Dona da Louis Vuitton é pressionada no setor de luxo com peso da guerra no Irã
A guerra no Irã tem pesado em diferentes mercados ao redor do mundo, desde o petróleo até o consumo de luxo — caso da principal marca deste mercado, a LVMH, dona da Louis Vuitton, Dior e outros grandes nomes.
A LVMH divulgou uma prévia operacional com receita de 19,12 bilhões de euros e crescimento de apenas 1% no primeiro trimestre — abaixo do esperado por analistas, que previam um desempenho mais forte.
Na bolsa de Paris, as ações caíram 2,4% nesta terça-feira, 14, e acumulam uma queda de 27% no ano. O montante é o pior começo desde 1989, superando até períodos como a pandemia e a crise de 2008.
Guerra pesa nas vendas
O principal problema não foi a demanda global, mas sim o impacto regional do conflito. O Oriente Médio responde por cerca de 6% das vendas da empresa.
A diretora financeira da companhia, Cécile Cabanis, relatou que a procura por produtos da companhia caiu entre 30% e 70% em março, dependendo da loja e da categoria.
No total, isso tirou um ponto percentual (p.p.) do crescimento da empresa no trimestre.
"O que ainda não vimos foi a repatriação de riquezas, e o que sabemos é que a riqueza não desapareceu, então chegará o momento em que veremos isso acontecer, provavelmente em outros lugares, e mitigaremos o impacto, caso o conflito continue", detalhou Cabanis.
A divisão mais importante da LVMH — moda e artigos de couro — teve queda de 2% nas vendas. Sem o efeito do conflito, o desempenho teria sido praticamente estável, segundo a própria empresa. Ao mesmo tempo, outras áreas ajudaram a segurar o resultado.
Relógios e joias cresceram 7%, enquanto o varejo — que inclui redes como a Sephora — avançou 4%. Já perfumes e cosméticos ficaram estáveis, e vinhos e destilados tiveram leve alta.
Mesmo assim, o grupo segue apostando em mudanças nas marcas, incluindo novas lideranças criativas. E, apesar da pressão no Oriente Médio, outras regiões tiveram desempenho melhor.
As vendas cresceram 3% nos Estados Unidos e 7% na Ásia (excluindo o Japão), sinalizando que o problema é mais localizado do que estrutural. Ainda assim, Europa e Japão recuaram, com menos força para o turismo.
Mercado com cautela
Após o balanço, bancos revisaram suas projeções para a LVMH, com cortes nos preços-alvo, de acordo com dados compilados pela CNBC.
O Bernstein reduziu sua estimativa de 685 euros para 600 euros, mas manteve recomendação de compra. O Citibank cortou de 664 euros para 621 euros, também mantendo visão positiva. Já o Jefferies fez o ajuste mais agressivo, de 610 euros para 510 euros.
Mesmo com os resultados deste trimestre sendo superiores ao último ano, "isso provavelmente não será suficiente para convencer os investidores a tomarem uma decisão definitiva", disse o analista da Bernstein, Luca Solca.
Alguns ainda veem potencial de recuperação, enquanto outros acreditam que o cenário pode continuar pressionado, dependendo da duração da guerra e dos efeitos sobre turismo e consumo global.
Hoje, as ações da LVMH já são negociadas com desconto em relação aos concorrentes, o que é incomum para uma empresa que historicamente valia mais que o setor.
Todavia, a pressão não é só na LVMH. Outras gigantes do luxo também caíram: a Richemont cedeu cerca de -20% e a Hermès, recuou 25%. O movimento indica que o problema é mais amplo e afeta todo o setor europeu de luxo.
Para analistas, a LVMH virou mais do que uma empresa de luxo. Ela, hoje, funciona como um indicador da confiança global. Quando ela sofre, o mercado entende que o consumo de alto padrão pode estar em risco.
A análise das fontes da CNBC indicou, ainda, que o impacto chegou até ao patrimônio do CEO Bernard Arnault, que perdeu mais de US$ 55 bilhões no trimestre, segundo ranking de bilionários.
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