Dólar fecha a R$ 5,31 e sobe 1,34% na 2ª semana do conflito no Irã

Por Clara Assunção 14 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dólar fecha a R$ 5,31 e sobe 1,34% na 2ª semana do conflito no Irã

O clima de maior aversão a risco e a disparada dos juros futuros contaminaram o dólar à vista nesta sexta-feira, 13. A moeda americana ampliou os ganhos frente ao real e fechou em alta de 1,37%, a R$ 5,314, o valor mais alto desde o dia 21 de janeiro, quando foi vendido a R$ 5,32.Na semana, a divisa acumula valorização de 1,34%.

Em meio a essa alta da divisa, houve um avanço significativo nas taxas de juros futuros no mercado financeiro brasileiro, impulsionada por uma combinação de pressões técnicas e eventos inesperados. Ao longo da sessão, o aumento dos custos das operações atingiu um limite crítico que acionou mecanismos automáticos de proteção, conhecidos como "stops", para evitar prejuízos maiores aos investidores.

Essa liquidação forçada de ativos gerou um efeito em cadeia, elevando ainda mais as projeções para os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) com vencimentos entre 2027 e 2031.

A moeda também foi pressionada pela nova alta do petróleo no mercado internacional. O Brent, referência mundial, encerrou com alta de 2,67%, cotado a US$ 103,14, e o WTI avançou 3,11%, a US$ 98,71. Na semana, as altas acumuladas são de 11,27% e 8,59%, respectivamente.

"A persistência da guerra no Oriente Médio mantém volatilidade no preço do petróleo, com o Brent orbitando novamente a faixa de US$ 100 por barril, o que reforça temores de pressões inflacionárias a nivel global e sustenta a busca por ativos considerados mais seguros, como a moeda americana", afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas de paises desenvolvidos, operou acima dos 100 pontos, maior nível observado desde maio de ano passado.

Juros e medidos do governo no radar

"O movimento também reflete uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos. No mercado implícito de Fed Fund, os investidores passaram a reduzir as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, com a expectativa atual apontando para cerca de 18 pontos-base de redução em 2026, bem abaixo dos quase 40 pontos-base precificados há apenas uma semana", disse Shahini.

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a continuidade da alta do petróleo reflete um ambiente geopolítico mais tenso, com a perspectiva de uma guerra mais prolongada. No caso do Brasil, além desse cenário externo, pesa também o fato de o real ter registrado desempenho melhor que o de seus pares, embora agora esteja devolvendo parte dessa valorização.

Antes dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, no dia 28 de fevereiro, a moeda brasileira registrava valorização de 6,46% no ano.

"A curva de juros (DI) no Brasil abriu de forma relevante, indicando que os investidores estão exigindo um prêmio maior para aplicar no país. Esse movimento reflete, em parte, a reação do mercado às medidas do governo para conter o preço dos combustíveis, vistas por alguns agentes como populistas e com potencial de ampliar o risco fiscal", disse Alves.

"Há dúvidas se o imposto sobre exportação de petróleo — que não foi bem recebido — será suficiente para compensar a perda de arrecadação com a isenção de PIS/Cofins. Esse aumento das incertezas fiscais pressiona a curva de juros e acaba contribuindo para a valorização do dólar frente ao real", acrescentou.

Ouro recua

O clima de aversão ao risco no 14° dia consecutivo de guerra no Irã também pressiona o Ibovespa e levou os contratos futuros de ouro a encerrarem esta sexta em queda.

O forte avanço do petróleo, que ficou acima do patamar de US$ 100 por barril, ao longo do período reviveu os receios inflacionários no mercado por diminuir as perspectivas de cortes nos juros, o que retirou grande parte da atratividade do metal precioso.

Na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros de ouro com entrega para abril encerraram em queda de 1,25%, cotados a US$ 5.061,7 por onça-troy. Com a queda, o ouro encerrou a terceira sessão consecutiva de queda, acumulando perdas de 1,89% na semana.

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