Dólar cai a R$ 5,26 com declarações de Trump e queda do petróleo

Por Clara Assunção 24 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dólar cai a R$ 5,26 com declarações de Trump e queda do petróleo

O dólar à vista iniciou as negociações desta segunda-feira, 23, em queda frente ao real, em um movimento alinhado ao alívio observado nos mercados internacionais após a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

A moeda americana abriu volátil, mas com viés negativo, e passou a intensificar as perdas ao longo da manhã. Por volta das 9h50, o dólar recuava 0,87%, cotado a R$ 5,263, consolidando a trajetória de queda iniciada na abertura. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, também operava em baixa de 0,40%, aos 99,24 pontos no mesmo horário.

O principal fator por trás do movimento é a mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que decidiu adiar o ultimato dado ao Irã, reduzindo temporariamente o risco de uma escalada mais agressiva do conflito.

O republicano publicou que o governo americano e o Irã tiveram "conversas muito boas e produtivas" nos últimos dias para concluir o conflito.

"Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento", afirmou Trump em sua rede social, a Truth Social.

Petroléo recua com TACO

A decisão reforçou no mercado a máxima conhecida como "Trump Always Chickens Out", expressão popularizada em Wall Street para descrever momentos em que o presidente recua de ameaças mais duras. O adiamento foi interpretado como um sinal de abertura para negociações diplomáticas, o que trouxe alívio imediato aos ativos globais.

Como reflexo direto, os preços do petróleo registraram forte queda. A referência internacional Brent crude oil despencou mais de 14%, sendo negociada abaixo de US$ 100 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) acompanhou o movimento. Por volta 9h40, a commodity mantinha o recuo, mas em menor valor, com o Brent a US$ 103, 44 e o WIT em R$ 91,11.

O recuo das commodities energéticas ajuda a reduzir as preocupações com inflação global — um dos principais canais pelos quais o conflito vinha pressionando os mercados — e, consequentemente, alivia a demanda por proteção na moeda americana.

Cenário é de incerteza

Apesar do alívio momentâneo, o cenário segue cercado de incertezas. A guerra entre EUA, Israel e Irã entrou em sua quarta semana sem sinais claros de resolução definitiva. O risco de novos episódios de escalada continua no radar, especialmente diante da importância estratégica do Estreito de Ormuz para o fluxo global de petróleo.

Na frente monetária, o pano de fundo ainda é desafiador. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) manteve recentemente os juros inalterados, com o presidente Jerome Powell destacando que ainda é cedo para medir os impactos econômicos completos do conflito.

O mercado, no entanto, segue atento ao comportamento dos preços de energia, que podem influenciar a trajetória da inflação e, por consequência, os próximos passos da política monetária.

Outros bancos centrais, como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão, também mantiveram suas taxas estáveis recentemente, mas sinalizaram disposição para apertar a política caso as pressões inflacionárias persistam.

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