Do esporte de alto rendimento ao legado, VGV de R$ 1,2 bi redesenha Itapema

Por Rafael Martini 6 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Do esporte de alto rendimento ao legado, VGV de R$ 1,2 bi redesenha Itapema

No início do século XX, as terras próximas ao mar em Itapema, no litoral norte de Santa Catarina, eram vistas com certo desdém. O valor estava no interior, onde o solo era fértil para o café e o algodão.

Foi nesse cenário que o bisavô de Eduardo Pastor, Edgar von Buettner, à frente da centenária indústria têxtil Buettner, começou a adquirir glebas que, mais tarde, seriam atravessadas pela BR-101 até o Atlântico.

Fundada em 1898, em Brusque (SC), a companhia foi uma das principais indústrias do país na segunda metade do século XX e, a partir dos anos 2000, passou por um ciclo de dificuldades e reestruturação.

A área reunia aproximadamente 6 milhões de m², o equivalente a cerca de 10% do território de Itapema, que possui 58,21 km², segundo o IBGE.

Hoje, essas mesmas coordenadas geográficas sustentam um dos metros quadrados mais valorizados do Brasil. Com média próxima de R$ 14,8 mil por m², Itapema ocupa a segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de Balneário Camboriú (SC) e à frente de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, segundo o índice FipeZAP.O valor é cerca de 54% superior à média brasileira, consolidando o litoral norte catarinense como o principal eixo de valorização imobiliária do país.

Mais do que um movimento pontual, trata-se de uma mudança estrutural: cidades médias com forte apelo turístico e restrição geográfica passam a capturar demanda de alto padrão que antes se concentrava nas capitais. O litoral Norte de SC é o maior exemplo desta tendência.

Nesse contexto, a atuação de Eduardo Pastor ganha escala estratégica. Aos 42 anos, ele não percorreu o caminho óbvio do herdeiro imobiliário. Antes de assumir a gestão das terras da família, foi atleta profissional de natação, acumulando títulos brasileiros e uma formação em Educação Física antes de migrar para a Administração.

A disciplina das piscinas — rotina, repetição e busca por performance — tornou-se um ativo competitivo na gestão. Foi com essa lógica que, em 2012, ele fundou a Sunprime Empreendimentos com um objetivo claro: elevar o padrão arquitetônico e reposicionar o produto imobiliário da região.

A Sunprime iniciou sua trajetória em ruas de areia que hoje abrigam alguns dos empreendimentos mais valorizados do litoral brasileiro. Sob a liderança de Pastor, a empresa rompeu com o outrora amadorismo local ao buscar escritórios de arquitetura renomados, incorporar referências internacionais e apostar na diferenciação como estratégia central.

O portfólio atual, que soma mais de R$ 1,2 bilhão em Valor Geral de Venda (VGV), inclui projetos premiados internacionalmente, como o Edifício Era, e o recém-anunciado Sion, o primeiro “frente mar” da incorporadora no promissor bairro Perequê.

“Eu venho com cabeça de atleta para dentro da empresa. Disciplina, resiliência e uma competitividade saudável para fazer o melhor. No início, me incomodava ver prédios iguais e de baixa qualidade arquitetônica. Decidimos que a Sunprime seria o veículo para mudar o mercado, trazendo o design para o protagonismo”, afirma Eduardo Pastor, fundador e CEO da Sunprime Empreendimentos.

As operações da Sunprime também avançam para a vizinha Porto Belo, consolidando um eixo de expansão que acompanha a própria dinâmica do mercado regional.

A cidade recebe empreendimentos como o Sion, projeto que faz referência ao Monte Sião e propõe o “resgate do sagrado” como conceito central. O terreno já foi parte de uma antiga casa de veraneio pertencente à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, de Nova Trento (SC) — ordem fundada por Santa Paulina — e esse histórico foi um pré-requisito para a negociação. Por décadas, o local foi espaço de descanso, convívio e espiritualidade para as religiosas e seus familiares.

O projeto marca também a entrada mais clara da Sunprime em uma tendência global do setor: o wellness real estate. Mais do que metragem e localização, os empreendimentos passam a incorporar atributos ligados à saúde física e mental, qualidade de vida e longevidade.

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No caso do Sion, isso se traduz em spas sofisticados, academias de alto padrão, áreas de contemplação e um espaço ecumênico voltado à meditação e oração — elementos que dialogam diretamente com a história do terreno e com uma demanda crescente por experiências residenciais mais completas.

“O projeto reconhece esse passado como parte de sua essência. Em vez de romper com essa memória, escolhe acolhê-la, preservando a atmosfera de respeito, pausa e contemplação que sempre marcou o lugar”, afirma Eduardo Pastor.

Com 29 pavimentos e 86 unidades, o Sion desafiou o escritório Castro Arquitetos, sob liderança de Rafael Castro, a desenvolver uma linguagem atemporal, fluida e integrada à paisagem. A proposta busca equilibrar sofisticação e pertencimento, criando um produto que não apenas ocupa o território, mas dialoga com ele — uma abordagem cada vez mais valorizada em mercados maduros.

Esse movimento ocorre em paralelo a transformações estruturais em Itapema, que ampliam ainda mais o potencial de valorização. Projetos como o alargamento da faixa de areia e a construção de uma marina de padrão internacional reforçam a atratividade da cidade para um público de maior renda e ampliam o ciclo de investimentos. A combinação entre infraestrutura, escassez de terrenos e demanda qualificada cria um ambiente típico de mercados premium.

Nesse cenário, Eduardo Pastor mantém a lógica iniciada por seu bisavô: identificar valor antes da maioria. A diferença é que, agora, essa leitura é apoiada por dados, tendências globais e uma estratégia clara de posicionamento. Entre o legado centenário e a busca por inovação, a Sunprime avança como um dos agentes que ajudam a redefinir não apenas o skyline de Itapema, mas o próprio papel da cidade no mapa imobiliário brasileiro.

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