Dividendo extraordinário do BB está totalmente descartado, diz CFO
O Banco do Brasil descartou a possibilidade de distribuir dividendos extraordinários neste ano diante da piora do cenário de crédito, do aumento das provisões e da revisão para baixo das projeções financeiras do banco. Durante coletiva de imprensa sobre os resultados do 1° trimestre, nesta quinta-feira, 14, o vice-presidente financeiro do banco, Geovanne Tobias, afirmou que a hipótese já não está mais no radar da instituição.
"Sem dúvida alguma, dado o cenário e a revisão que a gente propôs, está totalmente descartada essa possibilidade de falar em dividendos extraordinários", disse o executivo.
A fala ocorre após o Banco do Brasil reportar um lucro líquido consolidado de R$ 3,1 bilhões entre janeiro e março de 2026, uma queda de 54,4% em relação aos R$ 6,8 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
O resultado foi pressionado principalmente pelo avanço das provisões para perdas com crédito, concentradas na carteira do agronegócio. As perdas esperadas associadas ao risco de crédito somaram R$ 16,6 bilhões no trimestre, alta de 44,8% na comparação anual.
Além disso, as baixas para prejuízo (write-offs) praticamente dobraram no período, passando de R$ 8,5 bilhões para R$ 16,5 bilhões.
O aumento das despesas financeiras também afetou a rentabilidade do banco. Enquanto a receita de intermediação financeira cresceu 21,2%, para R$ 75,1 bilhões, as despesas avançaram em ritmo maior, de 34,6%, alcançando R$ 50,2 bilhões, pressionadas pelo nível elevado da Selic e pelo maior custo de captação.
Com isso, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) anualizado caiu para cerca de 6,4%, ante 14,1% no primeiro trimestre de 2025.
Projeções são revisadas
Diante da deterioração do cenário, o Banco do Brasil também revisou suas projeções para 2026. A expectativa para o lucro líquido ajustado foi reduzida da faixa entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para um intervalo entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
Ao mesmo tempo, o banco elevou sua projeção para o custo do crédito, agora estimado entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões, acima da previsão anterior, de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões.
A inadimplência segue sendo o principal ponto de atenção da instituição, especialmente no agronegócio. O índice de créditos classificados no Estágio 3 da carteira rural ficou em 8,88% ao fim de março.
Segundo o banco, fatores climáticos adversos e os juros elevados impactaram a capacidade de pagamento dos produtores rurais.
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