Dólar desacelera, mas fecha na maior cotação em um mês, a R$ 5,26

Por Clara Assunção 4 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dólar desacelera, mas fecha na maior cotação em um mês, a R$ 5,26

O dólar à vista acelerou a alta frente ao real nesta terça-feira, 3, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Investidores buscaram proteção diante do risco de interrupção no fluxo global de petróleo.

A moeda chegou a subir mais de 3% no pico do pregão e atingiu a máxima de R$ 5,343. Ao longo da tarde, no entanto, desacelerou os ganhos, ainda que tenha fechado o dia em forte valorização de 1,91%, cotada a R$ 5,265, ante a alta de 0,62% na véspera.

O movimento ocorreu após o anúncio do fechamento do Estreito de Hormuz para navegação, em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A região é rota estratégica para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito: cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos diariamente no mundo passam pelo estreito.

A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar embarcações que tentassem atravessar o trecho, o que elevou o temor de interrupção no abastecimento global. Os preços do petróleo reagiram imediatamente. Pela manhã, o barril do Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 84,31, com alta de 8% no dia.

O movimento também foi sentido nas principais bolsas de Nova York e na brasileira, com os índices reduzindo perdas ao longo da tarde. A desaceleração do dólar e a melhora parcial nos mercados ocorreram em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Marinha americana escoltará petroleiros pelo Estreito de Hormuz, se necessário, segundo o republicano.

Temor sobre duração do conflito pesa

Ainda assim, a valorização do dólar se intensificou no pregão desta terça com uma mudança na percepção sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, de acordo com Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa do Banco Pine.

"A percepção até o final da tarde de ontem era de que o conflito seria curto e que o impacto no mercado de petróleo seria limitado. Após a fala de Trump sugerindo que o conflito poderia durar algumas semanas, o mercado passou a precificar o risco de uma ação mais duradoura e, portanto, ocorreu a piora dos mercados, principalmente no câmbio", afirmou Oliveira.

O economista faz referência à declaração dada no fim da tarde desta segunda-feira, 2, por Trump, indicando que o conflito entre EUA e Israel com o Irã "pode durar mais de quatro semanas".

Mais cedo, as preocupações comerciais também se intensificaram depois que o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana afirmou que o Estreito de Hormuz — a rota de trânsito mais vital do mundo para o petróleo bruto — está fechado e que o Irã incendiaria navios que tentassem atravessá-lo, informou a Reuters, citando a mídia iraniana sobre o conflito, que entrou em seu quarto dia.

"Em momentos como este, independentemente da qualidade dos fundamentos macroeconômicos, o investidor busca liquidez, algo que nem mesmo o ouro físico entrega plenamente. Assim, moedas de economias tão distintas quanto o won sul-coreano, o forint húngaro e o real brasileiro registram perdas", afirmou o diretor do Pine.

Os preços dos contratos futuros do ouro aprofundaram as perdas e recuam mais de 3% em meio ao fortalecimento do dólar.

Qual o futuro do real?

O dólar também registrou ganhos em relação aos mercados desenvolvidos, o que levou o índice DXY ao maior nível intradia em quase um ano. Próximo das 12h, o indicador, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 1,03%, a maior alta desde 12 de maio de 2025, quando subiu 1,44%, aos 101,79 pontos.

Às 17h18, o DXY mantinha a alta, mas em patamar menor, com ganho de 0,44%, aos 98,99 pontos.

André Valério, economista sênior do Inter, diz, contudo, que, para o real, a tendência dependerá de qual fator será predominante. “Por um lado, a moeda é sensível ao preço do petróleo e tende a se valorizar quando a commodity sobe, como ocorreu logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Por outro lado, a elevada incerteza tende a penalizar desproporcionalmente os países emergentes”, afirmou.

“Neste momento, o fator incerteza tem predominado, mas, se o preço do petróleo se mantiver em patamar elevado por tempo suficiente, esperamos que o real se beneficie na margem”, acrescentou o economista.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.

A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.

Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.

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