Dona do Fasano sobe no conceito de analistas após balanço; XP dobra preço-alvo
A XP Investimentos praticamente dobrou o preço-alvo da ação da JHSF para R$ 14, o que representa um potencial de alta de 41% em relação à cotação atual de R$ 9,94. A revisão reflete o melhor resultado da história da companhia, uma mudança estrutural no modelo de negócios — cada vez mais apoiado em renda recorrente — e uma reavaliação do potencial de geração de caixa para os próximos anos.
Segundo a XP, a JHSF está deixando de ser apenas uma incorporadora de alta renda para se consolidar como uma plataforma de ativos recorrentes, através de shoppings, hotéis, restaurantes, residências e aeroporto. Os analistas têm uma visão positiva do negócio, atualmente com uma tese de menor risco, negociando a múltiplos atraentes: 6,0x EV/EBITDA 2027 e dividend yield entre 8,5% e 9% ao ano entre 2026 e 2029, segundo o relatório da XP.
A virada para a renda recorrente
A XP avalia que a JHSF está em meio a uma transição relevante para um modelo mais ancorado em receitas recorrentes. Pelas estimativas da casa, cerca de 71% da receita total da companhia poderá vir dessas operações até 2030, ante um histórico mais exposto ao desenvolvimento imobiliário.
Segundo a XP, esse avanço será sustentado principalmente por três frentes.
A casa destaca o plano de abertura de hotéis e restaurantes Fasano em oito cidades ao redor do mundo nos próximos cinco anos: Sardenha (primeira fase em 2026); Londres, Miami, Punta del Este e Porto Feliz em 2027; São Paulo e Cascais até 2028; e Milão até 2030.
Na avaliação dos analistas, a expansão amplia a exposição da companhia à libra esterlina, ao dólar americano e ao euro, o que tende a funcionar como proteção natural e aumentar a resiliência durante períodos de maior volatilidade no Brasil.
A ampliação do mercado endereçável de alta renda em nível global também aproxima a JHSF de novas famílias de alta renda fora do país e reforça a estratégia nos shoppings premium em São Paulo.
Na vertical de shoppings — que inclui Cidade Jardim, Catarina Fashion Outlet e, futuramente, Shops Faria Lima — o quarto trimestre marcou o nono avanço consecutivo nas vendas. No período, as vendas cresceram 13%, para R$ 4,7 bilhões.
A XP chama atenção para a expansão do Shopping Cidade Jardim, que terá aumento de ABL (área bruta locável) em 3,5 mil m² — parte já contratada com marcas de luxo globais como Chanel, Loro Piana, Fusalp, James Perse e Alaïa (para as quatro últimas, será a primeira loja na América Latina) —, para o Shops Faria Lima, novo shopping em uma das esquinas mais valorizadas de São Paulo (Brigadeiro Faria Lima com Leopoldo Couto Magalhães), cuja inauguração está prevista para o início de 2027, e para o aeroporto Catarina, definido pela casa como uma “joia escondida” dentro da JHSF, cuja operação está sendo ampliada para 19 hangares, com potencial de chegar a 24 no médio prazo.
A XP também destaca a expansão do Shopping Cidade Jardim, que terá aumento de 3,5 mil m² de ABL (área bruta locável) — parte já contratada por marcas de luxo globais como Chanel, Loro Piana, Fusalp, James Perse e Alaïa (para as quatro últimas, será a primeira loja na América Latina). Outro ponto de atenção é o Shops Faria Lima, novo shopping localizado em uma das esquinas mais valorizadas da cidade de São Paulo (Brigadeiro Faria Lima e Leopoldo Couto Magalhães), com inauguração prevista para o início de 2027.
Já o aeroporto Catarina é classificado pela XP como uma “joia escondida” dentro da companhia. A operação está sendo ampliada para 19 hangares, com potencial de chegar a 24 no médio prazo. A receita do ativo vem de um ecossistema de serviços que inclui aluguel de hangares, limpeza e polimento de aeronaves, venda de combustível e taxas de movimento (uso da pista). No quarto trimestre de 2025, o segmento registrou crescimento de 39% na receita, com avanço de 47% nos movimentos de aeronaves e alta de 24% no número de hangares ocupados.
A XP ainda aponta opcionalidade adicional com a possível construção de um novo terminal voltado a voos comerciais, em um contexto de capacidade limitada em Congonhas e falta de alternativas próximas ao centro de São Paulo, enquanto Guarulhos tende a concentrar operações de carga e voos internacionais.
Reprecificação da tese: múltiplos, fluxo de caixa e dividendos
Com a mudança no mix de negócios e o processo de desalavancagem, a XP revisou suas projeções para cima. Para o período entre 2026 e 2029, o banco estima:
Hoje, avaliada em cerca de R$ 6 bilhões na Bolsa e negociando a aproximadamente 10 vezes EBITDA, a JHSF projeta atingir R$ 1 bilhão de EBITDA recorrente até 2027 com a expansão de shoppings, hotéis Fasano, restaurantes, hangares no Catarina e residências — o que, segundo a própria companhia, poderia levar a um valor entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões.
A XP adota uma visão mais conservadora, mas avalia que ainda há espaço para re-rating caso a expansão da renda recorrente avance como previsto.
Resultado histórico e destravamento de capital
O ano passado marcou o maior lucro da história da JHSF, com recordes em todas as verticais:
Os negócios de renda recorrente, que são o foco da XP na reprecificação da tese, também bateram recorde: juntos (shoppings, hotéis, restaurantes, clubes, residências, aeroporto e JHSF Capital) geraram R$ 1,4 bilhão de receita e R$ 658 milhões de EBITDA.
O ponto de inflexão veio no quarto trimestre, o primeiro a refletir a venda de todo o portfólio de incorporação da JHSF para um fundo imobiliário gerido pela própria casa, a JHSF Capital. A transação, de R$ 5,2 bilhões, simplificou o negócio, reduziu a volatilidade de resultados e destravou capital.
No 4T, a companhia recebeu a primeira parcela, no valor de R$ 3,5 bilhões. O restante será pago em dezembro deste ano. O FII, gerido pela própria JHSF Capital, comprou 496 unidades imobiliárias; a JHSF reteve 78 unidades (que migrarão para o negócio de locação residencial), além de terrenos e projetos com VGV potencial de R$ 30 bilhões.
O impacto na estrutura de capital foi imediato: a empresa saiu de uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões (alavancagem de 1,9x EBITDA) para uma posição de caixa líquido de R$ 2,3 bilhões. O contas a receber saltou de R$ 1,1 bilhão para R$ 2,6 bilhões.
Do ponto de vista da XP, esse movimento reduz o peso da incorporação — mais cíclica e volátil — e reforça a geração de caixa previsível, um dos pontos centrais por trás do novo preço-alvo.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: