Dona do Google pode chegar aos US$ 6 trilhões antes da Nvidia?
A disputa pelo posto de empresa mais valiosa do mundo voltou a ganhar intensidade e a Alphabet, controladora do Google, está cada vez mais próxima da Nvidia. Para a Barron's, o movimento é impulsionado pelo crescimento acelerado da nuvem, pela expansão em inteligência artificial (IA) e por uma forte valorização das ações, a gigante de tecnologia reduziu significativamente a distância para a fabricante de chips, hoje considerada o principal símbolo do boom global de IA.
No fechamento da semana, o valor de mercado da Alphabet estava em US$ 4,8 trilhões, cerca de US$ 400 bilhões abaixo da Nvidia. Em um ano, a controladora do Google adicionou mais de US$ 2,6 trilhões em valor, com cerca de US$ 900 bilhões acumulados apenas desde o início de 2026.
Já a Nvidia aparece avaliada em cerca de US$ 5,23 trilhões, após ter ultrapassado esse patamar pela primeira vez em outubro do ano passado.
A corrida pelo topo não é inédita para a Alphabet. Em 2016, a companhia chegou a ocupar brevemente o posto de empresa mais valiosa do S&P 500 ao superar a Apple após um balanço trimestral acima das expectativas. A liderança, porém, durou apenas dois dias.
Google Cloud vira principal motor de crescimento
Nos últimos meses, a Alphabet passou a surpreender o mercado principalmente pelo desempenho do Google Cloud. A divisão registrou crescimento de 63% na receita do primeiro trimestre na comparação anual — a maior taxa desde que a empresa começou a divulgar separadamente os números da unidade, em 2020, segundo dados da LSEG citados pela Reuters.
Além de crescer em ritmo acelerado, a divisão vem ampliando participação frente a concorrentes maiores, como Amazon e Microsoft.
Os resultados reforçaram a percepção de que os investimentos bilionários da companhia em infraestrutura começam a gerar retorno. Nos últimos dois anos, a Alphabet desembolsou US$ 144 bilhões em despesas de capital (capex), enquanto outros US$ 490 bilhões estão projetados para os próximos dois anos.
“A forte demanda por ofertas de nuvem e IA impulsionou uma ‘aceleração significativa’ do crescimento, indicando [...] que os investimentos relevantes em IA estão valendo a pena”, disse Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial, à agência de notícias.
“A expectativa de um aumento relevante nos investimentos em 2027 reforça ainda mais as crescentes necessidades de computação e a confiança que a empresa tem em seus produtos de IA”, afirmou Ralph Schackart, da William Blair, à Barron's.
IA integrada ao ecossistema do Google
A inteligência artificial ocupa hoje um papel central em praticamente todas as frentes da Alphabet. A integração da tecnologia às principais divisões da companhia — busca, YouTube e nuvem —, reforça a estratégia do grupo de monetizar IA em múltiplas linhas de negócio.
O Gemini, principal produto de IA generativa da empresa, aparece entre os chatbots mais competitivos do mercado e ajuda a sustentar a tese de investimento em torno da companhia. Para a Barron's, Justin Post, analista do Bank of America, destaca a Alphabet como uma das principais apostas globais em inteligência artificial, apoiada pelo aumento do uso do buscador, maior eficiência na segmentação de anúncios, vantagens competitivas na divisão de nuvem e crescimento das receitas de assinatura ligadas ao Gemini.
“Acreditamos que os ventos favoráveis da IA para a busca ainda estão em estágio inicial, e melhorias futuras nos grandes modelos de linguagem devem sustentar esse crescimento”, afirma Post.
A empresa também avança em uma frente considerada estratégica no setor: o desenvolvimento de chips próprios para inteligência artificial. Parte do crescimento recente da operação foi impulsionada pela venda de TPUs (Tensor Processing Units), produzidos internamente pelo Google, para clientes externos.
Nesse segmento, a Alphabet começa a emergir como uma rival relevante da Nvidia ao apostar em semicondutores customizados, que já conquistaram clientes como a Anthropic.
Mercado reage aos resultados
O desempenho das ações acompanha a melhora operacional da Alphabet. Os papéis da companhia acumulam valorização superior a 140% nos últimos 12 meses — ritmo quase quatro vezes maior do que o observado nos quatro anos anteriores. Apenas em 2026, a alta já chega a 24%. No mesmo período, a Nvidia avança cerca de 7%.
O movimento ganhou força especialmente após a temporada de balanços. Em 30 de abril, primeiro pregão após a divulgação de resultados considerados “blockbusters” pelo mercado, as ações da Alphabet saltaram 10%, em um dos maiores ganhos diários de valor de mercado da história da empresa.
Na direção oposta, a Nvidia recuou 5% no mesmo dia. A queda não esteve ligada aos resultados da fabricante de chips, mas às sinalizações de grandes clientes de nuvem — entre eles Alphabet e Microsoft — sobre o avanço no desenvolvimento de semicondutores próprios para inteligência artificial.
O mercado passou considerar o risco de que gigantes de tecnologia internalizem parte da infraestrutura de IA, reduzindo a dependência de fornecedores tradicionais como a Nvidia.
Na comparação de valuation, a Alphabet é negociada a cerca de 29 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses — acima da média histórica de cinco anos, próxima de 22 vezes, e também superior ao múltiplo futuro do S&P 500, em torno de 21 vezes, conforme informações da Reuters.
Já a Nvidia aparece negociada a aproximadamente 21 vezes o lucro futuro em alguns recortes recentes, apesar de seguir dominante no mercado de GPUs para data centers.
A companhia projeta crescimento de 77% na receita do trimestre encerrado em abril e espera continuidade da expansão das receitas de data centers ao longo do ano, impulsionada pelas arquiteturas Blackwell e Vera Rubin, de acordo com a Barron's. Os chips Vera Rubin devem começar a ser entregues na segunda metade deste ano, reforçando as expectativas de crescimento da empresa.
Ainda assim, para analistas ouvidos pela Business Insider, a Nvidia continua sendo, em grande parte, uma aposta mais concentrada em infraestrutura de IA — o que a torna mais sensível a eventuais mudanças no ritmo de investimentos do setor. A Alphabet, por outro lado, começa a convencer o mercado de que consegue transformar inteligência artificial em resultados reais de negócio.
O ambiente regulatório também passou a jogar a favor da companhia. Recentemente, a Alphabet venceu uma disputa importante nos Estados Unidos, após um juiz decidir contra uma eventual cisão da empresa, permitindo que o grupo mantivesse o controle sobre o navegador Chrome e o sistema operacional Android.
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