Do estádio às ruas: a experiência da EXAME vendo o Brasil na Copa do Mundo em Miami
*MIAMI - Esporte mais popular do planeta, o futebol tem sua celebração máxima a cada quatro anos: a Copa do Mundo.
Neste ano, pela primeira vez em sua história, o torneio está sendo realizado em três países: Canadá, EUA e México. A outra novidade é que a Copa ficou mais inchada, com 48 seleções.
E quando se fala em Copa do Mundo, o interesse do brasileiro aumenta, já que somos a única nação até hoje que disputou todas as edições e também a com mais títulos – a espera pelo hexa vem desde 2006.
Este repórter teve a oportunidade de vivenciar o último jogo da Seleção pela fase de grupos. A partida contra a Escócia, em Miami, mostrou, novamente, Vini Jr. com sede de gols e mais gols, enquanto Neymar, que teve seu nome gritado por boa parte da torcida no Hard Rock Stadium, não consegue nem mais efetuar uma de suas principais marcas da carreira: o drible. “Sou neymarzete, mas ele não tem mais condições de jogar”, disse um torcedor ao final do jogo, que teve lotação máxima – quase 65 mil pessoas.
Para quem pensou que a torcida brasileira fosse barulhenta, não imaginava do que era capaz a turma de kilt e gaita de fole. Durante toda a partida, mesmo quando o placar marcava 3 a 0, os escoceses cantavam o seu Tartan Army, pegando carona no hit do White Stripes.
A EXAME esteve hospedada na Chopin Plaza, bem em frene à Fan Fest da Fifa, instalada no Bayfront Park, de cara com o rio Miami. Pessoas de dezenas de países se confraternizando e fazendo ativações de patrocinadores – poderia ser a ONU que deu certo. Tudo isso a mais de 30 graus de temperatura.
A Fan Fest de Miami em Downtown (Luiz Anversa / EXAME)
Um ponto muito nítido na cidade é a carência de transporte público. Nos quarteirões visitados pelo repórter, só carros e mais carros. E dos grandes. Alguns modelos usariam duas vagas tranquilamente para estacionar nos shoppings paulistanos.
Da Venezuela ao Cazaquistão
O transporte por aplicativo funciona bem. Poucos minutos de espera. O repórter teve contato com dois motoristas em três dias de estadia na cidade: um da Venezuela e outro do Cazaquistão.
O primeiro me levou até o Hard Rock Stadium na véspera do jogo do Brasil. No trajeto de 30 minutos do hotel ao estádio, o venezuelano Giuseppe me contou que chegou a Miami há três anos e que sua grande paixão esportiva é a Fórmula 1.
A categoria realiza uma prova na cidade da Flórida, exatamente no Hard Rock Stadium, que também é a casa do Miami Open de tênis e do Miami Dolphins, tradicional time de futebol americano e único a vencer o campeonato de forma invicta até hoje. Perguntei a Giuseppe se tinha notícias de parentes que estão em seu país hoje, após a intervenção dos EUA no começo do ano. “Ainda não está bem, mas acho que vai melhorar”, falou.
Sobre o presidente deposto, Nicolás Maduro, foi direto: “Não dava mais.” Deu tempo até para lembrar de Hugo Chávez: “Ele tinha carisma e liderou um bloco alinhado num período histórico da América Latina. Hoje, Lula está sozinho”, lembrando do presidente brasileiro.
Na volta do estádio, o motorista da vez foi Bilial, do Cazaquistão. Também há três anos nos EUA, veio da Rússia e hoje não tem mais ligação com seu país da Ásia Menor, que um dia fez parte da União Soviética. Apaixonado por futebol, ligou até o tablet no carro para assistirmos ao show de Portugal contra o Uzbequistão (“sem rivalidade”, segundo ele), acha Messi “espetacular, o melhor de todos”. Brincou que quase não vai para aquela região em que o repórter estava hospedado. “Só tem gente maluca lá. E o trânsito é insano.”
Brickell, a 'Faria Lima' de Miami (Luiz Anversa / EXAME)
A “downtown” de Miami, tem seus contrastes. Brickell está nesta região, com seus gigantes de concreto envidraçados, numa espécie de Faria Lima à beira-mar. Para morar ali, os interessados devem desembolsar mais de R$ 240 mil por metro quadrado, segundo dados do site Metro Quadrado. Em São Paulo, áreas nobres como Itaim e Jardins, o preço do metro quadrado ultrapassa os R$ 100 mil.
Caminhando ruas adentro nesta área de Miami, é possível ver lojas de departamentos muito queridas por brasileiros, além das farmácias, que são um minimercado. Porém, também é possível ver pessoas em situação de rua. Até o tipo de comércio muda, com portas velhas e letreiros desbotados. A desigualdade também mostra a cara em Miami.
*O jornalista viajou a convite da Clear.
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