'Efeito Bad Bunny': como músico se tornou importante pilar da economia de Porto Rico?

Por Maria Luiza Pereira 4 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Efeito Bad Bunny': como músico se tornou importante pilar da economia de Porto Rico?

O artista do momento: é o que muitos consideram ser Benito Antonio Martinez Ocasio, o Bad Bunny, artista porto-riquenho de 31 anos que ganhou o prêmio de Álbum do Ano do Grammy no último domingo, 1, e no próximo domingo, 8, vai apresentar o show do intervalo do Super Bowl, nos Estados Unidos.

Com um álbum que falava sobre questões sociais da ilha de Porto Rico e a opressão sofrida diariamente por ser um território não anexado dos Estados Unidos, Bad Bunny levou o Debí Tirar Más Fotos ao topo do mundo, sendo o disco mais ouvido do Spotify em 2025 — já o artista foi eleito o mais ouvido do mundo também pela mesma plataforma.

Residência de sucesso

E como transformar sucesso em melhoria de vida para seus conterrâneos? Voltando os olhos do mundo para uma série de 30 shows na ilha.

Nos meses entre julho e setembro de 2025, a residência de shows “No Me Quiero Ir de Aquí” foi mais do que um evento musical. Ela virou um dos maiores impulsionadores da economia local em anos recentes, atraindo fãs de todo o mundo para a ilha caribenha.

O anúncio das 30 apresentações no Coliseo de Puerto Rico, em San Juan, provocou um aumento rápido na procura por passagens aéreas, hospedagem e pacotes de viagem. Em poucas horas, centenas de milhares de ingressos foram vendidos, e fãs de países como Estados Unidos, República Dominicana e Espanha garantiram voos e estadias na ilha para assistir às apresentações.

Um estudo do Departamento de Economia da Universidade de Porto Rico-Río Piedras sobre o impacto econômico, cultural e social da residência artística mostra que a residência gerou, no mínimo, US$ 176,6 milhões para a ilha, grande parte por meio de salários e impostos documentados.

A iniciativa Discover Puerto Rico calcula que a residência gerou em torno de US$ 200 milhões em gastos turísticos, como hospedagem, alimentação e transporte. Já a organização Gaither International estimou um retorno de até US$ 733 milhões com a residência, além do aumento da visibilidade internacional sobre Porto Rico.

Hotéis na região registraram ocupação recorde, com milhares de diárias reservadas com meses de antecedência. Restaurantes, bares e lojas também reportaram crescimento nas vendas, e áreas próximas ao local dos shows ficaram mais movimentadas durante todo o dia. Dados de transações com cartão indicam que o gasto de visitantes em San Juan aumentou de maneira significativa nas datas dos shows, com crescimento de dois dígitos em várias categorias de consumo.

O impacto ultrapassou o setor de turismo. Pequenas e médias empresas locais, serviços de passeios turísticos, transporte e operadores culturais também sentiram os efeitos do aumento de pessoas na ilha. Esse “efeito Bad Bunny” tem sido citado como um exemplo de como eventos culturais de grande porte podem ativar cadeias econômicas inteiras, contribuindo para a criação de empregos e para receitas em diversas áreas.

Rafael Takano, DJ brasileiro de reggaeton, foi para Porto Rico acompanhar a Residência de Bad Bunny. "Nos shows da residência toda a narrativa era de amor à ilha. Então os fãs que foram, saíram de lá com mais vontade de conhecer esse Porto Rico do Benito", afirma em entrevista à EXAME.

Apesar disso, Takano destacou que, embora toda a ilha estivesse vibrando com Bad Bunny, também houve críticas. "Levar esse tipo de atenção para qualquer lugar vai atrair especulação e gentrificação, não foi diferente nesse show. Eu conheci um tatuador que chamou a proposta da residência de "incoerente" com os efeitos na prática, além de que o momento política da ilha não era oportuno", diz.

"Ainda assim, gosto de acreditar que a forma com que foram montados os espetáculos "educaram" bem os fãs. E a população nativa, no geral, estava adorando. Fomos em um grupo com oito brasileiros e ficamos sabendo de vários outros grupos que estavam lá, e todo mundo aproveitou uns dias a mais para passear pela ilha, pela República Dominicana e pelos Estados Unidos. Acredito que essa residencia pode ter tido até um efeito significativo nos vizinhos", afirma.

Ao conquistar o mundo, Bad Bunny decide iluminar Porto Rico

A presença global do artista jogou luz sobre Porto Rico como destino turístico e cultural. A série de shows não apenas atraiu visitantes, mas consolidou a ilha como um ponto de encontro para fãs de música urbana e entretenimento internacional, fortalecendo sua imagem e potencial de atração no longo prazo.

Mais do que cifras, o fenômeno mostra como a economia criativa pode se tornar um motor real de desenvolvimento para regiões que combinam cultura local com projeção global.

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