Dólar sobe 0,51% e caminha para segunda semana seguida de alta
O dólar registrou alta de 0,51% nesta sexta-feira, 13, alcançando 100,22 pontos no índice que mede a moeda frente a uma cesta de divisas, e caminha para encerrar a semana com valorização acumulada de cerca de 1,4%.
O movimento marca a segunda semana consecutiva de ganhos e reflete a busca global por ativos considerados seguros em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, envolvendo o Irã.
A guerra tem direcionado investidores para o dólar, tradicionalmente visto como porto seguro em momentos de instabilidade geopolítica, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Ao mesmo tempo, moedas mais sensíveis aos preços de energia, como o euro e o iene, recuaram para mínimas de vários meses.
Dependência energética amplia pressão
Uma alta prolongada nos preços do petróleo tende a afetar, além disso, com maior intensidade regiões que dependem fortemente da importação de energia, como Japão e países da zona do euro.
Nessas economias, o aumento do custo dos combustíveis pode pressionar a inflação e reduzir o ritmo de crescimento.
Já os Estados Unidos (EUA) apresentam maior resiliência nesse cenário. O país se tornou exportador líquido de petróleo há quase uma década, o que reduz parte da exposição a choques de oferta no mercado global.
Segundo economistas ouvidos pela Reuters, o encarecimento da energia também pode reforçar expectativas de políticas monetárias mais restritivas, tanto nos EUA quanto na Europa, diante do risco de pressões inflacionárias persistentes.
Pressão no preço do petróleo
O Irã intensificou ataques a instalações de petróleo e transporte no Oriente Médio, enquanto o novo líder supremo do país, Ayatollah Mojtaba Khamenei, afirmou que pretende manter fechado o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de petróleo.
Em resposta ao risco de escassez, os EUA emitiram uma licença temporária de 30 dias permitindo a compra de petróleo russo que estava retido no mar devido a sanções.
Além disso, a International Energy Agency (IEA) concordou em liberar cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, em uma tentativa de aliviar a pressão sobre o mercado.
Analistas avaliam, ainda assim, que essas medidas emergenciais podem indicar que autoridades globais veem poucas perspectivas de uma redução rápida das tensões.
Euro e iene caem com a força do dólar
O euro caiu para US$ 1,1438, o nível mais baixo desde agosto, enquanto investidores aguardam a próxima reunião de política monetária do European Central Bank. No Japão, o iene recuou para 159,69 por dólar, a cotação mais fraca desde julho de 2024.
Para o chefe de estratégia cambial do ING, Chris Turner, a trajetória da moeda japonesa continua fortemente ligada ao comportamento dos preços de energia. O dólar frente ao iene “não deve cair de forma sustentável até que os preços da energia recuem”, afirmou o estrategista à Reuters.
Além do euro e do iene, o dólar australiano também perdeu força e recuou cerca de 0,70% frente à moeda americana, refletindo o movimento mais amplo de fortalecimento do dólar em meio ao cenário de instabilidade global.
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