'Dólar é o rei': moeda sobe na semana enquanto mercados amargam conflito no Irã
O dólar foi um dos principais vencedores nos mercados globais nesta semana. A moeda americana caminha para alta próxima de 1,5% no período, impulsionada pela busca de investidores por ativos considerados mais seguros diante da escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O movimento ocorreu em meio a forte volatilidade nos mercados financeiros. A tensão geopolítica elevou os preços da energia, pressionou bolsas internacionais e levou investidores a rever expectativas sobre juros e inflação.
No Brasil, o dólar comercial encerra a semana com alta acumulada de cerca de 2,4%. A moeda saiu de R$ 5,149 no fechamento de 27 de fevereiro para cerca de R$ 5,275.
O petróleo foi um dos ativos mais impactados. O Brent, referência global, se aproximou de US$ 86 por barril e caminha para sua maior alta semanal desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. O avanço acumulado supera 17%.
Parte da preocupação do mercado está ligada ao risco de interrupções no fornecimento global. Dados indicam que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação de petróleo do Oriente Médio, quase paralisou.
Bolsas globais têm semana negativa
Enquanto o dólar se fortaleceu, os mercados acionários registraram fortes perdas.
O índice MSCI Asia-Pacific, que reúne ações da região fora do Japão, caminha para queda semanal de cerca de 6%, a maior desde março de 2020.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi acumulou recuo superior a 10% na semana, registrando seu pior desempenho em seis anos.
Até mesmo ações de tecnologia, que vinham liderando a valorização global impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, sofreram correções com investidores realizando lucros para cobrir perdas em outros ativos.
Juros e inflação voltam ao radar
A alta do petróleo reacendeu temores de uma nova pressão inflacionária global.
Com esse cenário, investidores passaram a reduzir apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve. As projeções indicam agora cerca de 40 pontos-base de redução nas taxas ao longo do ano, abaixo dos 56 pontos-base esperados uma semana antes.
O movimento elevou também os rendimentos dos títulos públicos americanos. O rendimento do Treasury de dez anos subiu cerca de 18 pontos-base na semana, aproximando-se de 4,15%.
Apesar de alguma estabilização nos mercados no fim da semana, analistas avaliam que o cenário continuará dependente da evolução do conflito e de seus impactos sobre o fornecimento global de energia.
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