Dois brasileiros criaram uma IA que monta seu treino — e ela vai faturar R$ 25 milhões

Por Bianca Camatta 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dois brasileiros criaram uma IA que monta seu treino — e ela vai faturar R$ 25 milhões

O Brasil já soma mais de 56,8 mil academias, segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil 2024.

Mesmo com a expansão do setor, muitos frequentadores de academias ainda enfrentam dificuldades para montar treinos adequados aos seus objetivos ou contratar acompanhamento personalizado.

De olho nessa lacuna, nasce o Befit, aplicativo de treino de força e musculação que utiliza inteligência artificial para criar planos de treino personalizados para os usuários. Lançado em janeiro de 2025, o aplicativo encerrou seu primeiro ano completo de operação com faturamento de R$ 5 milhões.

Para 2026, a projeção é crescer esse valor em cinco vezes, chegando a R$ 25 milhões. O salto deve ser impulsionado pela expansão internacional e pelo lançamento de novas funcionalidades.

Como surgiu a Befit

Carlos Terceiro já empreende na área de tecnologia desde 2013, quando criou o Mobills, um aplicativo de gestão de finanças pessoais, que foi vendido para o Santander, em 2021.

"Eu passei anos focado apenas no trabalho e deixei a saúde de lado. Quando completei 30 anos e vendi minha primeira empresa, percebi que precisava me cuidar melhor. Comecei a treinar musculação e descobri uma paixão que mudou completamente minha rotina”, diz o empreendedor.

Um dos empecilhos que identificou quando começou uma vida mais saudável foi a dificuldade de colegas que não podiam pagar para saber quais exercícios realizar. Foi dessa percepção que decidiu criar um aplicativo, com planos mais acessíveis que um de personal, para democratizar o acesso a treinos personalizados.

O desenvolvimento começou em 2024 com recursos próprios. Para o projeto, Terceiro se uniu a Claret Sabioni, executivo com passagens por empresas como Wildlife Studios e QuintoAndar.

Para consolidar o aplicativo, foram cadastrados 500 variedades de exercícios. Além disso, foram adicionados comandos para a organização desses treinos, com base em consultoria feita com profissionais de educação física e de uma base de dados de diretrizes do setor.

"Não criamos uma lista infinita de exercícios. Preferimos construir uma base curada, com os movimentos mais relevantes e mais comumente encontrados nas academias”, diz Sabioni.

Só após a criação do banco de dados, os fundadores passaram a pensar no layout do aplicativo e na experiência dos usuários. No Brasil, o plano anual do Befit está disponível por R$ 199,90.

Foram oito meses de desenvolvimento até o lançamento em janeiro de 2025. "A primeira versão validou a demanda. Os meses seguintes foram dedicados a refinar o algoritmo e transformar o produto na plataforma que imaginávamos desde o início”, diz Terceiro.

A divulgação inicial da Befit foi concentrada em campanhas de marketing digital e aquisição de usuários por meio de plataformas como Google, Meta e TikTok. Segundo os fundadores, a empresa optou por focar primeiro na validação do produto e no crescimento da base de assinantes antes de ampliar sua exposição na mídia e investir de forma mais intensa na construção da marca.

No fim de 2025, a plataforma alcançou 24 mil assinantes, superando com folga a meta inicial de 10 mil usuários pagantes. Segundo os fundadores, o desempenho confirmou a demanda pelo serviço e reforçou a estratégia de investir na evolução do produto e na expansão internacional.

Em 2026, o crescimento já foi impulsionado, e até abril, eram mais de 2,4 milhões de usuários.

Um app que nasce global

O aplicativo já nasceu com o objetivo de crescer globalmente, oferecendo versões em português, inglês e espanhol.

“Desde o início, sabíamos que os maiores mercados de fitness digital estavam nos países de língua inglesa. Por isso, optamos por construir um produto global desde o primeiro dia, em vez de correr o risco de ficar regionalizados”, diz Terceiro.

Apesar disso, o crescimento no Brasil foi orgânico — impulsionado pela expansão acelerada do mercado fitness, pelo conhecimento da empresa sobre o comportamento do consumidor brasileiro e pela ausência de grandes concorrentes especializados em treino de força no país.

"O Strava consolidou o mercado de corrida no Brasil. Já na musculação, não havia uma referência clara, e a Befit busca ocupar esse espaço em um mercado ainda marcado por um vácuo competitivo”, afirma Terceiro.

Embora concentre a maior parte de seus usuários no Brasil, a Befit gera mais receita no exterior. Atualmente, 52% do faturamento da empresa vêm de outros países, enquanto 48% têm origem no mercado brasileiro. Desse total internacional, 29% são provenientes dos Estados Unidos e 23% de mercados da América Latina e da Índia, por exemplo.

Seguir crescendo no mercado americano, no entanto, ainda é desafiador, já que por lá a concorrência é maior. “Temos um resultado positivo lá fora, mas sabemos que precisamos entregar um nível de qualidade cada vez maior para competir em mercados mais maduros e competitivos como o americano”, diz Sabioni.

Meta é quintuplicar faturamento

Em 2026, a expectativa é consolidar o nome e faturar R$ 25 milhões. Para isso, os empresários esperam aprimorar constantemente o aplicativo e lançar novas modalidades. Uma delas é AI Coach, que além de sugerir treinos, passa a acompanhar a evolução do usuário.

"O AI Coach vai acompanhar a evolução do usuário, entender seu histórico de treinos e ajustar o plano de forma personalizada ao longo do tempo”, afirma Sabioni.

A empresa continuará investindo fortemente em marketing de performance, modelo que impulsionou o crescimento inicial da plataforma. A estratégia inclui ampliar a aquisição de usuários por meio de campanhas digitais e, ao mesmo tempo, fortalecer a construção da marca no exterior.

Mas além disso, a Befit passará a apostar mais fortemente em influenciadores fitness. "Praticamente toda pessoa que frequenta academia compartilha alguma parte dessa jornada nas redes sociais. Por isso, vemos os influenciadores como um canal estratégico para ampliar o alcance da Befit”, diz Terceiro.

Os empreendedores também estudam a possibilidade de criar parcerias com academias, oferecendo o aplicativo para os frequentadores dessas redes.

"O objetivo com o Befit é democratizar o acesso ao treinamento de força de qualidade. Estamos trabalhando para torná-lo a principal plataforma de treino no mundo todo, provando que a inovação brasileira não tem fronteiras", diz Terceiro.

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