Dólar cai para R$ 5,20 com maior apetite por risco do investidor
O dólar à vista aprofundou a queda frente ao real ao longo desta quarta-feira, 25, em um movimento que destoa do comportamento da moeda americana no exterior. Às 14h40, a moeda americana recuava 0,88%, cotado a R$ 5,209, bem próximo da mínima do dia, de R$ 5,208. Na máxima, a moeda chegou a R$ 5,248.
Mais cedo, por volta das 10h, o dólar já mostrava fraqueza, refletindo a melhora no apetite por risco global. Às 9h25, a moeda havia tocado R$ 5,21.
O alívio no câmbio ocorre em meio a expectativas de uma possível redução das tensões no Oriente Médio, embora o cenário ainda seja marcado por incertezas.
Apesar de autoridades iranianas negarem negociações diretas com os Estados Unidos, a divulgação de um plano de paz com 15 pontos pela imprensa americana ajudou a sustentar o otimismo dos mercados em relação a um eventual cessar-fogo, o que reduz a demanda global por ativos considerados mais seguros, como o dólar.
Segundo autoridades ouvidas pelo The New York Times, a proposta teria sido entregue por meio do Paquistão e inclui temas centrais como o programa nuclear iraniano, o desenvolvimento de mísseis balísticos e a segurança de rotas marítimas estratégicas.
O movimento do câmbio chama atenção porque ocorre na contramão do exterior. No mesmo horário, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, subia 0,25%, aos 99,48 pontos.
Na avaliação de Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o câmbio segue sensível ao cenário externo.
“O dólar opera em nível de refúgio, mas o real se beneficia de fluxos de investimento estrangeiro em ações e commodities, o que ajuda a sustentar a valorização das exportadoras e das grandes empresas listadas na B3”, afirma.
Segundo Araújo, uma eventual escalada das tensões no Oriente Médio ainda pode pressionar a moeda americana e limitar o desempenho do mercado doméstico.
Na mesma linha, Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, destaca que o noticiário geopolítico segue no centro das atenções, com sinais mistos vindos do conflito. Yamashita ressalta que o movimento é acompanhado por queda relevante do petróleo, que recua 3%, com o WTI e o Brent negociados próximos de US$ 91 e US$ 102 o barril, respectivamente.
"Mesmo com esse receio inflacionário, o mercado mostra manutenção do apetite por risco, o que ajuda a explicar o desempenho positivo das bolsas e a dinâmica das moedas", diz.
Na sessão anterior, o dólar encerrou em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,253, refletindo a busca por proteção diante das incertezas geopolíticas e da volatilidade externa. Ao longo do dia, a moeda chegou a oscilar entre a máxima de R$ 5,28 e a mínima de R$ 5,244.
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