Donald Trump diz que não pagaria preço de ingressos da Copa

Por Matheus Gonçalves 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Donald Trump diz que não pagaria preço de ingressos da Copa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se juntou a muitos pelo mundo ao questionar os preços dos ingressos para jogos da Copa 2026, cujo início será em poucas semanas. Em entrevista ao jornal New York Post, o republicano disse que “eu também não pagaria, para ser honesto.”

"Eu certamente gostaria de estar lá, mas, para ser honesto, também não pagaria o preço", disse Trump ao Post quando questionado sobre os preços dos ingressos para a Copa do Mundo. “Se as pessoas do Queens e do Brooklyn e todas as pessoas que amam Donald Trump não puderem ir, ficarei desapontado, mas, sabe, ao mesmo tempo, é um sucesso incrível”, disse Trump. “Gostaria que as pessoas que votaram em mim pudessem ir.”

Durante a conversa, conduzida por telefone, o presidente chegou a admitir que “não sabia do número” do preço da primeira partida da seleção americana contra o Paraguai, que abrirá a participação do time americano.

Em dezembro de 2025, a FIFA estabeleceu um preço de base para ingressos de categoria 3 – os mais baratos para a maioria dos fãs, considerando a escassez de assentos de categoria 4 nos estádios – de US$ 1.120 (R$ 5.503 na cotação atual).

Os comentários de Trump vêm um dia após o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defender as faixas de preço em uma conferência de um think tank americano. Essa será a primeira edição do campeonato a utilizar um sistema dinâmico de preços, uma prática comum nos EUA, que permite que os ingressos flutuem drasticamente de preço em eventos de alta demanda.

Os preços para a final batem os 10.990 dólares por ingresso (54.260 reais), vendidos diretamente pela FIFA.

O preço de revenda para a final varia de US$ 11 mil (R$ 54.300) a US$ 3 milhões (mais de R$ 14 milhões). Por mais que a organização não controle diretamente o preço de revenda dos ingressos, ainda assim recebe 15% do valor tanto do revendedor quanto do comprador, para uma cifra final de 30% do valor da revenda oficial.

Na última edição do campeonato, em 2022 no Catar, o ingresso mais caro para a final tinha um preço nominal de "apenas" US$ 1.600 (R$ 7.900) em comparação.

Presidente da FIFA defende preços

: Gianni Infantino, presidente da FIFA, defende preços altos dos ingressos, apesar de repercussão negativa entre fãs (Foto: (Foto de Adem ALTAN / AFP via Getty Images)

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu os altos preços, insistindo que a organização foi, de um ponto de vista econômico, basicamente obrigada a tirar proveito das leis americanas que permitem a revenda de ingressos na casa dos milhares de dólares acima do valor nominal.

Em uma fala dessa terça, 5, durante a Conferência Global do Milken Institute, um think tank de economia sediado na Califórnia, Infantino disse que os preços exorbitantes refletem a demanda para assistir à copa.

“Temos que olhar para o mercado. Estamos no mercado de entretenimento mais desenvolvido do mundo. Portanto, temos que aplicar as taxas apropriadas”, disse o presidente da FIFA.

“Nos Estados Unidos, a revenda de ingressos também é permitida. Portanto, se você vender ingressos a um preço muito baixo, eles serão revendidos a um preço muito mais alto”, disse.

“E, na verdade, mesmo que algumas pessoas digam que nossos preços são altos, eles acabam no mercado de revenda por um preço ainda maior, mais do que o dobro do nosso.”

Em sua fala, Infantino destacou que a FIFA reinveste seus lucros da Copa do Mundo em programas de futebol ao redor do mundo, e encorajou investidores americanos – onde o esporte não é tão popular – a se envolverem mais com o futebol, já que, afinal, continua sendo o esporte mais popular do mundo.

De qualquer forma, a organização enfrenta fortes críticas quanto ao preço, com a organização de fãs Football Supporters Europe (FSE) chamando o sistema de precificação de “extorsivo” e de uma “traição monumental”. O grupo iniciou, em março, um processo perante a Comissão Europeia contra a FIFA por “preços de ingresso excessivos” para o torneio.

Sobre as críticas, Infantino rebate: “Se algumas pessoas colocarem ingressos para a final no mercado de revenda por US$ 2 milhões, primeiro, isso não significa que os ingressos custem US$ 2 milhões”, disse à mídia.

“E, segundo, isso não significa que alguém vá comprar esses ingressos”, continuou Infantino. “E se alguém comprar um ingresso para a final por US$ 2 milhões, eu mesmo levarei um cachorro-quente e uma Coca-Cola para garantir que ele tenha uma ótima experiência.”

Infantino reitera que a FIFA recebeu mais de 500 milhões de pedidos de ingressos esse ano, em comparação com menos de 50 milhões combinados das Copas de 2018 e 2022, adicionando que 25% dos ingressos para a fase de grupos estavam com preços abaixo de 300 dólares (cerca de 1.480 reais).

“Nos Estados Unidos, você não consegue assistir a um jogo universitário, muito menos a uma partida profissional de alto nível, por menos de US$ 300”, disse Infantino. “E estamos falando da Copa do Mundo.”

No entanto, a FIFA tem enfrentado dificuldades para lotar os jogos, incluindo a estreia dos Estados Unidos contra o Paraguai. Ainda há ingressos disponíveis para a maioria dos jogos da fase de grupos, mas na mesma casa de preços altos.

Os ingressos para o jogo dos EUA contra o Paraguai, por exemplo, começam em US$ 1.120 (R$ 5.535) e chegam a US$ 4.105 (mais de R$ 20 mil), com muitos ingressos custando cerca de US$ 2.000 (R$ 9.884) para a partida de 12 de junho em Los Angeles. Os assentos nos pacotes de hospitalidade podem custar até US$ 6.050 (R$ 30 mil) cada.

Ainda há ingressos disponíveis no site oficial da FIFA, nessa faixa de preço, na seção de “vendas de última hora”.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: