis' quer ressuscitar uma ave extinta desde a Idade Média

Peter Jackson, o cineasta neozelandês por trás da trilogia "O Senhor dos Anéis", investiu cerca de US$ 15 milhões em um projeto para trazer de volta à vida o moa gigante, ave extinta há aproximadamente 600 anos na Nova Zelândia.

A iniciativa é liderada pela empresa americana de biotecnologia Colossal Biosciences, que já havia ganhado notoriedade ao anunciar experimentos de "desextinção" do lobo-terrível e do mamute lanoso.

"Para mim, desextinguir o moa seria tão emocionante, se não mais, do que qualquer filme que eu poderia fazer", disse Jackson à ScreenRant. "Já fiz muitos filmes, mas ver o moa gigante de volta seria um nível de emoção que superaria qualquer coisa neste momento da minha vida."

O diretor neozelandês tem um patrimônio de US$ 1,9 bilhão, de acordo com o ranking de bilionários da Forbes. Ele chegou à marca do bilhão em 2021, quando vendeu a divisão de tecnologia de sua empresa de efeitos visuais, Wētā FX, para a Unity Software por US$ 1,6 bilhão.

Jackson, cujo último longa-metragem de ficção foi "O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos", em 2014, afirmou à ScreenRant que está trabalhando em três roteiros simultaneamente e produzindo "A Caça a Gollum", previsto para estrear em dezembro de 2027.

Mas é o moa que parece ocupar o centro de sua imaginação por ora. "É bom trabalhar em algo pelo qual você se sente apaixonado e que não tem nada a ver com cinema", disse à Forbes. "É um sopro de ar fresco."

A ave e seu desaparecimento

O moa gigante era a maior ave já registrada na Terra, capaz de alcançar 3,6 metros de altura e pesar até 230 quilos. Herbívoro e sem asas, ele habitou as florestas da Ilha Sul da Nova Zelândia por milhares de anos, sem predadores naturais relevantes.

Quando os primeiros colonizadores polinésios chegaram ao país, no final do século 13, a ave tornou-se alvo fácil de caça. Seu caso foi semelhante ao do Dodo e, em menos de 150 anos, o moa havia desaparecido.

"Sempre foi parte do nosso zeitgeist como nação", disse Jackson à Forbes. "Mas é uma criatura que ninguém vivo hoje já viu. Sempre houve aquela sensação elusiva de 'como seria estar na companhia de um deles?' É uma ideia de tirar o fôlego."

Como funciona o projeto de ressuscitar o moa?

O plano da Colossal Biosciences envolve extrair DNA de fósseis do moa e editar genes de indivíduos de espécies vivas que são suas parentes mais próximas, como emas. A partir disso, a empresa irá produzir embriões com características próximas às da espécie extinta.

A empresa afirma ter solucionado um dos principais obstáculos técnicos do projeto ao desenvolver um "ovo artificial". Ele é um dispositivo de incubação controlado capaz de sustentar o embrião até a eclosão, já que um ovo de moa pode ser até oito vezes maior que um ovo de ema.

A tecnologia já teria sido usada com sucesso para gerar pintinhos em laboratório.

A empresa estima conseguir resultados em cinco a dez anos. Qualquer moa obtido no processo não seria solto na natureza, mas mantido em reservas ecológicas isoladas. A solução é semelhante à adotada com os filhotes do lobo-terrível, que vivem em um enclave de 2 mil acres na América do Norte.

Jackson contribui com o projeto de outra forma além do investimento financeiro. O cineasta é um colecionador de ossos de moa e disponibilizou seu acervo pessoal para que cientistas extraiam material genético da ave.

Sua empresa de efeitos visuais, a Weta Workshop, chegou a criar uma versão computadorizada do animal que "caminha" pelas instalações da companhia.

A pesquisa conta ainda com a participação do Centro de Pesquisa Ngāi Tahu, ligado à Universidade de Canterbury, na da Nova Zelândia.

Críticas ao projeto

O anúncio provocou ceticismo entre especialistas. Nic Rawlence, professor de DNA antigo na Universidade de Otago e um dos maiores especialistas no moa, foi direto ao The Guardian: "Isso é Jurassic Park com chances muito baixas de sucesso."

Para ele, o que a Colossal faz não é trazer espécies extintas de volta, mas criar animais geneticamente modificados com algumas características delas. "Para dizer que criaram um lobo-terrível é farsesco, eles criaram um lobo cinza personalizado. E será o mesmo com o que fizerem com o moa."

A bióloga evolutiva Tori Herridge, da Universidade de Sheffield, que recusou um convite para integrar o conselho da Colossal, vai na mesma linha. "A desextinção é possível? Não, não é possível. O que se poderia fazer — veremos — é criar um organismo geneticamente modificado que pode conter algumas características de aparência ligadas a uma espécie anteriormente extinta. Usar o termo 'desextinção' nos permite pular as perguntas difíceis", disse ao The Guardian.

Herridge também questiona se características comportamentais, aprendidas e transmitidas culturalmente, poderiam ser reconstituídas apenas a partir do genoma.

A Colossal rejeita as críticas. O professor Andrew Pask, que trabalha no projeto, argumenta que a tecnologia de desextinção é a única saída para espécies presas em um ciclo de declínio irreversível. "Dizer que não é possível simplesmente não é verdade. É difícil. É complexo. Mas temos todas as ferramentas para fazê-lo", disse ao The Guardian.

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