É possível prever um terremoto? O que a ciência sabe até hoje
Os terremotos continuam entre os fenômenos naturais mais imprevisíveis da Terra. Apesar dos avanços na sismologia e no uso de inteligência artificial, nenhum método científico é capaz de informar com precisão o momento, o local exato e a magnitude de um grande terremoto antes que ele aconteça.
De acordo com a revista científica Nature, essa limitação existe porque os processos físicos que levam à ruptura das falhas geológicas ainda não são totalmente compreendidos. Embora os cientistas saibam identificar regiões com maior atividade sísmica, o instante em que a energia acumulada será liberada permanece imprevisível.
Na última quarta-feira, 24, um terremoto de magnitude 7,1 atingiu a Venezuela, sendo classificado como um dos mais fortes já registrados na região nos últimos anos. O tremor também foi sentido na Colômbia, em Caracas e em outras regiões do país.
Por que ainda não é possível prever terremotos?
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), uma previsão científica verdadeira precisaria informar três elementos antes do evento acontecer: a data e o horário, a localização do epicentro e a magnitude do terremoto.
O problema é que nenhum grande terremoto apresenta um conjunto consistente de sinais capazes de antecipar sua ocorrência. Ao longo das últimas décadas, pesquisadores investigaram possíveis indicadores, como enxames de pequenos tremores, aumento da concentração de gás radônio, alterações no comportamento de animais e outros fenômenos naturais.
No entanto, o USGS afirma que esses sinais costumam ocorrer sem serem seguidos por um grande terremoto e, por isso, não podem ser usados como método confiável de previsão.
Outro desafio é que terremotos pequenos e grandes começam de forma muito semelhante. Para os pesquisadores, a diferença entre eles só fica evidente quando a ruptura da falha geológica já está em andamento, tornando impossível emitir uma previsão antecipada.
Como a inteligência artificial pode ajudar a prever terremotos?
Embora ainda os cientistas não consigam prever terremotos, a inteligência artificial vem mudando a forma como os pesquisadores estudam a atividade sísmica.
Os algoritmos atuais conseguem identificar milhares de pequenos tremores que antes passavam despercebidos pelos métodos tradicionais. Com isso, os pesquisadores estão construindo catálogos sísmicos muito mais completos, permitindo acompanhar com maior precisão o comportamento das falhas geológicas ao longo do tempo.
O objetivo é descobrir padrões que possam indicar como grandes terremotos se desenvolvem. Ainda assim, os próprios autores destacam que ainda não há evidências de que esses padrões sejam suficientes para prever exatamente quando um grande abalo ocorrerá.
O que a ciência consegue fazer hoje para reduzir os impactos dos terremotos?
Apesar disso, a ciência evoluiu bastante no monitoramento sísmico. Atualmente, os pesquisadores conseguem detectar rapidamente pequenos tremores, acompanhar continuamente a atividade das falhas geológicas, calcular a probabilidade de terremotos em determinadas regiões ao longo de anos ou décadas e, em alguns países, emitir alertas poucos segundos após o início de um terremoto, dando tempo para que parte da população busque proteção.
Segundo o USGS, esse é o foco atual da pesquisa: melhorar os sistemas de monitoramento, aperfeiçoar os mapas de risco e desenvolver construções mais resistentes, em vez de tentar fazer previsões de curto prazo.
Para os autores, a combinação entre inteligência artificial, grandes bancos de dados e novas técnicas de análise pode ampliar o conhecimento sobre o funcionamento dos terremotos. Porém, prever exatamente quando um grande terremoto ocorrerá continua sendo um dos maiores desafios da geofísica moderna.
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